Mação | Vespa asiática alastrou a todas as freguesias, 25 ninhos já foram detetados

O assunto foi trazido a reunião de Câmara pelo vereador Nuno Barreta (PS), referindo ter visto “floreiras dentro da vila com centenas de vespas asiáticas” e dando conta de ser seu conhecimento vários ataques, nomeadamente a apiários. António Louro, vice-presidente da autarquia e responsável pelo Serviço Municipal de Proteção Civil, disse que até agora foram detetados no concelho de Mação 25 ninhos, faltando a eliminação de “um ou dois” que, pela sua localização, exigem uma intervenção mais complexa. Ainda assim, tem-se verificado proliferação da vespa crabro (europeia), responsável por vários ataques a pessoas no concelho, segundo o vereador Vasco Marques (PSD).

Nuno Barreta (PS) introduziu o tema referindo a hipótese de reforço de colocação de armadilhas para a vespa velutina e dando conta que abordou Fernando Monteiro, presidente da Cooperativa Melbandos e veterinário municipal de Mação, no sentido de haver mais distribuição de armadilhas, mas que este referiu que nesta fase “não é recomendada a colocação de armadilhas”.

“Se não encontramos os ninhos, a única maneira que temos de reduzir a população de vespas asiáticas é colocar armadilhas nos sítios onde vão à procura de alimento”, insistiu Nuno Barreta.

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António Louro, vice-presidente da autarquia e responsável pelo Serviço Municipal de Proteção Civil, referiu que “até ao momento ainda não se está a verificar um crescimento tão exponencial como seria expetável”, algo que fora previsto em sessão de esclarecimento sobre a temática em 2018.

Entre as freguesias do concelho existem já detetadas várias colónias de vespas asiáticas, tendo sido contabilizadas 4 em Cardigos, 6 em Amêndoa, 5 em Penhascoso, 5 em Mação, 3 em Ortiga e uma em Envendos, que segundo informação do vice-presidente é a freguesia onde menos tem aparecido esta praga, e “onde está mais baixa a incidência em deteções”.

Quanto à colocação de armadilhas, António Louro disse que há um problema, uma vez que a Direção-Geral de Veterinária e entidades oficiais, neste momento não recomendam a colocação “indiscriminada” de armadilhas, uma vez que, na prática, para matar a vespa velutina, matam-se centenas de outros insetos inofensivos.

Fonte: GNR

“No nosso senso comum, não parece vir ao mal mundo. Quando olhamos para as questões do ponto de vista ambiental e ecológico, se faz sentido para matar uma vespa, matarmos centenas de insetos que não fizeram mal a ninguém e não tem grande problema…”, acrescentou.

Por outro lado, o vereador responsável pelo SMPC, referiu que as armadilhas que se colocam na altura da Primavera pretendem evitar a formação de colónias, sendo que cada vespa que for apanhada nessa altura evita um potencial ninho.

Nesta altura, as vespas que são apanhadas em armadilhas são “meras obreiras, que estão na colmeia, que andam à caça e matam algumas abelhas… mas em termos de eficácia do controlo da invasão é muito mais baixo”.

Por outro lado, outros municípios têm tido maior propagação desta espécie, tendo António Louro dito na reunião de Câmara desta quarta-feira que a vila de Pedrógão Pequeno, na Sertã, que se equipara em extensão com a freguesia de Cardigos, tem identificados cerca de 120 ninhos, sendo que em Cardigos apenas estão detetados 5.

Quanto ao “alarme público” que tem criado este tema, António Louro salientou que “a vespa velutina tem uma grande gravidade no ataque e no desenvolvimento dos apiários e produção de mel” e estando já a proliferar no país, espera-se que o Estado consiga gerir esta praga que veio para ficar.

Vasco Marques (PSD) diz acompanhar este assunto de perto e ter conhecimento de ataque a uma pessoa na Carregueira, sabendo que “deste tipo de ataques há registo de pelo menos seis nos últimos tempos”.

Por “experiência própria”, Vasco Marques referiu que em Mação, teve conhecimento de ataques de vespa crabro, que ocorrera em locais onde andavam à procura de alimento e longe dos ninhos.

“A vespa que ataca nunca é a velutina, é a crabro, pois têm atacado fora do ninho. A vespa asiática ataca só quem for mexer no ninho, ataca como qualquer enxame. Já as crabro têm picado sem explicação em locais públicos como a piscina descoberta”, relatou.

Segundo Vasco Marques as vespas crabro são importantes para travar a invasão de vespa velutina, mas existindo muitos ninhos, gera-se também muita confusão na deteção e identificação de ninhos.

“Há um ninho de crabro na Aboboreira à cerca do qual já recebi seis alertas de ninho de vespa velutina, que não é. Seis pessoas diferentes que viram aquele ninho, num buraco de uma laranjeira onde já fui. Por coincidência distingui-se um ninho de vespa velutina na outra ponta da horta. As pessoas pensam que a Câmara tem obrigação de lá ir eliminá-las, quando as indicações são contrárias. Não temos nem meios, nem recursos, nem indicações para as eliminar”, aludiu.

Ainda assim, Vasco Marques deixou alerta para a distinção entre as duas espécies de vespa, referindo que o facto de Mação não ter tanta proliferação de vespa velutina se poderá dever ao aumento de vespas crabro, visto que são “inimigas” e podem estar a impedir que a vespa velutina se desenvolva.

Vasco Marques referiu ter estado junto a um ninho durante a noite desta terça-feira, referindo tratar-se de vespas crabro. “Conhecem-se bem, são maiores, voam de noite e de dia, as colónias crescem muito rapidamente e são muito agressivas. Digo isto para evitar as confusões, porque toda a gente pensa que é velutina e a maior parte das vezes não é”, terminou.

António Louro referiu que as entidades oficiais não recomendam a eliminação dos ninhos de vespa crabro, a não ser que seja numa habitação ou local em que há risco elevado para as pessoas. “Se é numa horta ou no meio de um terreno rural, pura e simplesmente tomamos nota, assinalamos e ficamos com os dados”, indicou.

A partir desta semana, o Gabinete Técnico Florestal do Serviço Municipal de Proteção Civil de Mação vai passar a deixar um anúncio, assinalando fisicamente o local com informação do procedimento, para que as pessoas não fiquem alarmadas e não sintam necessidade de voltar a contactar e sinalizar a existência daquele ninho já identificado.

O que fazer em caso de deteção ou suspeita de existência de ninho ou de exemplares de Vespa Asiática (Velutina):
– contactar a GNR, através da linha SOS Ambiente e Território (808 200 520). Neste caso o observador será informado do procedimento a seguir para a efetiva comunicação da suspeita;
– inserção/georreferenciação online do ninho ou dos exemplares de vespa e preenchimento online de um formulário com informação sobre os mesmos, disponível no portal www.sosvespa.pt, acessível a partir dos portais da Direção Geral de Veterinária e Alimentação, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, das Direções Regionais de Agricultura e Pescas, do SEPNA/Guarda Nacional Republicana e das Câmaras Municipais respetivas;
– preenchimento de um formulário e envio para a Câmara Municipal da área onde ocorreu a observação;
-preenchimento de um formulário via Smartphone disponível no portal www.sosvespa.pt;
– poderá também solicitar a colaboração da junta de freguesia mais próxima do local de deteção/suspeita para o preenchimento do formulário.
Deverá, sempre que possível, ser anexada fotografia da vespa ou do ninho, para possibilitar a sua correta e célere identificação. Qualquer informação, comunicada através dos meios atrás referidos, será encaminhada para a Câmara Municipal correspondente ao local de deteção/suspeita, que dará o devido seguimento ao processo.

fonte: GNR

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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