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Sábado, Dezembro 4, 2021
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Mação | Vereador Vasco Marques distinguido como um dos “heróis” do ano pela revista VISÃO

“Os incêndios de Mação devastaram 80% do concelho. Mas não morreu ninguém – e essa é a pequena grande vitória de um vereador mais preocupado com as vidas dos seus munícipes do que com a sua.” É desta forma que a revista Visão começa por explicar porque decidiu distinguir Vasco Marques como um dos 9 heróis de 2017, na sua edição anual Solidária, publicada no final de novembro Os escolhidos tiveram papéis preponderantes nos grandes incêndios que causaram 110 mortos este ano: salvaram vidas, enfrentaram as chamas e continuam a fazer a diferença no terreno. A revista dedica-lhes a sua capa, entendendo que “Portugal precisa de os conhecer”.

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A 23 de julho, Vasco Marques andou por várias povoações, no seu jipe, a resgatar pessoas isoladas, tendo até entrado por um telhado de uma moradia para salvar quatro mulheres idosas, uma delas acamada, sem a mínima hipótese de escapar. A 16 de agosto furou as chamas e foi por mais de uma vez à aldeia de Louriceira, cercada pelo fogo, quando as autoridades passavam às televisões a informação de que havia 8 mortes confirmadas. Ele trouxe primeiro no jipe duas mulheres, duas crianças e um idoso, quase à força.

“Mães e crianças choravam em pânico no banco de trás, dizendo que a casa iria arder, que iriam perder tudo o que tinham construído ao longo da vida”, conta o vereador à revista. Deixara cinco pessoas para trás, mas em segurança. Como podiam estar a dar como certos 8 mortos? “Em pânico, e contra as recomendações dos bombeiros e do bom senso, voltou para lá. Encontrou as cinco de boa saúde. Abraçou-se à última a chorar. Ninguém morrera. Já ninguém morreria”, descreve o jornalista Luís Ribeiro.

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Os outros heróis anónimos distinguidos pela revista Visão incluem a presidente da Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, Nadia Piazza, uma mulher que perdeu o filho de 5 anos, o ex-marido e a sogra na “estrada da morte”. No dia anterior à tragédia, esta jurista brasileira de origem italiana soube que estava grávida. E é com uma grande barriga de futura mamã que posa para a capa da revista, explicando que, depois de tamanha perda, uma pessoa só tem de tomar uma decisão:

“Ou entra em depressão e fica paralisada para o resto da vida, ou arregaça as mangas e vai buscar justiça. Faço pelos outros o que gostaria que fizessem por mim – que é não deixar isto acontecer. Vou ter outro filho e não quero que ele viva o pânico que o Luís viveu, ou que outras pessoas vivam esse pânico.”

Os restantes heróis são: Leonor Pimenta e Rodrigo Oliveira, fundadores do grupo de solidariedade SOS Arganil, que mobiliza mais de 70 voluntários, todos os fins de semana, recuperando casas e distribuindo ajuda; Carlos Simão, presidente da Junta de Fajão (Pampilhosa da Serra), que salvou muitos moradores isolados; Samuel Infante, coordenador do Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco, que trabalha sem descanso há vários meses, ajudando a salvar águias, abutres, linces, raposas, lontras e outras centenas de animais selvagens, afetados pelos fogos; Pedro Vicente, empresário que coordena uma equipa que irá recuperar integralmente a escola de Midões; João Silva, motorista de Santa Comba Dão que arriscou a vida para salvar a vida a mais de 200 de passageiros do comboio Guarda-Lisboa; António Luís, empresário de Seia, que andou no seu jipe a recolher mais de uma centena de idosos; e Luís Falcão de Brito, de Oliveira do Hospital, que deixou de proteger os seus olivais centenários, e que arderam por completo, para salvar as casas dos vizinhos.

Entre os distinguidos, o vereador Vasco Marques acaba por dizer que, mesmo sabendo que muita gente está hoje viva por causa da sua coragem, não se sente extraordinário. “Apenas fiz o que tinha de ser feito.”

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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