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Sexta-feira, Dezembro 3, 2021
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Mação | Vasco Estrela (PSD) reclama equidade e objetividade para apoios após incêndios

O tema marcou a primeira reunião de executivo, realizada na passada quarta-feira. Figura muito crítica sobre a atuação da Proteção Civil e do Governo em matéria de floresta, ordenamento e gestão do território e que defende de modo intransigente os interesses da sua comunidade e do seu concelho, Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, cedeu entrevista ao mediotejo.net esclarecendo a sua posição e reclamando por um tratamento justo e equitativo no que toca à disponibilização de apoios aos concelhos fustigados pelos incêndios florestais este verão.

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Trata-se de mais um ato daquela que diz ser sua obrigação perante as gentes de Mação, uma “defesa intransigente daquilo que entende ser o tratamento que o concelho reclama, é básico, não estamos a pedir nada de excecional”, afirmou.

“Não posso enquanto representante máximo do concelho, ainda por cima com todos os antecedentes e com tudo o que se passou neste verão, ficar bem com a minha consciência e com aquilo que entendo que deve ser o tratamento que este concelho tem direito, quando verifico que num concelho onde arderam 27 mil hectares de floresta, onde houve a destruição que houve… parece-nos que há algum tratamento por parte do Governo, não diria preferencial mas diferenciado em relação a algumas regiões do país, nomeadamente aquelas onde aconteceram aquelas infelicidades, que há pouco referi, falo em concreto dos incêndios da zona de Pedrógão e dos agora chamados incêndios do dia 15 de outubro”, deu a entender.

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Segundo o autarca, o tratamento tem sido diferenciado em diversos patamares, concretizando que “no caso de Pedrógão, no apoio aos agricultores, em que numa primeira fase foram contemplados os apoios para a recuperação para o potencial produtivo, aos pequenos agricultores, até 1000 euros, até 5 mil euros, sem grandes formalismos para as pessoas retomarem a sua vida normal. Situação que não aconteceu em Mação e noutros concelhos que arderam naquela altura de julho e de agosto”.

Num segundo ponto, Vasco Estrela refere-se a medida no âmbito da Segurança Social e empresas. “Ontem sou surpreendido com a notícia de que, afinal, a Segurança Social agora vai pagar, nos concelhos que arderam em 15 de outubro, aos pequenos agricultores até ao montante de 1000 euros ou mais de 1000 euros, e portanto, parece que há aqui uma atenção agora específica para este tipo de situações. Pergunto: e os outros concelhos que arderam entretanto?”.

Quanto aos animais e falta de alimentação para os mesmos, o autarca admitiu esforço do município para garantir o mínimo necessário. “Durante todo este período a Câmara Municipal de Mação conseguiu, através dos bons ofícios da Direção-Geral de Agricultura, aceder a quatro toneladas de alimentação para animais, sendo certo que no concelho de Mação já foram disponibilizadas cerca de 200 toneladas. E obviamente não foi pelo Governo”, disse, retorquindo de imediato.

“Teve de ser a CM Mação, nomeadamente com organizações de produtores, com a Acripinhal, com a AmarMação, através de um conjunto de outras entidades todas não-governamentais, e junto de iniciativa privada, conseguimos encontrar soluções para a alimentação desses animais. Pois bem, acontece que aquando dos incêndios de 15 de outubro o Governo automaticamente disponibiliza 600 toneladas de alimentação”, afirmou.

Na listagem dos municípios abrangidos por este apoio, o município de Mação não estava incluído, frisou Vasco Estrela. “Não fazia parte daqueles incêndios do dia 15 de outubro. E eu pergunto: Os animais no concelho de Mação é suposto comerem o quê? E nos outros concelhos que arderam entretanto durante este período? O que é suposto acontecer?”, questionou, afirmando que as coisas não estão a ser geridas da forma mais correta”.

Incêndio dentro do limite urbano de Mação, este verão. Foto: Miguel Alves

Tendo reunido no passado sábado com dois Secretários de Estado, o autarca disse ao mediotejo.net que tentou ainda confirmar se os apoios entretanto decididos em Conselho de Ministros quanto às empresas se aplicariam a todos os concelhos fustigados pelas chamas até então, e não apenas aos concelhos afetados pelos fogos de 15 de outubro.

“Tentei saber numa reunião que tive no sábado passado, junto de dois Secretários de Estado que estavam presentes, se isso também se vai aplicar às outras empresas. Não é suposto que as empresas que também estão no concelho de Mação ou os trabalhadores independentes, não teriam direito ao mesmo tipo de apoios? Que critérios é que aqui estão subjacentes? O pior que podia suceder é que o critério que aqui estivesse subjacente seja o falecimento de alguém, obviamente que ninguém deseja. Eu acho que, por uma questão de transparência, deve haver aqui algum tipo de equidade que de todo não está a acontecer”, aludiu, em jeito de reflexão, num dos momentos desta entrevista.

O mesmo se passa para o Plano de Revitalização para o Pinhal Interior, e devido a este acumular de dúvidas e inquietações, o autarca sente necessidade de esclarecer e manter-se a par de todas as medidas e decisões e, acima de tudo, saber a que concelhos se aplicam.

“Há aqui um conjunto de perguntas que tenho tentado fazer, e que me têm inquietado, e que estou a levantar até mais agora após as eleições, para não dizerem que estava aqui com aproveitamento político ou que queria ganhar mais meia dúzia de votos com estas questões, que me parece importante que sejam respondidas”, afirma, acrescentando justificação para todo este seu esforço em esclarecer-se para que consiga esclarecer os seus munícipes.

“Acho que há aqui questões que convém que sejam esclarecidas e encontrarem-se critérios claros e objetivos. Porque, dentro daquilo que eu puder, não irei permitir e não me irei calar se não sentir que o concelho de Mação tem o tratamento que, infelizmente, terá direito a ter devido à devastação que houve aqui de área ardida, de potencial agrícola que foi destruído, das casas que foram destruídas, e os munícipes do concelho e as pessoas que aqui perderam tudo ou quase tudo, com o devido respeito, têm o mesmo direito que todos os outros”, declarou.

Essa é a minha primeira obrigação, e portanto eu acho que quando as coisas atingiram uma determinada dimensão a outros níveis, penso que nos esquecemos que de facto há um outro Portugal que ardeu. Porque arderam aqui cerca de 500 mil hectares, 27 mil foram no concelho de Mação, provavelmente fomos o concelho do país que mais ardeu ou muito próximo disso, obviamente que não queremos este título para nada. Mas temos de ser ressarcidos da mesma forma e com os mesmos benefícios que os outros podem vir a ser. Não encontro razões para ser de maneira diferente só porque não ardeu no dia 15 de outubro, ardeu no dia 15 de agosto. Isso não é critério para que os municípios sejam ou não sejam, digamos, abrangidos por este ou por aquele apoio.

Foto: mediotejo.net

Processo de reconstrução de primeiras habitações “está em perfeito andamento”

De 15 habitações de primeira habitação identificadas, oito têm o seu problema perfeitamente resolvido: ou porque têm seguro, ou porque a Cáritas Diocesana assumiu esse compromisso, explicou Vasco Estrela.

“Neste momento, seis habitações não têm ainda a sua situação totalmente resolvida em termos de quando/como/por quem será feito o financiamento da sua reconstrução, algo que foi também falado no passado sábado em reunião com os Secretários de Estado”, que imediatamente confidenciou aquilo que lhe fora transmitido na reunião.

“Aquilo que foi transmitido, e a certeza que foi dada, foi que será feita assunção dessa responsabilidade por parte do Governo, via CCDR, dependendo do montante em causa, até 5 mil euros, até 25 mil euros e mais de 25 mil euros do valor de reconstrução ou de reabilitação. E portanto, aquilo que me foi transmitido a mim e a todos os colegas é que não haverá sob esse ponto de vista nenhuma dúvida”, contextualizou.

Referindo-se à entrevista do Primeiro-Ministro António Costa, o autarca mostrou-se agradado com o facto de ter sido dito que segundas habitações seriam igualmente apoiadas na sua recuperação. “Primeiras habitações terão todo o apoio para a sua reconstrução, ouvi este domingo com agrado o senhor Primeiro-Ministro na Pampilhosa da Serra dizer que as segundas habitações também iriam ter apoio. É uma extraordinária notícia que obviamente reclamamos também para Mação, porque também há situações deste género”.

A primeira habitação a arder foi durante a primeira noite em Vales, Cardigos, no concelho de Mação. Foto: A.Silva

A atitude permanecerá “vigilante e positiva”, e há o compromisso  de a autarquia fazer a sua obrigação e até mais do que a própria obrigação.

“Provavelmente vamos tentar arranjar forma de apoiar algumas pessoas, porque nós nunca nos demitiremos das nossas responsabilidades, como nunca nos demitimos no passado, e nunca nos iremos demitir no futuro, nas mais variadíssimas causas e independentemente até, às vezes, das áreas que estamos a falar”, confidenciou, tendo dito que essa tem sido a sua reflexão nos últimos dias.

Quanto ao futuro, e ao que deverá ser feito daqui em diante, Vasco Estrela entende que primeiro que tudo, é necessário “refletir sobre o que correu mal, e mais do que isso, tentar fazer com os receios não se venham a concretizar, e desse ponto de vista a CM Mação dará os seus contributos para a reconstrução do concelho e para a reconstrução do Interior. Sobre essa matéria temos muito dito, muito escrito, e estamos disponíveis para o fazer, já fizemos chegar esses contributos e sugerimos uma vez mais para que Mação possa ser incluído no Plano de Revitalização do Pinhal Interior, reforma que nós entendemos adequada, ao presidente da UMVI”.

O lema é fazer renascer o verde horizonte de Mação, e de outro modo, para o autarca, não poderia ser, uma vez que se trata daquela que é a identidade do próprio concelho.

“Não podemos tornar o verde horizonte em praia, ou lago, ou em arranha-céus. Este é o território que temos, um território florestal, não conseguiremos fugir dele, nem queremos. As pessoas deste concelho cresceram assim, a história do nosso concelho foi feita assim, e não vamos agora ser outra coisa qualquer. Daí ter dito, que aquilo que o Engenheiro Louro dizia em 2005 é válido agora. E portanto, temos todos de trabalhar e perceber, com tudo aquilo que voltou a acontecer neste concelho e com tudo aquilo que aconteceu no país, como é que vamos conseguir criar aqui um futuro e uma floresta sustentável, que possa ser fator de desenvolvimento do concelho, de fixação de pessoas e de criação de riqueza”, terminou.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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