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Mação | Vasco Estrela demite-se da Assembleia Geral da empresa Tejo Ambiente (C/ÁUDIO)

O presidente da Câmara Municipal de Mação, um dos seis municípios que fundaram a empresa Tejo Ambiente, anunciou esta quarta-feira, dia 25 de novembro, que irá demitir-se do cargo de presidente da Assembleia Geral daquela empresa intermunicipal. As razões prendem-se com “desacordo” no que toca a gestão e prossecução de investimentos em Mação, aludindo o autarca que se têm verificado objetivamente investimentos noutros concelhos, nomeadamente Ourém e Tomar, que detêm a administração.

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“Não me sinto bem que seja o Município de Mação e o seu presidente a presidir a Assembleia Geral, onde está reunido o capital social daquela empresa, quando eu estou em desacordo neste caso concreto, pela forma como as coisas estão a ser geridas relativamente ao concelho de Mação”, admitiu o presidente da Câmara.

Vasco Estrela referiu ter transmitido ao final da manhã desta quarta-feira à administração e autarcas da empresa Tejo Ambiente que vai demitir-se da presidência da Assembleia Geral.

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Áudio: Vasco Estrela em declarações após o anúncio da demissão, aquando a reunião de Câmara desta quarta-feira. “Tenho uma carta que deverá sair entre hoje e amanhã, a formalizar essa decisão”, disse o edil.

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Questionado sobre as razões que sustentam a decisão, Vasco Estrela disse que tem a ver “com a forma como as coisas estão a correr no que diz respeito decisões que foram tomadas relativamente a investimentos no concelho de Mação, o protelar desses investimentos e as decisões que estão a tentar que sejam tomadas e que vão contra o que eram os pressupostos que presidiram à nossa adesão”, explica.

O autarca refere que apesar de não se saber qual a decisão final quanto aos investimentos e intervenções previstos para Mação, “não era aquilo que contávamos”.

“Só já esta intenção não me deixa satisfeito, já o transmiti por diversas vezes aos meus colegas”, frisou.

Vasco Estrela mencionou não esquecer estar integrado numa empresa feita por seis municípios, estando lá na qualidade de presidente da Câmara Municipal para “também defender os interesses” do município a que preside.

Seis autarquias do Médio Tejo formalizam empresa intermunicipal ‘Tejo Ambiente’. Foto: mediotejo.net

“Sou solidário com os outros, acho que os outros também devem ser solidários com o concelho de Mação e com o seu presidente. E acho que não o estão a ser”, relevou.

Sobre as respostas por parte do Conselho de administração da Tejo Ambiente quanto aos investimentos em Mação, o autarca diz serem escassas e notar, objetivamente, que os investimentos estão a acontecer noutros concelhos, nomeadamente nos que detêm a administração da empresa: Ourém e Tomar.

“[As respostas] são quase nenhumas, dizem que as coisas estão a ser vistas e que estão a ser tratadas. Mas os dados concretos e objetivos, é que andamos pelos jornais, pelas redes sociais, e vemos investimentos noutros concelhos e no concelho de Mação não. Mais do que isso, nem sequer há decisões, passados todos estes meses, relativamente àquilo que eram investimentos estruturantes e importantes para o concelho de Mação”.

Vasco Estrela disse ainda ser ponto assente que “ao contrário daquilo que possa vir a ser ensaiado em termos de discurso, que se diga que o concelho de Mação pudesse ter muita necessidade dos investimentos da Tejo Ambiente… das duas uma: ou isso não era verdade, ou então os gestores que lá estão não sabem o que estão a fazer. Se a necessidade do concelho de Mação era tanta, porque é que estão a fazê-lo noutros locais? Alguma coisa não bate certo. Ou será que provavelmente os outros ainda estavam mais necessitados do que nós?”

Por outro lado, quis deixar claro que “se nós estávamos mais necessitados que os outros, então trata-se de um péssimo ato de gestão fazer primeiro aqueles que tinham menos necessidades”.

Vasco Estrela disse que, apesar desta sua posição e da demissão, não está a “pôr em causa questões pessoais” ou o “relacionamento com os colegas” que integram a empresa e a sua administração.

“Eles defendem os interesses dos municípios deles, eu defendo os meus. Acho que todos em conjunto devíamos defender os da Tejo Ambiente. Se é isso que está a acontecer ou não… cada um que faça a sua auto-análise e os juízos relativamente a isso”, afirmou.

Seis autarquias do Médio Tejo (Ourém, Tomar, Sardoal, Mação, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha) formalizaram empresa intermunicipal ‘Tejo Ambiente’. Foto: CIMT

O autarca diz que “não há discussão possível” quando toca a “dados concretos e objetivos”. “Vejam os investimentos que foram feitos até agora nos concelhos dos membros do Conselho de Administração da Tejo Ambiente e vejam nos outros. E retirem as suas conclusões”, concluiu.

Recorde-se que a Tejo Ambiente é responsável desde 1 de junho pela gestão dos sistemas públicos de abastecimento de água, de saneamento de águas residuais e recolha de resíduos sólidos urbanos indiferenciados nos seis concelhos aderentes, onde a Mação se juntam Sardoal, Vila Nova da Barquinha, Ferreira do Zêzere, Tomar e Ourém (estes dois últimos detentores da sede e administração da empresa).

A Tejo Ambiente tem por objetivo “privilegiar relações de confiança e inovação com os respetivos utilizadores, bem como serviços de forma mais eficiente e ambientalmente sustentada”.

Refira-se que o Conselho de Administração da empresa intermunicipal é presidido por Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, Luís Albuquerque, presidente da CM Ourém, e Jacinto Flores, presidente da CM Ferreira do Zêzere.

Vasco Estrela, pela CM Mação, preside à Assembleia Geral juntamente com Fernando Freire, presidente da CM Vila Nova da Barquinha e Miguel Borges, presidente da CM Sardoal.

A empresa tem um capital social de 600 mil euros e os municípios de Tomar e de Ourém detêm as maiores participações (com 35,63% e 32,37%, respetivamente), seguido de Mação (10,85%), Ferreira do Zêzere (7,94%), Vila Nova da Barquinha (7,63%) e Sardoal (5,58%).

Prevê-se que os municípios de Ourém e Tomar vão receber investimentos nas próximas décadas na ordem dos 33,8 e 33,4 ME, respetivamente, seguindo-se depois Mação (17,7 ME), Ferreira do Zêzere (13,5), Vila Nova da Barquinha (8,7 ME) e Sardoal (5,5 ME).

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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