Mação | “Tenho nas mãos o maior desafio de todos: conseguir segurança e sucesso educativo” – diretor AEVH

Foto: mediotejo.net

Entramos ao portão e verificamos que o estacionamento está repleto de automóveis, indiciando presença humana, física, como há algum tempo por ali não se verificava. No interior, sinais e sinalética de tempos diferentes que obrigam a rituais ordeiros para poder entrar na Escola Básica de 2,3 / Secundária de Mação. O ano escolar que agora começa é novidade para todos, sem exceção. Incluindo o próprio diretor do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, José António Almeida, que há cerca de 10 anos no cargo, diz ter nas mãos “o maior desafio de todos”. Em entrevista ao mediotejo.net, diz que a palavra-chave para lidar com esta prova-de-fogo é “compromisso”.

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Seguimos a seta de sentido obrigatório e aguardamos, distanciados. Assistentes operacionais, docentes e técnicos circulam num virote para ultimar pormenores e receber de volta os alunos, na primeira semana de aulas presenciais. De máscara envergada, com distância de segurança, surgem os cumprimentos do “novo normal”.

Estranha-se o ambiente vazio de uma escola que costuma ser cheia de afetos, empatia e com gente pelos corredores. Agora, confinados ao máximo aos seus locais de trabalho, os funcionários, docentes e demais agentes vão diretos aos pontos estritamente necessários, evitando fazer tempo nos espaços de uso comum. Os telefones tocam sem parar. Há e-mails para responder. Não há mãos a medir.

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Conseguimos, nestes dias atarefados, alguns minutos da atenção de José António Almeida, entre as inúmeras reuniões que lhe enchem o dia.

“Se há situação que nos põe à prova, esta é uma delas”, começa por dizer, num suspiro de quem, eventualmente, precisaria que o dia tivesse mais de 24 horas.

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Com 10 anos de experiência enquanto diretor do Agrupamento de Escolas, reconduzido em 2017, após eleições do Conselho Geral, por mais 4 anos, mostra não desarmar perante o ritmo alucinante que se tem vivido naquele estabelecimento escolar.

“Tenho nas mãos o maior desafio de todos: conseguir, em simultâneo, garantir condições de segurança e condições de sucesso educativo”, afiança o diretor.

A preparação iniciou com antecedência, contando com colaboração das entidades de saúde bem como das estruturas do Ministério da Educação. Tudo no sentido de criar a melhor resposta possível ao contexto que hoje se vive.

“Temos um modelo que nos dá garantias que tudo fizemos para que as coisas corram bem. Não nos dá garantias absolutas, nem posso afirmar que é impossível que o AEVH tenha problemas. Não é verdade, nós podemos vir a ter problemas como qualquer outra estrutura”, afirma.

Este novo ano conta com um universo de cerca de 600 a 700 alunos, número que ainda está por apurar por ainda se encontrar a decorrer “uma fase de dinâmica de mobilidade”, fruto da “flutuação das próprias famílias”.

“O universo que era mais ou menos estável dos nossos alunos, e de certa forma a tipicidade de alunos que tínhamos, alterou-se um bocadinho. Recebemos alunos que vêm do estrangeiro porque têm cá os avós, ou os tios e os primos, estamos a receber alunos das grandes cidades, e com características muito próprias e é preciso ter atenção a tudo isso”, contextualiza José António Almeida.

José António Almeida, diretor do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação, entende que este contexto pandémico vem pôr à prova a comunidade educativa e as respostas céleres e necessárias para o dia-a-dia, alcançando o objetivo primordial: segurança e sucesso educativo dos alunos. Foto: mediotejo.net

Tendo em conta as características da escola-sede do Agrupamento, a preparação faz-se “no sentido de dificultar a propagação de alguma infeção que porventura venha a acontecer”, e faz-se o melhor que se pode e consegue.

“Temos um circuito montado para que haja o mínimo de interações possíveis entre alunos e adultos, o que significa que todos os alunos vão ter um lugar com a sua identificação, a sua cadeira, e têm a responsabilidade de gerir o seu património da escola (o que trazem de casa e o que utilizam na escola)”, diz-nos, referindo que as salas deverão ser sempre as mesmas a ser atribuídas a cada turma.

Os lugares serão sempre os mesmos na medida do possível, existindo alguns espaços para aulas específicas que serão de uso de mais do que uma turma, como é o caso das disciplinas de Ciências, Educação Física, Educação Visual e Educação Tecnológica.

Ainda assim, pretende-se que mesmo nessas aulas os alunos se sentem sempre no mesmo local, até nos balneários, “para que haja o mínimo de contacto possível com superfícies comuns. Se utilizarem sempre o mesmo essa dificuldade está de certa forma garantida, pois é mais difícil haver algum problema se não utilizarmos espaços comuns em demasia”.

Outras regras tidas em conta, baseiam-se no facto de sempre que seja utilizado algo que já foi utilizado por outrem, devem ter-se cuidados de desinfeção das mãos. A “regra de ouro” é “não tocar em nada sem ter as mãos protegidas, e aqui se inclui a fechadura, a régua, a mesa, o corrimão, o puxador,…”, enumera.

É por isso que todos os espaços escolares contabilizam dezenas e dezenas de doseadores de álcool gel para desinfetar as mãos e todas as salas têm doseador instalado. “Não haverá nenhum aluno que entre numa sala sem ter as mãos desinfetadas”, menciona.

A cada aluno estão a ser entregues três máscaras reutilizáveis, com possibilidade de 25 lavagens, que os vão acompanhar até ao final do período. Atitude que pretende assumir-se como norma, mas também sensibilizar e incentivar a esta nova forma de estar na escola.

“Escrevi uma carta a todos os alunos e a todos os encarregados de educação, em que lhes tentei explicar, em detalhe, aquilo que esperamos de cada um, com objetivo de que esta seja uma «luta comum». Queremos que corra bem. Vai tudo ficar bem… mas para que tudo fique bem, temos de nos envolver todos. É esse envolvimento que estamos a pedir a toda a gente: que haja envolvimento coletivo nesta alteração de procedimentos, que nos vai acompanhar em grande parte deste ano letivo. Não tenho dúvidas que grande parte deste ano letivo vai ser feito com estes condicionalismos todos”, assevera, afirmando que o agrupamento está “com consciência de dever cumprido”.

Os dispensadores de álcool gel são uma constante à passagem, em cada canto ou entrada do estabelecimento escolar. Privilegia-se o uso da máscara, desinfeção das mãos e o distanciamento nos espaços comuns, evitando aglomerados. Foto: mediotejo.net

Nas entradas dos blocos foi feita sinalética, para apontar o circuito que é feito numa só direção, e a direção do AEVH preocupou-se em antecipar problemas, tentando dificultar as concentrações. Existem por isso vários serviços de distribuição de comida, uma organização diferente do refeitório com espaçamento, com alterações na marcação de refeições e outros.

Se vai ser suficiente? “Só a experiência nos vai dizer o que temos ou não de agilizar ou afinar”, reconhece o responsável.

A sobrecarga em termos daquilo que é fiscalização e vigia para garantir o cumprimento das novas regras e da nova normalidade no seio escolar vai recair, obrigatoriamente, nos ombros dos professores e dos assistentes técnicos e operacionais, cuja autoridade se vê agora com necessidade de reforço.

Em Mação, trata-se de “um compromisso” assumido por todos os agentes, de forma efetiva. Os professores têm a responsabilidade de desinfetar, em cada aula, a sua secretária, o seu computador e todos os materiais por si utilizados durante a aula. Os assistentes operacionais também já sabem que todas as salas que forem utilizadas por mais que uma turma devem ser desinfetadas com pormenor.

“Estamos a garantir que nenhum aluno vai utilizar nada que não tivesse sido desinfetado depois de ser utilizado por outro colega ou adulto. Vai obrigar a um trabalho diferente, acrescido, mas que nos garante mais segurança. Mas há esse compromisso por parte dos professores e dos assistentes operacionais e técnicos, no sentido de que é preciso dar mais e envolvermo-nos mais para que tudo corra bem”, refere.

Uma das preocupações é desfasar os intervalos entre o ensino básico e o ensino secundário, evitando aglomerados.

“Temos duas escolas a funcionar no mesmo estabelecimento, e por isso termos dois grupos de horários, para garantir que nos espaços comuns tenhamos só metade das pessoas. Como os intervalos são de 20 minutos, temos uma diferença de 20 minutos na entrada. Uns entram às 8h50, os outros às 9h10, o que quer dizer que, quando as aulas de uns acabarem, vão para o intervalo e só de pois de regressarem à sala é que os outros saem. Vamos ter apenas metade da concentração de miúdos nos recreios”, explica.

A preocupação na circulação e durante o recreio vai ser a manutenção de distanciamento, o uso correto e sistemático da máscara, tal como no tempo em sala de aula, e ainda o tempo para ventilar naturalmente todos os espaços.

Foto: mediotejo.net

Acontece que, a José António Almeida preocupa particularmente a chegada do inverno. “Não conseguimos ventilar da mesma forma os espaços, não conseguimos manter os afastamentos como temos agora, porque não podemos andar à chuva e ao frio. Na verdade, nenhuma escola está preparada para que, em dias de intempérie, se façam os afastamentos necessários. É um receio muito grande. Eu sei que não vai ser fácil pedir aos alunos que se mantenham afastados, quando as condições climatéricas forem adversas. Não temos espaços capazes de os proteger do vento e chuva, e têm que vir para o interior da escola”, reconhece, visivelmente preocupado.

O plano de contingência contempla as condições climatéricas adversas, e aqui os alunos não têm as mesmas condicionantes. Nesta exceção, os alunos podem ocupar espaço que em condições normais não ocupam, como os corredores, à porta da sala e eventualmente até ficar na sala de aula durante o intervalo. Algo que o diretor do Agrupamento vê com naturalidade, pois têm algumas permissões em dias de intempérie, que noutros dias não terão para evitar a concentração e as interações excessivas.

A âncora da afetividade: quando uma pandemia vem beliscar a identidade da escola

A escola de Mação, num ambiente mais pequeno, onde todos se conhecem e com maior proximidade nos relacionamentos, vê-se agora obrigada a contrariar uma identidade construída ao longo dos anos, que contribuiu para a formação de centenas de crianças e jovens de sucesso, a quem foram sendo elevadas qualidades e competências, independentemente do lugar, condição ou credo.

A proximidade e os afetos são elementos identitários da escola maçaense, que agora, por via das normas de prevenção do contágio pelo novo coronavírus, se vê descaracterizada.

“A nossa escola tinha uma âncora que assentava muito na afetividade, no contacto pessoal, e quer queiramos, quer não, as escolas nesta ambiência pandémica têm uma limitação que assenta na desconfiança. Todos nós desconfiamos uns dos outros. E como tal, não temos aproximações que eram habituais, e não temos as cumplicidades que tínhamos. Isso, numa escola como a nossa, marca muito”, lamenta José António Almeida.

Exemplo das marcas que a pandemia já foi deixando, mesmo no passado ano letivo, prende-se com as iniciativas canceladas e que eram ponto assente no calendário de atividades da comunidade escolar.

Os espaços de transição e o recreio vão agora deixar de ser preenchidos pelos habituais grupos de turmas, para dar lugar ao convívio possível, em afastamento, e onde é obrigatório o uso da máscara. Foto: mediotejo.net

“Um conjunto de iniciativas que levávamos a efeito, que envolviam todo o agrupamento, agora contrariam as recomendações. Nós promovíamos a interação e agora condicionamos essa interação. Há um paradoxo. Mas vivemos uma situação em que a segurança e controlo sanitário tem que estar acima de tudo”, concede.

José António Almeida espera que esta não seja uma situação que se prolongue muito no tempo, caso contrário, a identidade da escola vai desvanecendo, perdendo a “pedra-de-toque”, que assentava na capacidade de inovação, em projetos de grande envolvimento.

Há anos que, em setembro, faz a apresentação pública do projeto educativo e convida toda a comunidade, e este ano não pode fazê-lo. Todos os anos se faz uma reunião geral de professores, e este ano teve de dividir o grupo em duas partes. Sinais dos tempos, e tudo isto vai deixando marca.

A nível do projeto educativo do AEVH de Mação existe um conjunto de prémios simbólicos atribuídos pelo mérito e sucesso do percurso escolar de cada ciclo de estudos, bem como pelo comportamento e cidadania demonstrados, que normalmente eram atribuídos e entregues em galas organizadas em espaços públicos e abertas à comunidade. Forma de reconhecimento do trabalho dos jovens e incentivo para continuarem a apostar no seu sucesso escolar e ambição profissional.

“Normalmente organizamos duas galas, uma na altura do Natal e outra no final do ano, e não conseguimos fazer no ano letivo anterior. Provavelmente não vamos conseguir realizar a próxima… o que condiciona muito a visibilidade dos prémios, sem a simbologia de ser entregue numa cerimónia pública. Penso que só está adiado, porque são projetos-âncora que não queria deixar perder”, assume, frisando que é custoso o adiamento.

A ideia é existir outro tipo de compensações, com “outro tipo de iniciativas e desafios, que ainda não temos plano de como irá ser dinamizado. Vamos ser capazes de fazer coisas diferentes, mas boas também”, demonstra, esperançoso.

Antes do confinamento e ditado o encerramento da atividade letiva presencial, em março, o Agrupamento de Escolas teve de preparar-se num fim-de-semana para na segunda-feira seguinte estar operacional e pronto a interagir e trabalhar virtualmente com acesso a plataformas digitais, nomeadamente da Google.

O certo é que tal foi permitido pela maioria de docentes com formação e experiência na utilização destas plataformas, que aliás já tinham também familiarizado os alunos em contexto de sala de aula.

A sinalética é uma constante, indicando os circuitos permitidos para os espaços comuns e serviços, cuja frequência será mediada pelos assistentes operacionais, contando com o respeito das novas normas pelos alunos. Foto: mediotejo.net

O término do 2º período e o último período letivo serviram de preparação e lição para agora a escola estar a munir-se de maior capacidade para conseguir responder ainda mais rapidamente e com maior eficácia.

“Queremos que os professores e a comunidade educativa estejam o mais e melhor preparados para conseguir lidar com a atividade letiva em formato virtual/online, e é por isso que, no final de setembro, todos os professores do Agrupamento de Escolas vão ser sujeitos a formação nas aplicações da Google. Porque o modelo de Ensino à distância assenta nessas aplicações, e vamos desenvolver uma ação de formação envolvendo todos, para otimizar o manuseamento desses instrumentos”, explica.

Recordando a rapidez com que se conseguiu garantir no ano anterior, formação a todos os professores e simultaneamente equipamentos informáticos a todos os alunos, com envolvimento da CIMT e da Câmara Municipal de Mação, o diretor reconhece que agora a tarefa estaria facilitada.

O certo é que a escola, não descartando cenários mais complicados no futuro, crê estar preparada para “deitar mãos à experiência e equipamentos, que ainda estão na sua posse, para organizar um ano letivo com ensino à distância, em regime misto ou totalmente à distância”. O diretor garante que o Agrupamento está “completamente preparado” para que isso aconteça, sabendo que não há sistema que ultrapasse e ganhe ao regime presencial.

“Não há nada que substitua a presença, o cheiro, o toque, agora limitado, mas mesmo assim é o melhor”, crê.

A interação e a simulação e abertura ao exterior são muito caros aos cursos profissionais, mais práticos e técnicos, e que ainda assim, diz José António Almeida, não vão perder muito da sua essência.

“Na formação técnica não ficar muito marcados, mas na interação com o exterior e nas simulações que fazemos mais próximas da realidade, é que vai notar-se. Por exemplo, o Restaurante Pedagógico vai ter limitações. Estamos a estudar um modo de funcionamento com menos utilizadores, mas não podemos privar os miúdos desse exercício que é uma imagem de marca que nós temos”, conta, referindo-se às atividades com almoços ou jantares temáticos abertos ao público ou convidados específicos, provas e degustações que sempre servem como elemento de avaliação de cada formando.

Também os cursos nas áreas da Mecatrónica automóvel, do Turismo e de Estética irão prosseguir, mas com atividades e plano de estudos adaptados ao possível, mediante as restrições que se aplicam em termos de distanciamento social e menor interação e contacto.

Foto: mediotejo.net

“Temos que ir, com o tempo, encontrando alternativas seguras que não prejudiquem os alunos. É essa a nossa preocupação, encontrar alternativas que minorem os prejuízos”, admite.

E se por um lado, em termos teórico-práticos do ensino e aprendizagem as coisas estão encaminhadas, por outro, surge uma preocupação maior: a atenção está muito virada para o bem-estar psicológico e para a saúde mental dos alunos. O gabinete de Psicologia está alerta para possíveis “sinais de algum desconforto ou desequilíbrio emocional de cada um dos alunos” que o agrupamento tiver à sua frente.

“Vamos estar particularmente atentos, porque temos certeza absoluta que vamos ter maior número de alunos a aparecer com fragilidades e que é preciso acompanhar. Temos alguns alunos já sinalizados, mas vamos ter indicador mais fiável a partir da primeira semana. O acompanhamento vai ser muito próximo e vamos estar à altura da resposta necessária”, compromete-se

O termo “compromisso” é para o docente a chave para levar por diante, e com sucesso, a procura de soluções e respostas aos desafios que o contexto pandémico for trazendo à comunidade educativa. “Temos profissionais comprometidos, envolvidos, e quando isso acontece, os problemas perdem alguma dimensão e as soluções vão surgindo”, sublinha, reconhecendo a qualidade dos que o acompanham na missão do ensino e cuidado na formação dos cidadãos, homens e mulheres, do futuro.

Uma outra vantagem apontada prende-se com a manutenção do corpo docente, contrariando a antiga mobilidade e acentuada que acontecia no Agrupamento de Escolas. Hoje, “uma larga percentagem dos professores vai-se mantendo de ano para ano, o que permite que possamos ter conhecimento, proximidade e matéria suficientes para elaborar determinadas respostas e procedimentos, algo muito positivo”, destaca.

Este é o ano dos desafios, os maiores que o Agrupamento escolar de Mação alguma vez se lembra de enfrentar, e seguramente representará o mesmo para a maioria das escolas do país.

Em Mação, apesar da incerteza, das constantes alterações e oscilação de medidas por parte da tutela e das entidades públicas e de saúde, há sobretudo confiança de que as coisas, um dia de cada vez, vão melhorar.

Foto: mediotejo.net

José António Almeida diz não se queixar e perceber “os condicionalismos da tutela” e a “dinâmica” que este tipo de situação de saúde pública acarreta.

“Costumo pôr-me muito no lugar do outro e sou capaz de pôr-me no lugar de quem decide num patamar superior. Se todos os dias estão a chegar algumas inovações, um conhecimento maior do que é o comportamento do vírus nesta fase de pandemia, é lógico que não podemos aparecer com respostas estáticas. Daqui por alguns meses teremos outro tipo de situação que vai obrigar a respostas novas. É isso que nos é pedido: que tenhamos a humildade de aceitar que não é possível termos as respostas preparadas com o tempo que gostaríamos”, justifica.

Por outro lado, é seu entendimento que o papel do diretor de um Agrupamento de Escolas é ajudar a ver o copo meio-cheio.

“A nossa obrigação de diretores, enquanto gestores intermédios, é de não transmitir demasiada instabilidade a quem tem de nos seguir. A minha obrigação enquanto diretor do Agrupamento de Escolas é envolver, catalisar, apontar este ou aquela caminho, e não é transmitir desânimo, desilusão. Pelo contrário, é transmitir ânimo, acreditar, mesmo que, por vezes eu, intimamente, não acredite tanto. Mas a minha obrigação é mostrar que esse é o caminho e temos que envolver toda a gente para lá chegar”, conclui, com um sorriso e serenidade no rosto.

Setembro marca o arranque do novo ano, que vai ser longo e mais extenso que o habitual, com mais tempo de aulas para compensar o interregno causado pelo confinamento. Começa com sentimento de confiança por parte dos pais, pelo que é transmitido, e de alegria por parte das crianças e jovens que voltam a rever-se em carne e osso, num ambiente que prima pelo cuidado e cumprimento de novas regras.

Mas com a certeza de que a escola “não é uma ilha, com fronteiras estanques” e que por isso estando inserida no seio da sociedade, “está sujeita ao surgimento de problemas como qualquer outra estrutura”. Para tal é preciso consciência, autoproteção e vigilância, por todos e cada um, seja em casa, na rua ou na escola.

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