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Mação | Surto na Santa Casa da Misericórdia com mais um óbito e mais infeções no novo lar (c/ÁUDIO)

O surto de covid-19 detetado em dezembro no lar sede da Santa Casa da Misericórdia de Mação representa ainda “elevado grau de preocupação”, disse ao mediotejo.net o presidente da Câmara Municipal, Vasco Estrela. Deste surto há já três óbitos a lamentar. Esta sexta-feira foi realizada nova bateria de testes, cujos resultados deverão sair durante o fim-de-semana. Para já estima-se a permanência de cerca de meia centena de infetados, mas teme-se que o número suba tendo em conta que o foco de infeção alastrou do lar sede ao segundo edifício da Santa Casa da Misericórdia, o ‘lar novo’ inaugurado em 2012 no antigo hospital de Mação, situação que só se comprovará após anúncio dos resultados da nova testagem à covid-19.

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Este surto já vitimou três utentes. O último falecimento sucedeu esta quinta-feira, dia 7 de janeiro, uma idosa na casa dos 90 anos que estava internada no Hospital de Abrantes, confirmou ao mediotejo.net o Provedor da SCM Mação, Francisco José Corga. Da instituição permanece hospitalizado apenas um utente, mas que apresenta “francas melhoras”.

Francisco Corga disse que se encontram infetados, ao dia de hoje, 6 utentes e 7 funcionárias no segundo edifício da Misericórdia. A SCM Mação chegou a ter 60 utentes e 34 funcionárias com teste positivo à covid-19, ou seja, mais de 90 infetados.

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“Neste momento, no lar sede, os utentes já têm todos alta, mas ainda continuam algumas funcionárias com baixa e estão infetadas. Na manhã desta sexta-feira, dia 8, houve realização de testes novamente, cujos resultados só sairão durante o fim-de-semana”, disse o responsável.

A Santa Casa da Misericórdia de Mação conta com um total de cerca de 160 utentes e 110 funcionários distribuídos por várias valências, como a Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) e as respostas sociais de creche, centro de dia, apoio domiciliário e atividades de tempos livres.

Santa Casa da Misericórdia de Mação. Créditos: Joaquim Diogo

O surto, que começou por afetar o edifício sede da Santa Casa, onde está um dos dois edifícios da instituição e onde funciona uma Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI) e vivendas anexas, a par da parte administrativa, cozinha, centro de dia e equipamentos diversos, estendeu-se a um segundo edifício, que também funciona como lar de idosos.

Os primeiros casos positivos foram detetados em 14 funcionários do lar no dia 22 de dezembro e, com a consequente realização de testes a todos os utentes e funcionários da Santa Casa da Misericórdia, os resultados conhecidos na noite de 24 de dezembro revelaram um total de 60 pessoas infetadas pelo novo coronavírus, a que acresceu no dia 28 de dezembro mais uma pessoa doente.

No dia 30 de dezembro, o número de pessoas infetadas num lar da Santa Casa da Misericórdia em Mação subiu de 65 para 85, entre utentes e funcionários, situação que o presidente da câmara, Vasco Estrela, considerou “crítica” e que evoluiu para um total de 93 pessoas doentes.

No dia de hoje, e após entrada do concelho de Mação na lista de municípios de risco extremo de contágio, Vasco Estrela entende que “este surto ainda tem um elevado grau de preocupação, uma vez que apesar de já haver algumas recuperações consideráveis de idosos e trabalhadoras, ainda persistem situações que carecem de muita atenção”, aludindo ao surto no novo lar/segundo edifício da Santa Casa da Misericórdia, onde se verifica “nível de infeções com algum significado e hoje com conhecimento de mais trabalhadoras infetadas”, referiu, sem conseguir concretizar.

“A situação, apesar de haver esperança de que as coisas melhorem, porque houve já algumas recuperações, ainda carece de muita atenção e cuidado e demorará até estar totalmente debelada”, reconheceu o edil, apontando para um total de 40 a 50 pessoas infetadas ao dia de hoje no surto da Santa Casa da Misericórdia.

Quanto ao centro de dia em Aboboreira, Vasco Estrela disse que a situação está controlada, mantendo-se 12 casos confirmados e não tendo sido sinalizado ou transmitido ao autarca caso de novas infeções até ao momento.

Centro de dia de Aboboreira tem três funcionários e 9 utentes positivos à covid-19. Foto: DR

A título geral, Vasco Estrela diz não ter para já indícios ou dados que levem a temer o aparecimento de outro surto, mas há receio pela forma como a transmissão está a acontecer na comunidade.

“Temos assistido, no concelho, a pequenos focos, casos mais ou menos isolados, num ou outro estabelecimento comercial, numa ou outra atividade, que são motivo de preocupação”, afirmou.

Quanto à situação epidemiológica vivida no concelho, na região e no país, o autarca releva a necessidade de bom senso e cumprimento das medidas decretadas para conter e prevenir contágio pelo novo coronavírus.

“Parece-me que as pessoas estão conscientes da situação que estamos a viver, não só em Mação, na região e também no país. Nestas coisas não podemos pensar que somos uma ilha, nem para o mal nem para o bem. O que estamos a passar neste momento, já outros passaram, espero que mais ninguém volte a passar e que seja o pico e que a partir de agora as coisas melhorem. Fruto do surto que aqui apareceu, num concelho com esta dimensão e com esta população, atingimos o nível extremamente elevado, e teremos, naturalmente, de cumprir as determinações que vierem a ser decretadas, para além das que já estão em vigor desde a meia-noite desta sexta-feira”, disse.

Por outro lado, assume que de acordo com os últimos dados divulgados e com as palavras quer do Presidente da República, quer do Primeiro-Ministro, “adivinham-se tempos muito complicados em termos de restrições, independentemente do que forem os números de cada um dos concelhos”, e nisto relembra que em toda a região do Médio Tejo os únicos concelhos que estão em risco moderado são Vila de Rei e Sardoal, todos os outros estão com grandes níveis de restrições.

“Isto demonstra bem a gravidade da situação que estamos a viver em todo o país, onde só 25 concelhos é que não estão com grandes restrições”, sublinha.

“Acho que estes dados são suficientes para que todos nós tenhamos os nossos cuidados e percebamos os perigos que existem para nós e para os outros. O que posso recomendar é que sigamos as recomendações das autoridades de saúde”, alerta.

Vasco Estrela já havia emitido na quinta-feira, dia 7, uma mensagem aos munícipes onde reforça a necessidade de cumprir as recomendações das autoridades de saúde e forças de segurança, e outros, apelando à união, compreensão, resiliência e coragem de todos.

“Este é o tempo em que devemos, ainda mais, confiar naqueles que têm responsabilidades nesta matéria, aceitar as suas recomendações e cumprir as suas determinações. É o tempo em que, também, devemos compreender a pressão a que todos estamos sujeitos e perceber um ou outro excesso que possa ser dito ou escrito. É o tempo em que nos devemos saber colocar no lugar do outro. É o tempo de nos ajudarmos uns aos outros e de reconhecer e agradecer o extraordinário trabalho de Homens e Mulheres que cuidam dos mais vulneráveis, dos que mais precisam de ajuda. É este tempo de união e compreensão”, pode ler-se na conclusão do texto veiculado na página institucional do Município no Facebook.

Em declarações ao mediotejo.net, o edil refere entender ser sua obrigação, em alguns momentos mais prementes desta pandemia, intervir e falar aos maçaenses.

“Tento transmitir às pessoas algumas ideias, que penso que não têm passado com muito sucesso: a primeira é sobre a gravidade da situação, e do tempo que estamos a viver, e que as pessoas devem ter consciência que aquilo que acontece ao vizinho pode acontecer a nós próprios. Todos os cuidados são poucos, mas também temos de ter humildade de perceber que não devemos andar a apontar o dedo aos outros e a fazer julgamentos aqui e a li relativamente à situação em concreto das pessoas. Não estou com isto a apontar nada a ninguém, mas de forma geral há a tendência de se tentar encontrar culpados para todas as situações menos boas que acontecem. Temos de perceber a pandemia que estamos a viver a nível mundial, praticamente todos os países estão a ser atingidos de uma forma extremamente grave”, indica.

Foto: mediotejo.net

Por outro lado, adverte para comportamentos que poderão não ser os mais adequados e que em nada acrescentam na procura de soluções pelo bem da comunidade. “Acho que é tempo de perdermos menos tempo com quezílias, procura de justificações, e todos tentarmos ser positivos no sentido de tentarmos ultrapassar os problemas, sem esquecer e sem deixar de chamar a atenção e reconhecer que todos nós – a começar pelo presidente da Câmara Municipal de Mação – podemos ter nalguns momentos comportamentos que não foram os mais adequados”, refere, reforçando que é tempo de “ter confiança nas autoridades de saúde, policiais, nas autarquias, no sentido que aquilo que é transmitido a cada uma das alturas é a melhor das decisões face àquilo que é conhecido, concordemos ou não. Não é altura de andarmos a discutir, e andar à procura de culpados”, menciona.

Vasco Estrela entende que “não podemos ter atitude de “controladeiros” daquilo que são os comportamentos alheios. Temos de ter consciência que estamos a falar com pessoas, para pessoas, vizinhos, familiares e conhecidos que também têm noção do risco e do problema. Temos de confiar um bocadinho uns nos outros e compreendermo-nos e unirmo-nos na solução deste problema”, termina.

A nível municipal, a autarquia decretou um conjunto de medidas de contingência até final de janeiro, independentemente de outras medidas a nível governamental. “Ativámos o plano de contingência num nível mais elevado, no sentido de reduzir ao máximo aquilo que é a utilização de qualquer espaço ou equipamento público municipal, para evitar deslocações, frequência e possíveis focos de contaminação”.

“É também um sinal público e político daquilo que deve ser o comportamento coletivo. Estamos a fazer a nossa parte, no sentido de dar esta resposta, travar onde acharmos que temos de travar, para ver se as coisas vão ao sítio. Sendo certo que não é só por aqui que se resolve o problema, mas que é um sinal que temos de dar”, afirma.

Lares representam “preocupação acrescida” para o autarca da Câmara Municipal de Mação. Foto: José Coelho/LUSA

Quanto ao futuro, a preocupação continua muito presente, com especial atenção à população mais vulnerável e à situação nos lares. O autarca teme que, à semelhança do surto repentino que afetou a Santa Casa da Misericórdia de Mação, algo similar possa suceder numa das restantes instituições do concelho.

“Não há grandes dúvidas que estamos num momento crítico. E que, com esta disseminação do vírus pela comunidade, pode acontecer uma situação dessas, que seria de todo indesejável e algo de muito difícil gestão. Daí também estes cuidados que temos de ter redobrados com a nossa saúde e com a dos outros”, começa por referir.

Indicando como exemplo “infeliz” o caso do surto na Santa Casa da Misericórdia de Mação, sublinha a “dimensão que o surto atingiu de um dia para o outro” crendo que “é um aviso muito grande daquilo que pode acontecer a outras instituições”.

“Não podemos esquecer a nossa população altamente vulnerável, pessoas idosas, com muitos lares e pessoas que dependem destas instituições. O pior que podia acontecer era existir uma disseminação que entrasse dentro dos lares com intensidade, colocando em risco de vida os utentes e também impossibilitando o tratamento e cuidado dos mesmos por os próprios trabalhadores estarem infetados. Esta é de facto uma grande preocupação que nós aqui temos”, assume, com evidente receio e preocupação acrescida.

O concelho de Mação, com um total de 252 casos covid-19 desde o início da pandemia e 104 pessoas recuperadas, apresenta esta sexta-feira, dia 8 de janeiro, segundo o boletim do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, 7 novos casos e 133 pessoas em vigilância ativa. O concelho integrou desde a meia-noite desta sexta-feira a listagem nacional de municípios em ‘risco extremo’ de contágio.

O Município decretou medidas de contingência a nível municipal a par das restrições governamentais, encerrando serviços e equipamentos públicos municipais por forma a evitar ajuntamentos, deslocações e possíveis focos de contágio.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.
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