Mação: Seminário deixou dicas para uma melhor qualidade de vida na 3ª idade

Maria João Quintela, presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, Ivone Marques, representante do GAPI, e António Louro, vice-presidente da autarquia de Mação, na sessão de abertura do Seminário sobre Envelhecimento (Foto: mediotejo.net)

“Toda a atividade que faz o nosso cérebro mexer, é o que nos dá vida”. Esta foi uma das mensagens deixadas por Maria João Quintela, médica e presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, esta sexta-feira, dia 15 de abril, durante o Seminário sobre Envelhecimento que se realizou em Mação.

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Maria Branco, 74 anos, e Florinda Moleiro, 65 anos, são irmãs, vivem em Mação e consideram-se pessoas ativas. Florinda Moleiro é utente da Universidade Sénior de Mação desde novembro passado, altura em que este projeto arrancou no concelho, e frequenta todas as disciplinas, à parte do inglês. “Vou a todas”, refere, sorrindo e dizendo que se inscreveu “para ocupar o tempo porque estava sozinha e isolada em casa”.

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Maria Branco, 74 anos, e Florinda Moleiro, 65 anos, são irmãs, pessoas ativas e participaram no Seminário sobre o Envelhecimento que decorreu em Mação (Foto: mediotejo.net)

“Estou a aprender coisas que nunca pensava aprender como os temas ligados à Judiciária e também adoro a informática, há certas coisas que já sei fazer e estou ali para aprender”, refere Florinda Moleiro. Já a sua irmã, Maria Branco, ainda não frequenta a Universidade Sénior de Mação, mas garante que se irá inscrever no próximo ano, sobretudo para aprender o inglês porque “a minha filha está em Inglaterra, o companheiro é inglês e eu gostava de aprender”.

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E são estas vontades de aprender, de estudar e de estar ocupado que Maria João Quintela, médica e presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, defendeu durante a sua intervenção no Seminário sobre Envelhecimento para que se tenha uma maior qualidade de vida na 3ª idade.

Saúde, autonomia, independência e longevidade são sinónimos de envelhecimento ativo, salientou a médica.

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Numa intervenção descontraída e que facilmente prendeu a atenção de todos os presentes, Maria João Quintela começou por questionar “Que valor damos nós à vida para a tratar tão mal?”, referindo-se ao facto de que todos sabem que não se deve abusar do sal, do álcool, não se deve consumir drogas, mas “ninguém cumpre”. “Mais depressa sabemos funcionar com o telemóvel do que perceber por que é que no frio os nossos pelos se eriçam, nós não sabemos como funciona a nossa máquina preciosa e tratamo-la mal”, afirmou Maria João Quintela.

“Não colocamos o nosso telemóvel ao sol para ele não avariar, mas nós pomo-nos horas intermináveis ao sol”, constatou a médica afirmando que “achamos que resistimos a tudo e não damos importância à nossa saúde”.

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“Aprender e estudar faz bem à saúde”, defendeu a médica Maria João Quintela (Foto: mediotejo.net)

A responsável pela Associação Portuguesa de Psicogerontologia defendeu que “aprender e estudar faz bem à saúde”, salientando que o provérbio “Burro velho já não aprende línguas” hoje,” cientificamente já foi provado que é mentira, que o nosso cérebro tem capacidade para aprender e até de criar novas células”.

“Toda a atividade que faz o nosso cérebro mexer é o que nos dá vida, cada um tem que continuar a funcionar à medida das suas capacidades”, alertou Maria João Quintela acrescentando que “estar sem fazer nada, não dá saúde a ninguém”.

O interesse pela vida, pelos outros e pelos contactos sociais é algo que a médica considera como essencial para que se tenha um envelhecimento ativo e destaca que, na sociedade de hoje, “a vida mudou e os mais novos hoje não poderiam ter as suas vidas se não fosse o apoio dos mais velhos que sustentam a capacidade das famílias existirem e de desenvolverem”.

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Técnicos ligados a IPSS´s da região estiveram presentes no Seminário sobre Envelhecimento, em Mação

E deixa um alerta: “uma pessoa que está sentada 11 horas todos os dias perde massa muscular todos os dias e pode deixar de andar”, referiu a médica dizendo que é imperativo “quebrar o ciclo da rotina cama-cadeira-cama” e que “têm de se mexer, mesmo estando sentados ou deitados, e também mexer com o cérebro”.

O Seminário do Envelhecimento, que decorreu durante todo o dia desta sexta-feira, dia 15, no auditório do Centro Cultural Elvino Pereira, em Mação, para além da intervenção da médica e presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, Maria João Quintela, que versou sobre “O valor da vida não tem idade”, contou ainda com a presença de Patrícia Bernardo, do Hospital Amato Lusitano, que abordou o tema sobre “O Luto no processo de Envelhecimento”, que decorreu durante a tarde.

A sessão de abertura do seminário contou com a presença do vice-presidente da autarquia de Mação, António Louro, que salientou a importância deste evento como forma de debater “formas de aumentar a qualidade de vida neste troço da vida”. “Mais do que viver muito importa viver muito e bem”, concluiu António Louro, em declarações ao mediotejo.net.

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