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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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Mação | Região acolhe Encontro Internacional de Solidariedade Intergeracional (C/VIDEO)

Esta fim de semana, Mação recebe uma parte substancial do programa do Encontro Internacional de Solidariedade Intergeracional: Saúde Mental, Comportamentos de Risco, Adições, Tratamento e Recuperação. Este Encontro Internacional decorre em Portugal entre os dias 20 a 22 de setembro sendo que parte do programa passa exatamente por Mação com o Simpósio: Educação, Civismo e Cidadania. Outros temas marcam um evento que decorre também em Lisboa, Abrantes, Gavião, e Sardoal.

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Em declarações ao mediotejo.net, o médico Luís Patrício, dinamizador e coordenador do Encontro internacional intergeracional, refere que o mesmo visa a “promoção da partilha de conhecimentos” na Região de Lisboa e no Interior de Portugal, abrangendo temas sociais no âmbito da Educação, Saúde e Bem-estar, Sociedade e Cidadania, em que “também se debate o que não está escrito”.

Uma iniciativa com o contributo de profissionais no âmbito da Saúde e da Educação, bem como outros intervenientes sociais e agentes culturais, portugueses e estrangeiros, reunidos por solidariedade e que participam a expensas próprias vindos da Alemanha, Austrália, Brasil, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Polónia.

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Evento decorre em vários municípios da região. Foto: mediotejo.net

Com este encontro de solidariedade, os intervenientes pretendem “contribuir de forma descentralizada para dinamizar comunidades e animar a economia local, a cultura e a educação, nomeadamente em zonas devastadas por grandes incêndios de 2017 que destruíam o que muitas gerações semearam e criaram durante muitos anos”, destacou Luís Patrício (ver entrevista/video), relativamente a um evento em que participam dezenas de profissionais e agentes sociais portugueses e estrangeiros, maioritariamente profissionais de saúde, e onde usarão da palavra autarcas, enfermeiros, juízes, médicos de clínica geral, médicos internos, médicos pedopsiquiatras, médicos psiquiatras, médicos de saúde pública, professores universitários, psicólogos, psicomotricistas, técnicos psicossociais, e terapeutas ocupacionais, entre outros.

Luís Patrício, médico, é o grande dinamizador da iniciativa. Foto: mediotejo.net

Em Abrantes, este sábado, dia 22 de setembro, às 9:00, o auditório da Escola Dr Manuel Fernandes acolhe o Simpósio “Saúde Mental, avanços terapêuticos e recuperação”. Em Gavião, também este sábado, às 9:00, a Casa do Povo acolhe o Simpósio “Prevenção, educação e comportamentos de risco”, debatendo-se ainda a temática “Lidar com o trauma”.

O Simpósio vai também estender ao Sardoal, com o tema a ter sido debatido na escola EB/S Maria Judite Serrão Andrade, esta sexta-feira. Ainda esta sexta-feira, dia 21 de setembro, teve lugar uma atividade vocacionada para o público mais jovem, entre as 15h e as 16h30, na Escola Básica 2,3/Secundária de Mação com o tema “Prevenção, educação e comportamentos de risco”.

Seguiu-se a primeira parte do Simpósio, no Auditório do CC Elvino Pereira, com o seguinte programa:

17h – 18h: Concerto de abertura;

18h – 20h: Liberdades, responsabilidades e ética: Dois Psiquiatras e um Juiz. Apresentação de Luis Patrício com a presença de Vasco Estrela, Presidente da CMM e de Jean Pierr Demange, Presidente da T3E.

Conferencistas: Prof. Júlio Machado Vaz, Prof. Aimé Charles Nicolas e Juiz Carlos Alexandre.

21h30 – 23h15: Cinema com o filme “Caçadores de Anjos” – filme sobre mulheres sexualmente exploradas.

No dia 22, sábado de manhã, terá lugar a 2.ª parte do Simpósio, com o seguinte programa:

9h: “LER: Aprender para escolher e partilhar. Histórias com livros” com José Ribeiro. Terá apresentação de Margarida Lopes, Vereadora da CMM e o comentário de Amândio Mateus, Padre e Diretor do Voz da Minha Terra.

9h30: “PINTAR: Aprender para sentir e fazer” com Catarina Castel-Branco, Pinto e moderação de Catarina Patrício Alves.

10h00: “BEBER: Aprender para saber e ensinar” com Vasco Archer. Moderação de Nuno Barreta.

11h00: “Pensar para Estimular. Cidadania e Educação” com Armando Leandro. Apresentação de Mário Rui Fonseca e comentário de João Patrício.

11h30: From Paternalistic Medical Ethics To Modern Bioethics” com Augusto Consoll, moderado por António Reis Marques.

12h00: The Nonsense and Inhumanity of the Prohibition, com Albrecht Ulmer e moderado por Graça Campino Poças.

Pelas 13h tem lugar um concerto seguido da sessão de encerramento com a presença de Manuela Ramalho Eanes, Vasco Estrela e Jean Pierre Demange.

Evento decorre em Mação, Abrantes, Sardoal e Gavião, para além de Lisboa, reunindo dezenas de especialistas de vários pontos do Globo. Foto: mediotejo.net

Entrevista:

mediotejo.net – Como surge esta iniciativa descentralizada por concelhos do interior?

Luís Patrício – A descentralização tem a ver com a força que existe, com a eficácia que existe do poder local. As estratégias de prevenção deveriam ser muito estimuladas no âmbito do poder local. É a nível local que a prevenção é eficaz. Começa mo local do individuo, no local da família, no local da comunidade. Devia ser acarinhado com muita verdade aquilo que é intervenção a nível local. Porque quem cá está é que sabe o que se passa cá. Importar para um sítio qualquer aquilo que vem dos Estados Unidos ou de Inglaterra, ou de Lisboa ou do Porto, portanto comunidades que têm outras características é errado, desajustado. Por outro lado, a solidariedade porque no ano passado, no decorrer das tragédias que tivemos dos incêndios aqui na zona do Pinhal…eu recebi uma chamada de França, de um colega que me propôs diretamente: “agora que está tudo queimado vamos fazer uma intervenção que dinamize uma dinâmica cultural e que dinamize a economia também. Vamos ajudar”. Portanto, cada um paga o seu bilhete, as pessoas vêm porque querem vir. Felizmente tivemos a adesão de colegas de 9 países, o que vem de mais longe vem da Austrália. É significativo o empenho destes nossos colegas e partilharem o seu conhecimento, sem cobrarem e pagando eles as suas viagens. Vale a pena destacar a repetição de uma das vindas… estamos a falar de educação para a saúde, prevenção de comportamentos de risco, ligado diretamente à saúde mental.

Fale-nos um pouco do programa e do que vai ser apresentado…

São estudos que vão ser aqui apresentados publicamente em Lisboa, na Amadora, no Casal Ventoso, em Abrantes, em Sardoal, Gavião e Mação. Dois colegas que vêm do Brasil, do interior, para partilharem aquilo que é o seu conhecimento e é qualquer coisa que deve ser salientado. Colegas que vêm das Caraíbas, da Austrália…o trabalho que tem estado a fazer um colega australiano, no tratamento com um novo medicamento com base na canábis. É um derivado… é um canabinoide. Isto foi apresentado em França, que foi quando eu o conheci. O trabalho evoluiu e vai ser apresentado em Amadora.

Colegas que vêm apresentar trabalhos que são feitos à volta da problemática das drogas sintéticas, que é um colega de Espanha. Colegas que vêm partilhar o seu conhecimento no âmbito de novos tratamentos para salvarem vidas. Estamos a falar de um medicamento que é um salva-vidas, que as pessoas deveriam ter em casa quando têm alguém com dependência de heroína… esse medicamento que existe hoje em spray (que outrora existia só injetável) e deve estar em casa para o caso de ser necessário salvar uma vida.

Vamos ter um seminário de Psicanálise e Trauma, em Abrantes, com psicanalistas que vêm de França, Itália, Brasil, portugueses, obviamente. Vale a pena dizer também que o congresso é presidido pela nossa presidente de Comissão de Honra, a Drª Manuela Ramalho Eanes, que tem sido alguém que desde há muitos anos tem impugnado pela partilha de conhecimento, pela interação, e dado que é um congresso intergeracional, porque mete os mais jovens e os mais seniores, a ideia de facto é tentar partilhar com os mais novos aquilo que não está escrito, mas que se pode dizer ombro a orelha e que tem de ser dito.

Este encontro internacional traz investigadores de topo e algumas novidades…

Exatamente, temos novidades de medicação e tratamentos mais evoluídos no caso da dependência de canábis e de heroína, temos formas de intervir e de compreender de forma diferente em relação aquilo que se passa, e vamos refletir sobre a desumanização da proibição. É um colega alemão que vai trazer esse conceito. Refletir sobre a organização médica e social em função do controlo dos comportamentos de risco e das dependências.

Há um aspeto muito curioso também que é a dinâmica cultural que tem de ser posta aqui, no aspeto preventivo, educativo, pedagógico. Vamos ter uma sessão ligada à leitura, ao prazer de ler, ao prazer dos livros, com José Ribeiro, de Lisboa, um editor de longa experiência. Vamos ter a dimensão, o prazer da arte plástica, na pintura, com a nossa pintora Catarina Castelo Branco. Vamos ter uma sessão sobre “Aprender a Beber” para que os filhos possam ensinar os pais. Muita gente consome álcool no âmbito da ignorância e é necessário aumentar o conhecimento para aumentar a responsabilidade. Vamos ter uma sessão ainda sobre a educação, o civismo, a dinâmica da educação cívica e da responsabilidade.

Vale a pena destacar também no âmbito cultural dois concertos de música, assinados por um colega meu, um colega alemão, que escreveu duas peças de música em homenagem ao pai e à mãe, quando estes partiram. Vai ser acompanhado por jovens de Mação em violino e viola e no sábado por um colega meu psiquiatra que também vai tocar o seu violino e que é psiquiatra no IPO em Lisboa. Portanto a solidariedade intergeracional funciona.

Luís Patrício. Foto: mediotejo.net

Vale a penar dar aqui também algum destaque a uma conferência de abertura na sexta-feira em Mação, com o Prof. Júlio Machado Vaz, Charles Nicola e com o Juíz Carlos Alexandre sobre ética, liberdade e responsabilidade. Uma conferência que é aberta ao público. Ao nível do que se passa em Abrantes, Gavião, Sardoal, as comunidades locais é que convidam quem quer vir. As sessões são todas abertas.

Dois destaques ainda: um destaque para a sessão de cinema sobre a Caça de Anjos, um filme que é comentado pela professora Inês Fontinha, que é socióloga, foi diretora do Ninho, e que aborda a questão da prostituição e exploração de mulheres que se prostituem. Por fim, mas não o último, dizer que em Gavião, no sábado de manhã, entre os vários temas que vão estar em discussão, a intervenção e o trauma que houve nos incêndios mais a norte da nossa região, em Castanheira de Pera, e é uma intervenção feita pelos nossos colegas dos Médicos do Mundo.

Ao lado, mas fazendo parte integrante deste projeto, temos sessões de intervenção das escolas de Mação e Sardoal na sexta-feira à tarde. É preciso escolher. No Casal Ventoso vamos ensinar a consumir e no Amadora/Sintra vamos ter conferências de topo de vários temas e depois vimos para o interior porque a ideia era vir dinamizar o interior maltratado pelos incêndios.

Como é que é possível realizar um evento desta dimensão?

A palavra chama-se solidariedade. Nós não pagamos. As pessoas é que pagam para vir. Quer dizer que a amizade tem uma dinâmica tal que mobiliza.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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