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Domingo, Agosto 1, 2021

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Mação | Provedor da Santa Casa da Misericórdia considera “incrível” que instituição permaneça sem testes de despiste

A Santa Casa da Misericórdia de Mação não teve, nem tem para já, infetados com SARS-CoV-2 (o novo coronavírus). Mas nas medidas tomadas para enfrentar a pandemia de covid-19 incluiu ações junto dos trabalhadores para cumprimento das orientações da Direção Geral da Saúde implicando “muito trabalho duro” no apoio aos idosos de um concelho extremamente envelhecido, diz ao mediotejo.net o provedor. Francisco Corga, que vive diariamente com “o coração nas mãos”, defende, por isso, os testes de despiste, principalmente para os trabalhadores da instituição. Afirma contar com o apoio do Município num primeiro momento. Quanto à Segurança Social, há a promessa dos testes mas nunca mais chegam, lamenta.

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Desde o dia em que a pandemia chegou a Portugal que a Santa Casa da Misericórdia de Mação se encontra em alerta face à covid-19. Uma ameaça que ganha um particular significado numa instituição cuja média de idades dos 130 utentes ronda os 89 anos. A Irmandade da Misericórdia de Mação, além da Estrutura Residencial para Idosos, disponibiliza neste momento aos seus utentes as respostas sociais de Apoio Domiciliário e Centro de Alojamento Temporário (CAT), sendo que o serviço de apoio domiciliário engloba nesta altura os utentes que se encontravam em Centro de Dia, dando cumprimento às normas e recomendações emanadas pela União das Misericórdias Portuguesas e entidades oficiais.

Para os cerca de 90 trabalhadores da instituição “os horários de trabalho foram ajustados em turnos de 12 horas durante 7 dias, ficando em ‘espelho’ e em descanso de grupo com o mesmo número de funcionários por idêntico período. Estão ao serviço dois turnos durante 12 horas e ao fim de sete dias descansam e entra outra equipa”, explicou ao mediotejo.net o provedor Francisco Corga.

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Devido à propagação do novo coronavírus, a Santa Casa da Misericórdia de Mação colocou em prática o plano de contingência que contempla as medidas necessárias para prevenir um eventual contágio. Tem conseguido evitar o pior mas, pergunta-se, até quando?

“Temos feito um esforço enorme. Tem sido muito difícil”, confessa Francisco Corga manifestando como maior preocupação “a infeção de qualquer funcionário que venha a transmitir aos utentes que temos em lar, centro de dia e apoio domiciliário”.

Entretanto, a Misericórdia tomou medidas, incluindo de segurança, para enfrentar a pandemia de covid-19. Preparou todos os intervenientes para o cumprimento das orientações da Direção Geral da Saúde, e uma atuação planeada e concertada. Deliberou a suspensão das visitas, nomeadamente de familiares dos idosos, à instituição, tendo inclusive ficado proibida a saída dos utentes salvo no caso de consultas médicas ou exames de diagnóstico, previamente agendados e inadiáveis.

Mas tratando-se de pessoas com diversas patologias associadas, teme ainda o contágio através de “algum doente que venha do hospital infetado. Temos dois ou três utentes a necessitar de hemodiálise dia sim dia não”, indica o provedor.

Embora, segundo Francisco Corga, a situação esteja “salvaguardada. Esses idosos estão isolados em quartos separados. O plano de contingência está bem organizado”, assegurou.

O governo iniciou no final de março uma operação de testes de despiste da covid-19 em todos os lares de idosos nos concelhos de Lisboa, Aveiro, Évora e Guarda, assegurando estendendo-se depois ao resto do País, mas até ao momento o distrito de Santarém continua sem testes à vista.

“Estamos à espera!”, afirma o provedor, acrescentando que a Câmara Municipal de Mação “garantiu” que ainda esta semana seriam realizados testes de diagnóstico nos trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia. Em Mação, os bombeiros voluntários já foram submetidos a testes de despiste.

No que toca à operação conjunta entre os Ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (que tutela os lares) articulada com os Ministérios da Saúde e da Ciência, em parceria com a Cruz Vermelha e o Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, que criou uma versão própria de um kit de diagnóstico do vírus, a chegada a Mação ainda está sem data marcada.

“Enviamos para a Segurança Social a listagem pedida com o número de pessoas que temos e estamos à aguardar que venham fazer esses testes aos funcionários e utentes. Já deveria ter sido feito!”, referiu Francisco Corga, considerando “incrível” que o lar permaneça sem essa medida “fundamental para prevenir a contaminação e a propagação. Logo que sejam realizados testes ficamos mais despreocupados… a não ser que algum seja positivo. Mas por esta altura os testes já deveriam ter sido feitos, pelo menos aos colaboradores”, defendeu.

O sentimento é de “muita preocupação porque a população do concelho é muito envelhecida. No lar os utentes tem uma média de idades de 89 anos. É uma desgraça se o vírus chegar. Todos os dias vou ao lar e ando com o coração nas mãos”, confessa.

Sobre a entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) “neste momento não faltam, mas passámos por dificuldades nesse campo, há cerca de 15 dias. Tínhamos poucas máscaras… não tínhamos praticamente nada!”, nota. Conta que, durante essa situação de carência, “apenas os funcionários que faziam domicílios, mais expostos ao risco, usavam máscara, o pessoal interno não usava”.

Atualmente já todos os trabalhadores utilizam máscara durante o serviço. “Temos alguns EPI’s que a Segurança Social enviou, outros que comprámos e também alguns que a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia nos ofereceram”.

Francisco Corga gostaria que o futuro próximo trouxesse “boas notícias” quanto à evolução da doença de covid-19, verificando-se “uma redução do número de mortos e de infetados”. Contudo, “se o atual cenário se mantiver só a vacina pode ser solução”, acredita.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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