Quinta-feira, Fevereiro 25, 2021
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Mação | Proposta para atribuir nome de João Rito a Parque de Campismo gera polémica

A sessão ordinária da Assembleia Municipal de Mação, realizada no dia 18 de dezembro, ficou marcada no período antes da ordem do dia por uma discussão polémica entre as bancadas do PSD e PS devido a proposta dos social-democratas. Em causa estaria uma recomendação à Câmara de Mação para reconhecimento do trabalho desenvolvido por João Matias Rico em prol da freguesia de Ortiga e ao concelho, tendo sido proposto atribuir o seu nome ao Parque de Campismo, situado na mesma freguesia.

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Rui Dias (PS), presidente da JF Ortiga, insurgiu-se contra a proposta e referiu que se trata “de uma afronta ao povo de Ortiga” este tipo de ações de enaltecimento, lembrando a recente celeuma gerada pela alteração da toponímia da Rua das Fábricas para homenagear Manuel Rosa Eusébio, revertida após abaixo-assinado.

A proposta para admissão em Assembleia, a fim de seguir como recomendação para o executivo municipal que delibera e tem a última palavra sobre esta matéria, foi apresentada pelo deputado José Serra Ferreira, em nome da bancada social-democrata.

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“É uma proposta que tem a ver com o reconhecimento que todos nós devemos ter em relação a certas pessoas que se dedicam à causa pública e não só”, referiu, contextualizando.

No texto da proposta, lido por Serra Ferreira (PSD), referiu-se que “é nossa obrigação enquanto eleitos locais, saber olhar para a ‘coisa pública’ e contribuir com as nossas propostas e decisões para a melhoria da qualidade de vida daqueles que representamos”, disse, prosseguindo. “É também nossa obrigação, talvez não menos importante, saber reconhecer quando há desempenhos que merecem ficar registados simbolicamente nesse património público que ajudaram a edificar. Um desses exemplos é o de João Matias Rico, que dedicou uma boa parte da vida a contribuir para o bem comum, especialmente ao nível do associativismo, como vereador com o pelouro onde, quer pela dinamização direta, impulso ou entusiasmo. (…) O seu trabalho e a sua influência foram sempre utilizados para obras de referência, por exemplo na freguesia de Ortiga, Liga Regional de Melhoramentos, Centro de Dia, Caminhos do Tejo, Praia Fluvial, Parque de Campismo, entre outras”, enumerou.

Notando que estas obras resultaram em “referências dessa comunidade”, a bancada do PSD propôs “que a Assembleia Municipal recomende à Câmara Municipal de Mação que atribua o nome de João Matias Rico ao Parque de Campismo municipal, de Ortiga, onde teve influência decisiva na sua construção”, concluiu.

Saldanha Rocha (PSD), presidente da mesa de Assembleia, colocou à votação a admissão da proposta.

“Quanto à primeira, tem todo o mérito… Agora o nome… (…) O resto da proposta acho que está tudo bem escrito e bem dito, agora o nome do Parque de Campismo é que voto já que não”, disse, de imediato, o presidente da Junta de Freguesia de Ortiga, Rui Dias (PS).

A mesa de Assembleia frisou que apenas estava a votação a admissão da proposta para seguir como recomendação da Assembleia para deliberação em executivo municipal.

Rui Dias (PS) interveio, após pedir a palavra, relembrando que “ainda há quinze dias a Câmara teve aqui um problema entre mãos, também já do ano passado, de mudança do nome de uma rua e deu polémica louca. Voltou atrás, e ninguém daquela rua estava de acordo, mas mudaram o nome. Agora a Câmara teve de dar o dito por não dito, e voltou ao mesmo, aprovado em reunião pública”, lembrou, aludindo ao caso da Rua das Fábricas.

“Temos que ir à História da Ortiga”, insistiu o presidente de Junta. “Só há duas ruas com o nome de pessoas na Ortiga; eu acho que isso deve ser discutido na Assembleia de Freguesia, mas a Câmara é livre de fazer o que entender, porque o Parque de campismo é da Câmara”, terminou.

Foto: mediotejo.net

Por outro lado, João Filipe (PS), deputado municipal e também presidente da Assembleia de Freguesia de Ortiga, afirmou “não ter dúvida que João Rito foi um homem que muito trabalhou em prol da Ortiga, no entanto também reconheço que a competência para dar nome quer a ruas, quer a praças, respetiva toponímia, é competência da Câmara Municipal”.

“Também é verdade, e corroboro o que diz o senhor presidente de Junta de Freguesia de Ortiga, que também sei, por princípio, a Câmara Municipal não vai deliberar sobre a matéria sem normalmente consultar os órgãos autárquicos respetivos (…) há efetivamente na Ortiga um hábito histórico de que, tendo em conta as centenas de pessoas que têm trabalhado em prol da Ortiga e ficam no anonimato conscientemente”, disse, notando que o facto de existirem duas ruas na freguesia com nomes atribuídos deve-se a fator “histórico”, caso do Largo João d’Oliveira Casquilho, “que toda a gente indicava mesmo sem ser toponímia oficial”.

O eleito socialista, também investigador da História Local, principalmente da freguesia em causa, lembrou ainda as discussões em sede de Assembleia de Freguesia quando se pretendeu mudar “o nome da Rua das Hortas para Rua Joaquim Matias”, ex-presidente de Junta da localidade, tendo prevalecido enquanto Rua das Hortas.

“Cá estamos para entrar na discussão das coisas quando surgir essa oportunidade”, concluiu.

Serra Ferreira (PSD) subscreveu o que fora dito pelo eleito socialista, dando como exemplo situação semelhante na localidade de Penhascoso. “É muito complicado. Quando entrei para as lides autárquicas tinha cerca de 30 anos, e meteu-me sempre muita impressão não haver reconhecimento absolutamente nenhum de ninguém, por exemplo a nível da então freguesia de Penhascoso, tanto de méritos que se fossem reconhecidos poderiam servir de exemplo para outros, como até das próprias pessoas que por vezes ofereciam… não havia reconhecimento nenhum”, deu conta, notando ter colaborado na resolução deste tipo de situação, invertendo a tendência.

“É extremamente difícil, mas nós, em princípio, temos que ter consciência que não podemos nivelar por baixo. Somos pessoas racionais e embora seja polémico, eu, pessoalmente, conheço o trabalho do senhor Rito (…) sei o que ele fez, o que ele contribuiu e sei o empenhamento que teve”, disse.

Duarte Marques, deputado do PSD, por sua vez, salientou que “a história do PSD em Mação e a história do executivo não tem por hábito, ao contrário de outros, andar a colocar nomes de presidentes de Câmara ou dos próprios presidentes em equipamento público que é inaugurado”, entendendo que “é uma tradição que felizmente não chegou a Mação”. Disse ainda que o PSD tem cedido e procura “alguma abertura para dar o nome de pessoas de outros partidos a equipamentos importantes de Mação, e ninguém esteve a medir se Agostinho Carreira, que dá o nome ao Campo Municipal, fez mais ou menos que os outros”, tendo ainda referido o professor José Maia Marques, elemento do PS, que deu o nome ao Pavilhão Municipal de Mação, salientando que “não foi preciso esperar que morresse, continua vivo e bem vivo”.

O eleito deu exemplo, para concluir a sua intervenção. “Se há pessoa nesta terra que teria merecido, na minha opinião, que a escola se chamasse Elvino Pereira, não havia ninguém que fosse contestar isso, a não ser algumas cabeças mais pequeninas”, aludiu, confirmando que em vida “sempre negou ter o seu nome onde quer que fosse”, mas apesar disso, na altura Saldanha Rocha como presidente, deu o nome ao Centro Cultural maçaense.

Duarte Marques (PSD) afirmou não perceber porque é “preciso deixar acalmar”, considerando que “não houve uma crise, o senhor Rito não fez nada de mal a ninguém”, referiu, indicando que “gostava de ver na abertura do PS, a mesma abertura que houve do PSD quando propuseram militantes seus para isto, para aquilo e para outro, e que não eram nomes consensuais”.

“Eu acho que a junta de freguesia tem uma palavra a dizer no nome das ruas, das praças, dos largos (…) mas não estamos a falar de uma rua de Ortiga, estamos a falar de um parque de campismo que é do município. Está na Ortiga, é financiado pela Câmara Municipal. Se há pessoa, que todos sabemos, que enquanto vereador, tornou aquele parque possível foi João Matias Rito”, disse, justificando o porquê de se pretender associar o nome do ex-vereador ao Parque de Campismo, por ser “a obra mais ligada e é uma homenagem que nos fica bem fazer”.

“Se houver algum tipo de calculismo político ou ódio pessoal à frente deste consenso, só nos fica mal”, afirmou, notando que a deliberação sobre esta recomendação é uma competência da Câmara Municipal, e não da Assembleia Municipal ou da Junta de Freguesia.

Rui Dias (PS), presidente da Junta de Ortiga, voltou a intervir, pedindo que não se visse João Rico “como membro do PSD”, referindo ter trabalhado com o mesmo na Liga de Ortiga, “tivemos momentos de divergências, não sei que dinheiro arranjou para lá (…) não estamos a conotar com o PSD. Agora, era um elemento da Ortiga que fez aquilo que lhe competia como vereador da CM Mação”.

O presidente de Junta assumiu ainda que, em Ortiga, assim que se soube desta intenção de propor a atribuição de nome de João Rico ao Parque de campismo por um artigo no jornal do concelho, “houve gente a ameaçar-me e a dizer «ai de ti que faças isso»”.

A admissão da proposta de recomendação ao executivo municipal foi aprovada por maioria com 8 abstenções do Partido Socialista.

Vasco Estrela (PSD), autarca maçaense, referiu que “a Câmara acolherá a proposta e após a recebermos, iremos analisar e tomar a decisão que legitimamente entendermos que devemos tomar em relação a esta matéria”.

O presidente de Câmara teceu algumas considerações sobre esta proposta polémica, que se alongou na fase inicial da sessão, dizendo que “a CM Mação tem respeitado sempre as recomendações que vêm da Assembleia Municipal e não me lembro de ter gerado na Assembleia Municipal, um mínimo de discussão, quando atribuímos o nome do Mário Coluna ao Polidesportivo no Cerejal e que conste, não foi ninguém que tenha feito grandes obras no concelho de Mação, e não gerou discussão nenhuma. Nem me lembro da Junta de freguesia de Mação ter sido chamada a pronunciar-se sobre essa matéria”, referiu, dando ainda como exemplo a atribuição de nomes a equipamentos municipais como o Professor José Maia.

“A CM Mação irá obviamente falar com a Junta de freguesia de Ortiga sobre o assunto, precisamente porque gerou aqui uma polémica e estas coisas, penso eu, devem ser feitas com o máximo de consenso possível”, frisou o autarca, remetendo logo para resposta ao eleito socialista João Filipe, lembrando que foi atribuído pela Liga de Ortiga “e bem” o nome de Alfredo Daniel Smith ao Pavilhão de Jogos, há três anos.

“Relembro que até hoje a Câmara sempre, que me lembre, acolheu estas recomendações. Relembro que o Campo Municipal Agostinho Pereira Carreira foi proposto pela bancada do PS, eu não era membro da autarquia, e o PSD não discutiu e votou favoravelmente”, disse, acrescentando que “não podemos cair numa situação que, quando vem de um lado, não se discute. Quando vem do outro, arranjam-se todos os argumentos e mais alguns”, expressou Vasco Estrela, terminando a discussão sobre esta proposta.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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