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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Mação | Por caminhos de nenhures também se avista viva alma [Reportagem]

Mação. Vila e concelho que todos saberão onde fica e sentirão que conhecem, mas não pelos melhores motivos. Território vasto, essencialmente florestal, que se alastra por 400 km2 de extensão, mais de 3000 km de estradões e 14 km de rio, viu ser queimada mais de 80% da sua área este verão, e desta fama inglória não se livrará. Entre montes e vales, aldeias foram evacuadas, citando-se com dificuldade toponímias que causavam estranheza. A perda de população, muito envelhecida, é uma preocupação, até porque daí surge o fenómeno desastroso de esvaziamento das aldeias de nenhures, em ‘Mação profundo’. Os habitantes de cada uma contam-se pelos dedos de uma mão.

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Nos Censos de 2011 contaram-se 7338 habitantes num concelho que, neste momento, se divide em seis freguesias, encontrando-se ladeado pelos vizinhos concelhos de Proença-a-Nova, Vila Velha de Ródão e Nisa, Gavião, Abrantes, Sardoal, Vila de Rei e Sertã.

É concelho integrante da região do Médio Tejo correspondente ao distrito de Santarém (excluindo assim Sertã e Vila de Rei), onde existem 1199 idosos, no seu total, a viver sozinhos, isolados, as duas situações acumuladas ou com problemas de vulnerabilidade, indica o levantamento dos “Censos Sénior 2017” do comando distrital da GNR que o mediotejo.net já havia noticiado em abril deste ano.

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O concelho com mais casos é Abrantes, com 283, seguido de Mação que aglomera 181 casos, nas mais de 100 localidades. Especificando um pouco mais, de entre a totalidade de casos assinalados, importante saber que 123 vivem sozinhos, 102 isolados e 21 sozinhos e isolados.

Mediante estes dados, e tendo em conta a preocupação constante de quem vive no concelho e que atua com mecanismos de ação social, a equipa de CLDS 3G Opção Mação, nomeadamente a sua coordenadora e a técnica de Psicologia, embarcaram numa visita pelo concelho, numa área mais recôndita e que sabiam ter casos de idosos em situação de isolamento, quer pela dificuldade de deslocação e pela localização, quer pelas condições de saúde e financeiras.

Após terem consultado os presidentes de junta de freguesia, pedindo que fosse apresentada uma lista de casos que facilitasse a orientação da visita, as técnicas seguiram na viatura do projeto para aldeias da freguesia de Carvoeiro, também afetadas pelos incêndios deste verão e dentro do lote de localidades evacuadas e com registo de propriedades atingidas pelas chamas, caso de Feiteira, Galega, Rouqueira e Pracanas. O mediotejo.net quis ver na primeira pessoa esta realidade, e acompanhou esta iniciativa que marcou o fim do mês dedicado ao idoso – outubro.

Por estes lados, as poucas pessoas que ainda por ali habitam, vivem do que a terra lhes dá, muito ligados a um tipo de agricultura de subsistência que lhes garante azeite, fruta, legumes, a batata e o vinho. E onde têm animais, agora com pouco sustento, e o forno a lenha que ainda coze pão, depois de aquecido com o feixe de lenha apanhado no pinhal ali ao lado de casa, e que por sua vez, ateia o lume de chão que aquece a alma enquanto coze o que se põe dentro da panela.

Foto: mediotejo.net

Chegamos a uma primeira aldeia, muito rural, pacata, quieta. Vemos casas, muitas caídas, algumas recuperadas por emigrantes ou moradores sazonais que só lá vão nas férias, no verão.

As técnicas sabem a que portão se dirigir, o que facilita a perceção sobre quem lá estará e se estará. Chega uma idosa, nos seus setentas, cujo portão estava aberto e que se mostra interessada em saber do que se trata tal visita.

Reconhece os guardas, e responde com alguma dificuldade às questões colocadas, num momento de sensibilização sobre tentativas de burla, roubos, entre outras ameaças regulares.

“Infelizmente não sei ler nem escrever, só o meu nome. Mas tenho telefone”, diz, acenando positivamente com a cabeça ao perceber os números de telefone deixados para contacto em caso de emergência.

Grata pela atenção dada pelos visitantes, indica que o seu irmão, a rondar os quase 90 anos e cuja casa se encontra em reconstrução após ter atingida por projeção de um dos incêndios no concelho, se encontra pela horta.

Dirigimo-nos rua abaixo, e encontramos o casal de vizinhos, o segundo casal a residir permanentemente na aldeia, e que ainda se desenrasca bem o suficiente para “acudir ao resto da gente”.

O mesmo sucede com o residente mais jovem, com cerca de 50 anos, que acaba por ser o tutor destes habitantes, ajudando no que pode, uma vez que está por ali, e traz consigo um pequeno guardião de quatro patas, preto, que reconhece bem quem ali pertence, dando sinal, desconfiado, de quem está a mais.

Foto: mediotejo.net

Chega o mais velho da aldeia, apoiado num cajado improvisado, que andava de roda das oliveiras no terreno abaixo das casas, meio íngreme e com socalcos.

Ainda lavra, num trator de dimensão considerável e, apesar da idade, ainda conduz, valente, a motorizada que o leva mês a mês à vila para levantar a reforma e demais afazeres. Conta que na noite anterior, com um copito a mais, deixou-se tombar da mota à porta do vizinho, mas do mal o menos… só se partiu o espelho.

Com um filho dependente, com deficiência, e que é apoiado por uma IPSS do concelho, aguarda ansiosamente pela conclusão da reconstrução da sua habitação, para poder voltar à normalidade e recuperar o que perdeu, nomeadamente uma máquina de lavar roupa.

Contactos lembrados, alguns minutos de conversa e aconselhamento e mais alguns lamentos sobre o incontornável tema dos incêndios florestais, seguimos viagem, desta vez a subir, entre curva e contracurva, vale acima.

Os vestígios de pequenas derrocadas, rochas a rebolar estrada abaixo, troncos queimados e partidos, folhas e cascas, arrepiam num cenário desolador e até deprimente, tingindo de negro a consciência de quem por ali está a passar.

Foto: mediotejo.net

“Que horror. Isto é o fim do mundo”, exclama uma das técnicas, claramente perturbada e espantada com a visão sobre as aldeias, cá do topo da estrada.

Mais ao lado, noutra das localidades desta rota, identifica-se um casal mais isolado, ao fundo da aldeia, e com claras dificuldades socioeconómicas a que se juntam os problemas de saúde e não só.

Quase que num ato inconsciente, a senhora começa por desabafar com a psicóloga Cristina Loureiro, sem qualquer amarra ou receio, contando tudo o que a atormenta, nomeadamente desentendimentos cada vez mais usuais com o marido, as poucas posses e o facto de ultimamente nunca ter como comprar o que comer. Contactos trocados, e por via de gestos de carinho, abraços e palavras doces, a gratidão e o acalmar de espírito daquela mulher são visíveis, pelo menos por enquanto. O que agradeceu, logo ali, como que a pedir para que voltassem já no dia seguinte. O caso ficou assinalado.

Foto: mediotejo.net

Mais acima, à saída da aldeia, nota-se um aglomerado, dois casais mais idosos, com contacto regular com os filhos e que têm conhecimento das iniciativas da autarquia, nomeadamente as atividades do Clube Sénior e os passeios e visitas. Ao lado, há um casal que só frequenta aquela moradia sazonalmente, e que está de partida após uma temporada por ali.

Mostram-se desenrascados, e questionados sobre a quem recorrem para se deslocar à vila para ir ao médico ou tratar de outros assuntos, depressa apontam o táxi como a melhor solução.

“Chamamos o táxi, vamos e voltamos à hora que queremos, e não há chatices”, refere o idoso deste casal, ainda que assuma saber da existência, ali junto ao fontanário, do Transporte a Pedido. Segundo ele, é mais aborrecido pela demora do transporte e pela inflexibilidade dos horários, que têm de servir as restantes aldeias da freguesia, num circuito definido.

Cláudia depressa reconhece outro casal, que cumprimenta, recordando tê-los vistos na altura dos incêndios, em que se mostraram abalados e a necessitar de apoio. Mas agora as coisas estão a melhorar, “a pouco e pouco vai lá”, e têm o apoio de uma filha que vive noutra freguesia ali perto.

Foto: mediotejo.net

Aqui, cruzamo-nos com Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, juntamente com um dos seus técnicos do Serviço Municipal de Proteção Civil, que opta por nos acompanhar na última parte da visita, e sabendo melhor do que ninguém o estado do território e das vias do mesmo, encaminha-nos para a próxima localização, na fronteira com Proença-a-Nova.

Poucas casas se avistam de pé, e está por ali uma capela cujo branco das paredes contrasta com o negro que arrasou floresta, hortas, árvores de fruto e colmeias.

Vêem-se algumas casinhas rasteiras recuperadas, que segundo o autarca serão para futura exploração em termos turísticos, de um recente empreendedor. De resto, fala-se em dois mudos que por ali viveram, e chega-se à única casa com gente dentro.

Foto: mediotejo.net

A custo, e mesmo com ajuda do presidente da Câmara e do técnico que conhecia a moradora em causa, foi difícil estabelecer contacto. Ali, isolada e habituada a viver desconfiada com o ladrar dos cães por presenças inesperadas, lá se veio chegando até ao portão, dando conversa. Mas o portão nunca foi aberto. Queixa-se de muito movimento durante o dia e mesmo à noite, o que não é de todo normal, nomeadamente de carros a vir voltar junto a sua casa, algo que os elementos da GNR prontamente ouviram e registaram.

Quanto aos passeios de idosos, diz que a informação lhe chega tardia, o que dificulta ainda mais arranjar solução de deslocação até à sede de freguesia. Algo que Vasco Estrela se mostrou pronto a resolver, apelando às instituições e entidades competentes, e compreendendo a dificuldade daquela cidadã.

Regressamos à vila, pelo estradão florestal por onde havíamos chegado inicialmente, que acabaria por ser mais rápido de percorrer do que propriamente seguindo pelas estradas feitas de curvas e declive acentuado, pelo meio da floresta feita em carvão.

O único som que se fazia ouvir era o das máquinas de corte de madeira, bem como os assobios dos trabalhadores, que substituíam a calmaria própria daqueles lugarejos sossegados, onde o chilrear dos pássaros e o vento a passar entre as árvores costumam ser marcantes.

São cerca de 14h30, e o cansaço bem como a sensação de que há ainda tanto por fazer apoderam-se da equipa de CLDS. Está na hora de almoçar e começar a refletir.

Foto: mediotejo.net

O valor do bem-estar emocional dos idosos e a urgência em cuidar da sua saúde mental

Cláudia Cordeiro, coordenadora do projeto CLDS 3G Opção Mação, explicou-nos que esta visita a idosos em situação de isolamento se prende com “uma intervenção mais ampla, que fizemos e que ao longo do mês de outubro, primeiro passámos mais pelos voluntários, tentar sensibilizar as pessoas para a importância do voluntariado junto da população idosa, as mais-valias que esse contacto promove, a organização que já existe em Mação e as vantagens que podem ter em aderir a uma ideia desse género, referente ao voluntariado com idosos, porque também faz parte do nosso trabalho enquanto CLDS, fazer uma campanha de angariação de voluntários para trabalhar com idosos. Conseguimos dois até agora… não é mau”, referiu.

“Na segunda sessão fizemos uma sessão sobre saúde e bem-estar do cuidador, a gestão emocional, algo mais específico, sobre o cuidador informal e os desafios que ele se coloca, nomeadamente a resiliência, o bem-estar do próprio cuidador”, contextualizou, indicando que faltava algo mais, nomeadamente o conhecimento no terreno.

Foto: mediotejo.net

“Sentimos que não estávamos a conseguir, porque quando entrámos no projeto, fizemos reuniões com toda a gente, não posso dizer que tenha falhado alguém, reunimos com os padres, a GNR, com a Câmara, com todas as Juntas de freguesia, com os serviços sociais da CM Mação todos, desde o Banco Local, com o próprio Gabinete (…) E mesmo assim, quando começámos a atuar, com o apoio desses parceiros começámos a notar que íamos sempre parar junto dos mesmos idosos, que era muito cíclico, e que não era isso que pretendíamos. O que queríamos era chegar aos idosos isolados e que não têm respostas, e não estávamos a fazer bem, estávamos a trabalhar com casos já identificados”, disse a coordenadora, mostrando-se “autocrítica”.

Recorrendo às memórias da altura dos incêndios, onde os técnicos tiveram de partir para o terreno, dando apoio às populações e fazendo ações de resgate dos idosos das localidades que foram sendo evacuadas por precaução, antes que as chamas provocassem danos maiores do que à partida poderiam causar à sua passagem, Cláudia e os restantes membros da equipa decidiram pôr mãos à obra.

O principal parceiro tem mesmo de ser a Guarda Nacional Republicana, “para as pessoas não terem tanto medo de nós, porque andamos a alertar as pessoas para terem alguns cuidados, pela sua situação de isolamento, e depois aparecemos lá nós…”, referiu a mesma responsável.

Por outro lado, os passeios para idosos ainda não chegam à totalidade da população que devia ser alvo das iniciativas. “Não chegou a informação ainda às pessoas que deviam participar, que deviam sair de casa. É preciso ir lá bater à porta e convidar”, notou a psicóloga Cristina Loureiro.

“A experiência dos passeios já foi feita, nomeadamente indo buscar as pessoas às terras, mas de qualquer maneira, temos de ter um bom método de orientação, porque o género de percursos que fazemos e que fizemos hoje, tornam-se incomportáveis, não temos noção de quem ou onde vamos buscar. Para as pessoas é simples. “Ah! Se me viessem cá buscar…”, mas não é bem assim!”, explicou Cláudia Cordeiro.

Foto: mediotejo.net

O trabalho no terreno chega a ser ingrato porque o tempo escasseia, num território vasto e cujas pessoas precisam de determinado tempo e espaço dedicados a si, caso a caso.

“O tempo passa, e nem metade das pessoas conseguimos alcançar no concelho. O que aconteceu com uma das senhoras esta manhã não é costume acontecer, a senhora devia estar numa situação limite e desabafou. Porque até ganhar alguma confiança, demora. Caso do oposto, de outra das senhoras que permaneceu lá ao fundo da propriedade, e que nem o portão abriu para nos receber. É preciso conhecerem-nos, estarem à vontade, é preciso algum tempo para facilitar o processo e o nosso trabalho, e que realmente haja um trabalho bem feito em que as pessoas beneficiem a todos os níveis com aquilo que pudermos oferecer”, justificou a Técnica Superior de Psicologia, Cristina Loureiro.

Com esta visita, os contornos do projeto ficaram ainda mais claros para a coordenadora Cláudia Cordeiro. “O objetivo é criar uma base de dados atualizada, que possa ser utilizada pela equipa de CLDS, para a Câmara e serviços de Ação Social, e para conseguirmos daqui em diante, minimamente, só que sirva para daqui a 10 anos comparar o que é hoje e o que será então, pode servir como indicador social, mas hoje já ganhámos algumas coisas, nomeadamente pelos casos que identificámos e algumas pessoas gostaram muito mesmo de nos ver, isso notou-se”, afirmou.

Foto: mediotejo.net

Para as pessoas “vale sempre a pena”, nomeadamente “saber que há alguém que passa de vez em quando e que sabe que estamos lá e que estamos sozinhos e que não conseguimos às vezes ir ao médico ou fazer isto ou aquilo, e haver alguém que de vez em quando vai passando para saber se está tudo bem, dá aquele apoio mais moral, do que realmente a outros níveis, mas isso é importantíssimo, referiu a técnica de Psicologia.

“Foi depois dos incêndios que tivemos esta ideia, porque durante os incêndios tive muito más experiências, por andar sozinha e/ou com outra técnica de Ação Social e sem acompanhamento da GNR. Sozinhas não dá, porque tanto as pessoas se sentem vulneráveis, como nós nos sentimos”, disse Cláudia Cordeiro.

Trabalhar com o isolamento tem as suas “nuances”, segundo nos deu a entender a coordenadora. “Por um lado, ainda bem que as pessoas têm essa resistência em acolher todas as pessoas que aparecem à sua porta, porque caso apareça alguém estranho que se auto-nomeia político em campanha, vendedor disto e daquilo, e que consegue entrar em casa das pessoas… quem é que os tira de lá depois? Acontecem casos como é costume ouvir na região e no país, de burlas, assaltos, pessoas maltratadas, etc… Como é viver ali, naquela casa, no meio daquilo tudo, sem ver ninguém o dia todo, sem falar com ninguém, como é que dorme à noite? As pessoas têm mesmo de se defender e proteger”, disse, refletindo, a psicóloga do CLDS 3G de Mação.

O projeto iniciou a abril de 2016 e encontrar-se-á ativo até março de 2019, resultando no total de 36 meses de ações implementadas no concelho baseadas em três eixos comuns.

Pelo facto de cada eixo estar balizado com determinados objetivos, isso leva a que alguns projetos caiam por terra, dando-se por concluídos mesmo que a temática e o apoio em si não sejam, de todo, finitos. Caso do acompanhamento e apoio psicológico dado pela Técnica de Psicologia, Cristina Loureiro.

“Temos casos de apoio psicológico, com idosos que só confiam na psicóloga ao ponto de quererem ir com ela às consultas de psiquiatria, e quando acabar o projeto? O que vai acontecer? Se nem aos próprios filhos permitem essa invasão, e se nem aos próprios filhos confidenciam o que se está a passar, o que sentem, como é que vão confiar?”, questiona-se, acrescentando que vão na sua companhia por causa do sigilo profissional.

Foto: mediotejo.net

“O concelho de Mação é um concelho com muitos problemas a nível de saúde mental, há muitas situações que se tornam preocupantes. É necessário criar um projeto que seja resposta e que não seja finito no tempo”, afirmou.

Cristina Loureiro vai mais longe. “Tendo em conta que a grande questão que há nos lares se prende com problemáticas emocionais e de saúde mental, demências, doenças neuro-degenerativas, quem é que apoia? O enfermeiro? Que não consegue olhar para estas situações? Que não tem formação nem está preparado? A saúde em Portugal não lida com as questões de saúde mental. Não lida. Ou lida muito mal. As pessoas são encaminhadas para a psiquiatria pelos médicos só em última circunstância”, concluiu.

Para Cláudia Cordeiro a Ação Social municipal tem de ser reestruturada. “Temos muitos técnicos de intervenção educacional e poucos técnicos de intervenção gerontológica e psicológica. Tem de se refazer as prioridades na Ação Social, ao olhar para o concelho e reconhecer que está a envelhecer. Temos que dar, sim, resposta à Educação, mas para isso também existem profissionais, se calhar tem de olhar mais para a inovação social no campo do apoio ao idoso e nas respostas que podem existir”, explicou.

O CLDS 3G encontra-se a fazer um questionário à população idosa de Mação, com uma amostragem de 250 pessoas, tendo alcançado até ao momento cerca de 160, que servirá de indicador. “Mas trata-se de idosos que fazem parte do Clube Sénior, estão perfeitamente envolvidos na comunidade. Ou seja, em termos de espelho do concelho, não espelha a realidade. Se calhar espelha como amostragem percentual, mas então temos que olhar para o resto das freguesias onde não fomos e onde ainda há gente. É o nosso objetivo, numa segunda fase fazer estas questões a estas pessoas, porque de certeza que as necessidades desta gente não são iguais às dos outros”, contou ao mediotejo.net.

Para já, a vontade será continuar numa volta pelas freguesias do concelho, assinalando casos de idosos em situação de isolamento e demais situações que sejam assinaláveis, dedicando um dia por mês para o efeito, dividindo a equipa de quatro técnicas.

“Ver se conseguimos fazer uma freguesia minimamente, por mês. Não se consegue fazer, hoje só conseguimos fazer três terras da freguesia de Carvoeiro. Mas a ideia é mesmo esta, bater o concelho todo neste sistema que adotámos hoje, fazer uma parceria com a GNR, e ver se conseguimos concluir uma lista. Mas teremos de envolver a equipa toda”, assumiu a coordenadora.

Vasco Estrela, presidente da CM Mação, disse ao mediotejo.net entender que, tendo em conta as cerca de 100 localidades dispersas no território do concelho, que é extenso, torna-se praticamente impossível que não existam casos de pessoas a viverem sozinhas ou muito isoladas, sem vizinhos, “e é uma preocupação da CMM e das autoridades tentar que esses fenómenos não tenham outras repercussões mais complicadas, em termos da sua segurança, saúde física e mental, e que se possam sentir incluídas e sentir que são pessoas como quaisquer outras no nosso concelho, e que merecem todo o tipo de atenção, ajuda e carinho”, disse.

Recordando a iniciativa com atividades em itinerância, que é o Clube Sénior, que pretende “acudir a este fenómeno, incluindo as pessoas”. “Notamos que nas localidades mais pequenas há ainda dificuldade das pessoas em ter acesso a coisas tão simples como ir à sede de freguesia, já nem falo da sede de concelho, ter acesso à informação, portanto obviamente se percebe que há aqui trabalho a fazer neste campo, apesar do muito que já foi feito”, assumiu o autarca.

“É nossa obrigação tentar encontrar soluções, há sempre uma margem para progredirmos e melhorarmos, o que também se nota é que está a existir uma maior articulação entre as diversas entidades que estão nos terrenos”, com destaque para o CLDS, a RLIS e os Serviços de Ação Social da Câmara, bem como as juntas de freguesia.

“As Juntas de freguesia têm aqui um papel fundamental pela proximidade que deverão ter a essas pessoas, pelo dever de dar a conhecer aos seus fregueses aquilo que acontece no município, nomeadamente aquelas pessoas que estão mais isoladas. Diria que há aqui muito a fazer nesta matéria, apesar de achar que temos feito um trabalho importante, ainda no passado sábado reunimos cerca de 550 pessoas na comemoração do Dia do idoso”, afirmou, tendo noção que poderiam ser muitas mais, pois houve outro público “que ficou um bocadinho à margem destas atividades”, algo que deve convocar todos para atuar e agir. “O tempo vai passando, as pessoas vão ficando mais envelhecidas, e é importante que não se sintam abandonadas”, terminou.

Sobre o CLDS 3G

O CLDS 3G Opção Mação, projeto de intervenção social, conta com, além da sua coordenadora Cláudia Cordeiro e com Técnica de Psicologia, Cristina Loureiro, uma Técnica de Gestão, Carla Lercas, uma Técnica de Serviço Social, Ana Regina Parente, e dois administrativos. O Centro de Solidariedade Social Nossa Senhora das Dores de Ortiga é a entidade coordenadora e executora. 

O projeto CLDS 3G – Opção Mação, pretende potenciar os territórios e a capacitação dos cidadãos e famílias neste ciclo de crescimento económico que se inicia, promovendo a equidade territorial, a igualdade de oportunidades e a inclusão social.

Para tal, existem três eixos de atuação: Eixo I — Emprego, Formação e Qualificação; Eixo II —Intervenção Familiar e Parental; Eixo III —Capacitação da comunidade e das instituições.
Os CLDS 3G foram definidos pela Portaria nº 179 -B/2015, de 17 de Julho.

 

Morada: Largo da Junta, nº2 (Antigo Jardim de Infância – Ortiga). Os contactos são o telefone 241 573 400 ou o e-mail clds3gopcaomacao@gmail.com

 

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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