Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Terça-feira, Outubro 19, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Mação | População volta a fazer do Pereiro a Capital das Ruas Enfeitadas (c/fotogaleria)

A aldeia do Pereiro, em Mação, voltou esta quinta-feira, 23 de agosto, a ser a mais florida de Portugal e assim ficará até 26 (domingo), dia da romaria em honra de Nossa Senhora da Saúde, padroeira do Pereiro, com procissão em ruas integralmente cobertas de flores. Candidatura a Património Cultural Imaterial é “difícil” mas não impossível. Desta vez não decorreu uma cerimónia oficial de inauguração mas a coletividade responsável pelas ruas enfeitadas, a Associação Desportiva e Cultural do Pereiro, assinalou o momento com uma visita oficiosa onde marcaram presença o presidente do Turismo Centro Portugal, Pedro Machado, o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, os vereadores António Louro, Margarida Lopes e Cláudia Cordeiro, e ainda o presidente da União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira, José Fernando Martins.

- Publicidade -

São aos milhares as flores e outros adereços de múltiplas cores e feitios, que nasceram das mãos hábeis das gentes do Pereiro, preparadas durante um ano para transformar as principais ruas e largos da aldeia em autênticos jardins suspensos que conseguem esconder quase por completo o azul do céu. É assim há muitos anos, com a aldeia a ostentar orgulhosamente, desde maio de 2013, a marca registada “Capital das Ruas Enfeitadas” e a contar com o apoio do Turismo Centro de Portugal.

O presidente Pedro Machado é presença assídua por altura dos festejos, que têm “um simbolismo muito importante” para uma marca “feita pela sua diferenciação” de destinos “associados à corda do litoral”.

- Publicidade -

Pedro Machado, em declarações ao mediotejo.net, garantiu da parte do Turismo Centro de Portugal a procura sistemática de “todos os fatores que possam contribuir para fazer com que o fluxo turístico possa derivar do litoral para territórios do interior”. E o simbolismo, acrescentou, “está inerente, por um lado, ao envolvimento da população. Não há muitos registos destes na região Centro, e acredito que no País, de uma comunidade que se envolve e que trabalha para animação local. E por outro, tem um colorido muito interessante que permite fazer processos de comunicação”.

Razão pela qual acompanhou Pedro Machado à aldeia do Pereiro a chefe de divisão da área de Comunicação da marca Cento Portugal, Adriana Rodrigues, no sentido de “perceber como o Pereiro pode contribuir para diferenciar a oferta turística do Centro de Portugal”. Para Pedro Machado “a visitação” das Ruas Enfeitadas pode ainda “ajudar a animar a restauração e o comércio”.

Pereiro, Mação. Ruas enfeitadas 2018

Mas nem tudo são rosas entre as flores que enfeitam as ruas. Nesta edição de 2018, as ruas enfeitadas são em menor número, apenas por onde passa a procissão em honra da Nossa Senhora da Saúde, padroeira do Pereiro, romaria que acontece na tarde de domingo e que atrai milhares de fiéis em manifestação de fé e devoção, e essa redução não passou despercebida aos olhos do presidente do Turismo do Centro.

“Deriva de uma fatalidade à qual a comunidade não é alheia”. Pedro Machado refere-se à perda de pessoas que residiam no Pereiro e que davam o seu contributo a enfeitar as ruas. Ainda assim, reforça, “merece a visita não só das pessoas do concelho de Mação, da região do Médio Tejo, mas também do País e estimular que este trabalho possa continuar”.

Em finais de março de 2017, o município de Mação, através dos serviços do Museu Municipal, entregou à Associação Desportiva e Cultural do Pereiro um Dossier de Pedido de Inventário a Património Cultural Imaterial da Romaria da Senhora da Saúde e Suas Ruas Enfeitadas, após esta associação ter solicitado apoio, no âmbito do Apoio às Associações, para preparação da Candidatura. Questionado sobre esta candidatura Pedro Machado considera “possível” mas admite dificuldades.

“Não é fácil! Não vale a pena alimentarmos essa expetativa”. E explica: “Um Dossier de uma classificação de Património Imaterial tem subjacente não apenas o que se vê no Pereiro mas um conjunto de condicionantes que é preciso estudar e sustentar esse Dossier”.

A esse propósito lembrou o envolvimento do Turismo Centro Portugal na “classificação do geoparque da Estrela para património da UNESCO” obrigando a recolha de toda a região “desde aspetos culturais, sociais a demográficos, todos contam para o Dossier”. Apesar das dificuldades, “o facto de se poder considerar entrar num projeto de classificação já é dinamizador do envolvimento da comunidade”.

Pereiro, Mação. Ruas enfeitadas 2018

Ainda assim, e porque o tempo não pára de contar, o envelhecimento da população é uma realidade, bem como a perda de cidadãos que se envolvam na organização das festas. Pedro Machado considerou “uma ameaça forte”, embora seja uma característica comum a outros concelhos de Portugal e da região Centro em particular.

Preocupado diz que “uma das maiores ameaças da região não é a desertificação mas o despovoamento que pode colocar em risco o que estamos hoje a assistir”. Espera que sejam encontradas “forças, dinâmicas e alternativas para se poder continuar”.

Defende, por isso, dentro das políticas públicas locais “a discriminação positiva para territórios” com as características de Mação. E disse acompanhar “o trabalho” de Vasco Estrela em contrariar o afastamento de Mação das prioridades nacionais, referindo-se às indemnizações compensatórias por força dos incêndios ocorridos em 2017, considerando “incompreensível que Mação não possa ser atingido por medidas compensatórias”.

A fórmula para trazer “sangue novo a juntar ao sangue existente para que não deixemos morrer estas tradições”.

Esta é uma preocupação partilhada pelo presidente da Câmara, Vasco Estrela, que observa o envelhecimento da população, a redução de residentes na localidade do Pereiro em exemplo do que acontece no resto do concelho, da região e até do País.

“Custa-me pensar que esta realidade pode não ser replicável dentro de alguns anos” disse, manifestando disponibilidade da autarquia para encontrar uma solução na preservação da tradição. “Não haja ilusões. Terá de ser feito com as pessoas da terra, foram elas que começaram esta tradição e será aquilo que a Associação e as pessoas do Pereiro quiserem”.

Pereiro, Mação. Ruas enfeitadas 2018

A primeira palavra do presidente foi de agradecimento aos “grandes heróis e obreiros” do Pereiro. “As pessoas conseguiram dar muito do seu tempo para que as ruas tivessem qualidade, beleza e motivo para visitas” àquela localidade maçaense.

Tendo em conta “o momento importante para todo o concelho”, a Câmara Municipal investe “através de um subsídio, 4500 euros na ornamentação das ruas, para além dos subsídios atribuídos a todas as festas do concelho e ainda às coletividades. É um parceiro ativo na realização e assim continuará para que não se perca esta tradição”.

A Ruas Enfeitadas voltaram após um ano de interregno devido à queda grave de António João Maia, em 2017, enquanto trabalhava na colocação das armações para os enfeites, o que abalou toda a comissão e levou ao cancelamento do evento. O acidente e os incêndios florestais que vieram assombrar o concelho naquele trágico verão.

Um ano depois dos fogos florestais “está tudo na mesma. A população do concelho de Mação foi altamente prejudicada e o Município também” desabafa Vasco Estrela. O Governo continua a negar medidas compensatórias a Mação e portanto “não nos resta outra alternativa senão tentar por outras vias que nos façam justiça”.

Vasco Estrela deu como exemplo o incêndio florestal em Monchique: “o Governo apregoou, e bem, que há rações para animais em Monchique, há açúcar para as abelhas. No concelho de Mação a primeira ração que apareceu foi em novembro”, três meses após os incêndios do verão de 2017.

Pereiro, Mação. Ruas enfeitadas 2018. (da esquerda para a direita) Nuno Neto, António João Maia, José Fernando Martins, Pedro Machado, Vasco Estrela, António Louro, Cláudia Cordeiro e Margarida Lopes

As Ruas Enfeitada do Pereiro aguardam agora por visitas que podem participar em mais dois eventos: as Festas Pereiro 2018, com um programa preenchido por música e animação, num ambiente tipicamente popular, e pela romaria em honra de Nossa Senhora da Saúde.

A “escapadinha” pode levar ainda a descobrir os encantos naturais do concelho “verde horizonte” bem como a gastronomia, socorrendo-se dos restaurantes da vila de Mação a cerca de três quilómetros, ainda que a festa conte com um Bar de apoio, com comes e bebes.

Aliás, essa é uma das críticas apontadas pelo presidente da União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira, José Fernando Martins, a falta de infraestuturas, nomeadamente de restauração, na aldeia, no sentido de atrair mais turistas.

“Cheguei a sugerir à organização a criação de um restaurante ao estilo dos existentes na Feira Mostra de Mação, usando por exemplo a escola primária. No início para balançar, faltou um espaço e um serviço de restauração para acoplar à festa, onde fossem servidos pratos regionais, a gastronomia da região, e que desse algum retorno financeiro à terra”, disse José Fernando Martins.

Pereiro, Mação. Ruas enfeitadas 2018

O autarca lembrou que na Feira Mostra de Mação o restaurante do Centro de Dia da Aboboreira,”em três dias serviu 1048 jantares, com sete restaurantes a funcionar na Feira”.

José Fernando aponta ainda como outra necessidade “uma melhor exploração dos pontos de venda na aldeia com oferta de pão de milho, pão de centeio, bolos tradicionais, cavacas, tigeladas, para que os visitantes levassem os nossos produtos e deixassem o retorno financeiro” no Pereiro. No Largo do Arraial, junto à Associação Desportiva e Cultural do Pereiro, encontra-se um ponto de venda da Madalena com doces, artesanato e ainda canecas alusivas ao evento, com fotografias atuais das Ruas Enfeitadas 2018.

A Junta de Freguesia é outro parceiro das festividades apoiando na logística “com uma viatura e com um funcionário” e financeiramente “dentro do orçamento disponível”, salienta o presidente.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome