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Quarta-feira, Junho 16, 2021

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Mação | Pinhal Maior cria janela de oportunidade para relações comerciais com a China (c/ÁUDIO)

Mação acolheu a assinatura de protocolo que pretende estabelecer “relações mais profícuas” entre os cinco municípios que integram a Pinhal Maior e a população e empresas, e a Câmara de Comércio de Pequenas e Médias Empresas Portugal-China, permitindo expandir e desenvolver a nível empresarial e comercial, valorizando a potencialidade do território do Pinhal Interior Sul, nomeadamente apostando em produtos de agricultura biológica transformados e nas relações comerciais feitas a partir de plataformas de venda online.

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Este momento, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Mação, no dia 14 de maio, representou um “ato simbólico” que fechou o compromisso para “uma relação que possa ser consubstanciada em ações concretas, que permitam o desenvolvimento do território e das empresas, tirando partido do potencial da região” do Pinhal Interior Sul, conforme indicou Vasco Estrela, autarca maçaense em representação da direção da associação Pinhal Maior.

“Todos sabemos que estamos numa região deprimida sobre vários pontos de vista, e todas as relações comerciais que possamos estabelecer para tentar contrariar esta dinâmica recessiva que temos vivido ao longo dos últimos anos, são seguramente bem-vindas”, começou por assumir.

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Um “território deprimido mas com enorme potencial”, retorquiu Vasco Estrela, notando que esta ligação comercial e empresarial com a China pode ser importante “para ajudar a alavancar a nossa região”.

Em nome da Pinhal Maior e do Município de Mação, Vasco Estrela pediu ao presidente da CCPC-PME para que possa ajudar a “abrir portas ao investimento estrangeiro, neste caso chinês”, deixando nota de que “na região há empresas com capacidade suficiente para também poderem investir na China e ter na China um mercado para os seus produtos”, disse, defendendo a criação de relações “bilaterais Portugal-China e China-Portugal”.

ÁUDIO | Vasco Estrela, autarca maçaense e presidente da Associação Pinhal Maior

“Da parte destes cinco municípios e dos seus autarcas e Câmaras Municipais, há seguramente toda a vontade para este protocolo seja importante para os concelhos e as suas populações”, disse, falando em nome dos municípios parceiros da iniciativa.

“É importante que possamos cada vez mais afirmar estes territórios como destinatários de investimento, mas também onde hoje já se cria riqueza, onde hoje há potencial também para a China e para o mundo”, reconheceu.

Y Ping Chow, presidente da CCPC-PME, Vasco Estrela, presidente da CM Mação e da direção da associação Pinhal Maior, e Ricardo Aires, presidente CM Vila de Rei e vogal da direção da Pinhal Maior. Foto: mediotejo.net

Ao lado de Vasco Estrela, presidente da CM Mação, esteve também Ricardo Aires, presidente da CM Vila de Rei, também em representação da associação Pinhal Maior e que também assinou o protocolo com Y Ping Chow, presidente da CCPC-PME.

Ricardo Aires, vogal da direção da Pinhal Maior, reforçou a importância do alargamento de relações económicas do território, sendo que a associação enquanto Grupo de Ação Local (GAL) também pensa no desenvolvimento num território só, onde “todos estão com as mesmas condições” e que contribuam para esteja na preferência dos investidores, sendo o objetivo comum, transversal aos cinco municípios que integram a associação, “para que todos consigamos investimento”.

O autarca frisou que nesta região “há boas empresas para exportarem produtos endógenos para a China, algo que será muito vantajoso para os nossos empresários”, deixando votos de muito sucesso para o protocolo entre ambas as partes.

Na sessão também estiveram presentes o vice-presidente da CM Oleiros, Victor Antunes, o vice-presidente da CM Proença-a-Nova, João Manso, o adjunto da presidência da CM Sertã, António José Simões, a vereadora da CM Mação, Margarida Lopes, e também Augusto Nogueira, enquanto coordenador da Associação Pinhal Maior.

Já da parte da Câmara de Comércio PME Portugal-China, o presidente Y Ping Chow mostrou-se agradado com a sua segunda visita a Mação, lembrando a primeira visita ao concelho com empresários chineses há cerca de cinco anos interessados no setor dos presuntos.

Augusto Nogueira, coordenador do GAL Pinhal Maior, junto dos representantes dos municípios de Oleiros, Sertã e Proença-a-Nova. Foto: mediotejo.net

Chow referiu que a CCPC-PME tem cerca de um ano, mas que tem como suporte a Liga dos Chineses em Portugal, uma entidade com quase 30 anos de atividade e que também lidera.

“Conseguimos desenvolver rapidamente com os conhecimentos, contactos e relações criadas no âmbito da Liga”, contextualizou o responsável, referindo que a Câmara de Comércio já tem 15 locais na China, em regiões distintas, aptos a estabelecer relações com Portugal, uma vez que ali têm representantes destacados para tal, sendo pessoas com “alguma relação e amizade a Portugal, estando dispostas a poder ajudar o país ao criar relações comerciais”.

Para já não há investimentos concretos, mas surgem ideias para parcerias com a Pinhal Maior, nomeadamente no âmbito do projeto de incentivo e apoio à agricultura biológica. “Se a região tiver capacidade de tentar desenvolver produtos transformados a partir de produtos biológicos, para poderem aguentar mais tempo, será um caminho que podemos estudar”, reconheceu Chow.

Por outro lado, o responsável frisou que em cima da mesa estão estudos sobre plataformas de vendas online. “Estamos a procurar parceiros para criar loja de venda online e tentar criar um stock na China”, referiu.

Vasco Estrela, autarca maçaense e presidente da Pinhal Maior, reconheceu que esta parceria em torno dos projetos de agricultura e produtos biológicos “pode abrir oportunidades para que os produtos possam ser comercializados de outra maneira, sendo transformados, porque não carecem de tantos cuidados em termos de armazenamento”, e nisto fala em exemplos como o azeite.

Foto: mediotejo.net

Em causa um projeto da Pinhal Maior, “Bio Berço da Lusitânia”, no âmbito da agricultura biológica, que o autarca diz terá desenvolvimentos em breve. “Se é um facto que em Mação, os produtos que para aqui virão [para a base logística disponibilizada pela autarquia] serão frescos e depois serão distribuídos, outras oportunidades vão ser abertas muito em breve na região, em Proença-a-Nova e Vila de Rei, mas também em Oleiros e na Sertã. É um projeto muito mais global, que a Pinhal Maior terá de divulgar com mais substância e irá nos cinco concelhos existir atividades e bases para que a agricultura no nosso território seja vista de maneira completamente diferente do que tem sido vista até agora”, começou por explicar.

O presidente da CM Mação reconheceu que poderão “criar-se oportunidades que ajudem a fixar pessoas, manter pessoas, a arranjar complementos importantes de rendimento”.

“Este protocolo com a CCPC-PME abre-nos também oportunidades, compete-nos agora a nós saber aproveitá-las”, concluiu Vasco Estrela.

Em Portugal, segundo o dirigente, já foram criados protocolos com intuito de trazer benefícios de negócios e investimentos para a China, mas também possibilitando mais-valias para o território e entidades portuguesas. Já estão estabelecidas parcerias com diversas regiões e associações empresariais, caso da CIM do Médio Tejo, com quem a CCPC-PME assinou acordo a 25 de janeiro na sede desta entidade intermunicipal, em Tomar.

Também com as Universidades de Coimbra e Porto foram estabelecidos protocolos, estando em cima da mesa avançar também com a Universidade de Aveiro.

Já na China, está previsto para breve estabelecer protocolo com a Associação de Pequenas e Médias Empresas que tem milhares de associados.

Foto: mediotejo.net

“Para podermos trabalhar melhor com as regiões e associações, não basta ser a CCPC-PME a trabalhar. Temos de ter parceiros comprometidos a cooperar para podermos trabalhar em conjunto, para internacionalizar para a China. Os empresários têm que mostrar vontade de trabalhar também”

ÁUDIO | Y Ping Chow, presidente da Câmara de Comércio PME Portugal-China e da Liga de Chineses em Portugal

Segundo Y Ping Chow, atualmente a Câmara de Comércio está a tentar criar um programa conjunto de internacionalização.

A CCPC-PME tem também intenção de, caso seja possível, criar um fundo de investimento que conjugue a agricultura/setor agroalimentar e o setor do turismo em Portugal, “é mais seguro, e tem também apoio de fundos europeus aos quais gostaríamos de concorrer”.

“Desde que existam empresas com espírito aventureiro e com capacidade de investimento, poderemos arranjar os parceiros certos para elas. Mas tudo isto precisa de um intermediário para estes projetos e todo o trabalho, e a Associação Pinhal Maior pode servir esse propósito, trabalhando diretamente com a Câmara de Comércio e permitir que conheçamos melhor a região, podermos tentar criar projetos em comum”, contextualizou, lançando o desafio para proximidade.

Foto: mediotejo.net

Y Ping Chow aproveitou a ocasião para deixar uma ‘dica’ ao Governo português, indicando que “não aproveita muito bem os imigrantes”, considerando que “se conseguir conciliar as pessoas que têm dinheiro para investir num projeto grande e se conseguir com apoios de entidades oficiais a legalização de pessoas de aldeias ou cidades mais pobres da China, tentando trazer pessoas com intenção de se fixarem em Portugal e de alcançar uma vida melhor, acho que não faltarão interessados”.

“Há muitos chineses pobres que também querem procurar melhores condições de vida. Mas o Governo português é que tem que aceitar esta ideia, de que não são só os Golden Visas [Vistos Gold] ou outros engenheiros ou doutores” que merecem essa oportunidade, concluiu Chow.

Nascida no seio da atual pandemia de covid-19, a Câmara de Comércio PME Portugal-China foi formalmente constituída a 7 de Maio de 2020, no Cartório Notarial de Condeixa-a-Nova. O Conselho Executivo da nova Câmara é presidido por Y Ping Chow, presidente da Liga dos Chineses em Portugal e representante da Comunidade Chinesa no Alto Comissariado da Migração, e o Conselho Estratégico é presidido por Bian Fang, CEO do Bison Bank, entidade financeira de capital chinês que opera em Portugal.

A CCPC-PME tem como destinatárias as Pequenas e Médias Empresas interessadas em exportar e importar de e para a China, e tem sede na vila de Condeixa, num espaço cedido pelo Município, e delegações em Lisboa e no Porto. Em território chinês também já foi acordado em Macau, Beijing, Shanghai e nas províncias de Henan, Hainan e Shangdong a criação de delegações da CCPC-PME.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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