Mação | Picareto de Ortiga navega a votos até às meias finais das 7 Maravilhas

Depois de ter vencido em casa, a 15 de agosto, a final regional do distrito de Santarém, concorrendo com as conterrâneas velas de Cardigos, o Picareto de Ortiga continua a navegar no concurso das 7 Maravilhas da Cultura Popular, seguindo rumo até às meias finais, o penúltimo passo até à fase final do concurso nacional. As votações abriram a 18 de agosto e prolongam-se até dia 30, dia em que decorrerá a emissão em direto a partir de Torres Novas, apurando os sete finalistas até às 19h00.

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O Município de Mação anseia por “um final feliz” para o tradicional barco ‘Picareto’, símbolo da comunidade ortiguense e de toda a tradição piscatória intimamente ligada ao rio Tejo, onde esta embarcação ganhava protagonismo em tempos idos, ajudando a criar e alimentar famílias inteiras que se dedicavam àquela faina. O número de valor acrescentado para votar é 760 207 755.

Recorde-se que Mação concorreu com sete patrimónios ao concurso das 7 Maravilhas da Cultura Popular, tendo saído vitoriosas as candidaturas do barco Picareto de Ortiga e das velas artesanais de Cardigos.

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O barco picareto foi mais longe, e como tal, entra de novo na corrida para mais uma eliminatória, desta feita em concurso com 14 finalistas regionais de todo o país.

Em nota de imprensa, a Câmara Municipal de Mação refere que o concelho “tem vivido momentos felizes e que a todos devem orgulhar! O concurso 7 Maravilhas da Cultura Popular tem sido uma feliz aposta, prova de que temos um património único e uma rica cultura popular”, lê-se.

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Vasco Estrela, presidente da CM Maçao, e Arlindo Marques, o ambientalista de Ortiga que apadrinhou a candidatura.

Agora, até dia 30 de agosto, decorre a semifinal, cujo desfecho se saberá numa emissão em direto a decorrer no Jardim das Rosas, em Torres Novas, com transmissão em direto na RTP1, e RTP Internacional, das 11h30 às 13h00 e das 15h00 às 20h00, e onde a tradicional festa da Benção do Gado, em Riachos, também se apresenta a concurso.

O Município de Mação apela ao voto, referindo que este é um momento “de extrema importância para todos nós”, ansiando “que Mação tenha o final feliz que merece com a tão esperada passagem à Final Nacional”.

“O nosso convite é que façam deste um objetivo vosso, de todos nós que somos e vivemos Mação. Levar o Picareto à Final, figurar na última destas fases é aquilo que todos queremos!”, pode ler-se.

O barco que nasceu das mãos dos calafates para fazer frente às águas do Tejo

Ti Manuel Fontes em Ortiga (Mação) a construir um barco picareto. Foto: Sérgio Durão

Comecemos por Ortiga, de onde surge o tradicional barco picareto, um barco utilizado para pesca no rio Tejo, e que era construído naquela freguesia para dar meio às famílias de pescadores para conseguirem ir para a faina ou para se atravessar de uma margem à outra, servindo de meio de transporte privilegiado à época.

A história dos picaretos de Ortiga funde-se com a história do último calafate dali, o conhecido Ti Manuel Fontes, falecido em janeiro de 2017 com 90 anos. Tinha nas mãos o engenho e arte para construir este tipo de embarcação, contando-se mais de 3 centenas os que saíram da sua oficina em Ortiga.

Segundo recolha do município de Mação, os picaretos surgem com este nome “por terem a forma de uma picareta agrícola”, ao longo de seis metros de comprimento. É um barco capaz de se adaptar facilmente às variações de caudal, pois trata-se de “um barco de aresta, com fundo chato podendo navegar com um palmo e água”. Demora cerca de 20 dias a ser construído, sendo necessárias cerca de 100 tábuas, o equivalente a 4 pinheiros.

A constituição deste barco tem a particularidade de ser dividida em dois leitos, sendo que “o mais largo é o leito grande onde, em cima, se trabalham as redes e, por baixo, se dorme”, enquanto o leito pequeno “é o da proa, onde se mete o serrão da «bucha» para comer e os sapatos, pois no barco é obrigatório andar descalço”.

Barco picareto está ligado umbilicalmente à história da aldeia ribeirinha de Ortiga, em Mação, aos seus calafates e pescadores. Foto: Sérgio Durão

“Os barcos picaretos são parte da nossa identidade, a par do Rio Tejo, sendo considerados autênticas obras de arte por conjugarem a experiência dos pescadores com a criatividade dos seus construtores. A técnica da sua construção passou de geração em geração e assumem-se hoje como um dos maiores bens da nossa história, com a certeza do seu fim, com a extinção dos calafates, que foram muitos”, sublinha a CM Mação sobre a candidatura, de um bem patrimonial que “trazia auxílio aos pescadores e comida às mesas e porque ainda cruzam as águas do nosso Tejo”.

A autarquia refere que, em homenagem às artes da pesca, aos pescadores, aos calafates e ao rio Tejo, irá ser inaugurado “em breve” o Núcleo Museológico de Ortiga, instalado na antiga escola primária, e que funcionará enquanto “pólo museológico das artes da pesca tradicional no rio Tejo, onde o picareto tem lugar de honra assumindo-se como peça principal”.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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