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Mação | Passadiço em Ortiga será novo atrativo junto ao Tejo e honra memória de antepassados (C/VIDEO)

O passadiço que integra o novo projeto turístico do concelho de Mação, a Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo, deverá estar concluído até final de junho. Instalado ao longo da margem direita do rio, aos pés de Ortiga, será fio condutor de uma visita com direito a miradouro sobre o curso de água, sobre as pesqueiras tradicionais e de ligação às Lagoas do Tejo. O objetivo é “devolver o rio às pessoas, mostrar, preservar as histórias, memórias e vivências da população do concelho, e em particular de Ortiga”, onde a pesca foi durante décadas o principal sustento das famílias, sendo além de tradição, parte da identidade de um povo e ícone do património local. A junta de freguesia vê com muito bons olhos este empreendimento, entendo que será o alavancar do desenvolvimento a nível turístico e económico, motivando uma nova dinâmica naquele território.

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Já é motivo de atração e são muitos os curiosos que têm aproveitado para dar uma escapadinha até ao novo passadiço em Ortiga, junto à Barragem de Belver, ao parque de campismo e à praia fluvial, ali ao lado da Linha da Beira Baixa.

Trata-se de um passadiço ao longo da margem direita do rio Tejo, enquanto fio condutor de uma visita junto ao rio, que permite alcançar as antigas pesqueiras tradicionais e que permite chegar às Lagoas do Tejo, ao fundo de Ortiga, onde a pastorícia sempre foi imagem de marca e onde os jovens aproveitavam para se banhar durante o verão.

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Uma parte do percurso será mais elevada, enquanto outra será sobreposta no trilho que já antigamente era pisado pelos pescadores e famílias que ali cumpriam com sucesso a faina para o ganha-pão.

Ao final do dia, o mediotejo.net decidiu acompanhar uma comitiva da Câmara Municipal, Junta de Freguesia de Ortiga e Associação Rotas de Mação junto a esta infraestrutura que irá servir muitos propósitos, mas que, acima de tudo, pretende aproximar as pessoas do Tejo.

A comitiva que acompanhou o mediotejo.net ao novo passadiço, incluindo o ortiguense e aclamado ‘Guardião do Tejo’, Arlindo Consolado Marques, Rui Dias (presidente da JF Ortiga), Vasco Estrela (presidente da CM Mação), e Leonel Mourato e Rui Moleiro (respetivamente, presidente e tesoureiro da Associação Rotas de Mação). Foto: mediotejo.net

Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, entende que este projeto irá permitir “falar do rio Tejo pela positiva, dando a conhecer o que o concelho tem de bom”. Trata-se de um projeto orçado em cerca de 329 mil euros. Este novo atrativo turístico conta com projeto da autoria do atelier Modo Associados arquitetura + engenharia, sediado em Sardoal.

Esta nova rota servirá de complemento ao recém-inaugurado Núcleo Museológico de Ortiga, que preserva o património da arte da pesca tradicional juntamente com as memórias e engenhos, caso dos barcos picaretos, obra calafate como o saudoso Ti’ Manuel Fontes. A rota estará ligada à rota pedestre de Ortiga Sul (PR 4), percurso já homologado pelas entidades oficiais.

O presidente da Câmara de Mação confirma que este era um projeto há muito ansiado, que visa contribuir para a estratégia de desenvolvimento turístico e socioeconómico do concelho.

“Fica a poucos metros da praia fluvial de Ortiga. Vamos ter um trajeto dedicado e exclusivo, com muita facilidade as pessoas vão poder ir de um ao lado, podem estar na praia e vir aqui usufruir e vice-versa. Também não podemos esquecer o Núcleo Museológico. Temos um projeto de interligação, onde as pessoas, ao virem ao passadiço, têm pelo menos mais dois ou três motivos de interesse para visitarem esta parte do concelho”, refere, quando a um infraestrutura que deixa aquele troço da zona ribeirinha acessível a todos.

Foto: mediotejo.net

Quanto à localização do passadiço, Vasco Estrela diz que a autarquia “não é insensível” a vários riscos aos quais o projeto está exposto, nomeadamente por estar implementando em zona de leito de cheia.

“É provável que possa vir a acontecer alguma cheia invadir este espaço, aliás, este inverno a água já andou por aqui, sabemos que há esse risco, como há em tudo o que fazemos na vida, e noutros passadiços que o país tem e que já sofreram vicissitudes várias”, admite.

O autarca reconhece que deverá ser feita “monitorização do espaço, tentar evitar que haja problemas de maior, e se algo de anormal acontecer, estarmos preparados para reparar e fazer com que as coisas não se deteriorem”, diz, lembrando que existem protocolos no âmbito do projeto Rotas de Mação, que inclui cooperação entre várias entidades, forças de segurança, instituições e associações no sentido de promover a preservação, vigilância e manutenção dos locais e envolvente.

“Neste espaço em concreto, pela sua especificidade, a Câmara terá de ter um acompanhamento muito mais próximo, precisamente pelo investimento realizado e pela especificidade e para preservar não só a sua envolvência, habitat e a própria infraestrutura pelos riscos de segurança e outros”, nota.

Além do passadiço, está a ser estudada hipótese de ser construído um miradouro, que integrará a rota pedestre adjacente, mas que não deverá ter ligação por passadiço. Esse miradouro permitirá observar o rio, e terá vista sobre a margem esquerda, nomeadamente sobre os campos e zona ribeirinha da freguesia de Alvega, já no vizinho concelho de Abrantes.

Foto: mediotejo.net

Esta Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo insere-se numa zona ribeirinha selvagem, onde praticamente não era habitual a presença humana além dos pescadores e aventureiros do pedestrianismo e trekking, e como tal é deixado um apelo aos visitantes, no sentido de preservarem o espaço e agirem com civismo, evitando deixar lixo e poluir.

“Todos nós esperamos que as pessoas tenham o máximo de civismo no dia-a-dia e em particular nestes locais (…) tentaremos sensibilizar nessa medida, a Associação Rotas de Mação sei que também tem muito interesse e é um dos objetivos fazer essa sensibilização. Aproveito para apelar que, neste e noutros locais dos percursos pedestres de Mação, como em qualquer parte do país ou da região, haja respeito por tudo aquilo que nos rodeia. Estes projetos só têm sucesso se realmente as pessoas vierem, puderem usufruir e ficarem com uma imagem agradável. Seguramente chegar a um local e ver lixo, plásticos, papel e máscaras, não deixa ninguém agradado”, apela.

Quanto ao feedback sobre esta obra, o autarca diz respeitar as opiniões divergentes sobre a construção do passadiço em madeira, bem como a sua localização e riscos que poderá acarretar. “Mas penso que as pessoas ficam muito agradadas com o que já está feito, e sabemos que há pessoas que já têm vindo verificar. Espero que quem aqui venha possa usufruir, gostar e que diga bem do concelho de Mação”, admite.

Este troço, de cerca de 1 km, marca o arranque de um projeto global da Grande Rota do Tejo, num projeto intermunicipal entre os concelho ribeirinhos da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, mas também representa uma vontade do Município, em particular de Vasco Estrela, para que os 14 km de margem ribeirinha do concelho pudessem estar ligados por uma rota que permita o usufruto da comunidade e visitantes.

“Há espaço para crescer e para fazer mais interações noutros locais, nomeadamente este troço que poderá ter ligação para a zona norte de Ortiga, temos também a Grande Rota do Tejo da qual este troço já é parte integrante. O que tentamos ir fazendo é algo de coerente ao longo das margens do rio. Tinha a ambição de que a população pudesse usufruir dos 14 km de margem do rio, não esquecendo a zona de Envendos, Barca da Amieira e São José das Matas. O meu objetivo era que fosse possível as pessoas vivenciarem o rio em toda a sua extensão nestes 14 km do concelho”, admite, indicando que esta é “uma mais-valia que Mação tem”.

Foto: mediotejo.net

Em Ortiga a notícia foi bem recebida pela larga maioria, conforme nota ao nosso jornal o presidente de Junta, Rui Dias. Acontece que em causa está o desvendar de um património que muito diz e orgulha as gentes daquela freguesia, que têm ali as suas raízes e origens, e cujas famílias dali tiraram o seu sustento.

“Traduz a história e o sustento da nossa freguesia, muita gente viveu do Tejo e do peixe que aqui pescava, das noites que aqui passaram e dos tormentos que aqui passaram também”, sublinha o presidente de junta, crendo que “é uma homenagem às pessoas que viveram do Tejo e é isso que queremos que fique para o futuro, é uma grande obra que temos de agradecer à Câmara Municipal de Mação. Retrata um pouco a alma da Ortiga, foi daqui que saiu o sustento para muita gente ser o que é hoje”.

Rui Dias diz que este projeto vai levar a um evoluir da freguesia, pois “a parte turística vai trazer tudo atrás, vai ser a parte económica, através da restauração, do alojamento, e vai dar outro ânimo. Não vai ficar por aqui, porque a Câmara Municipal também pretende requalificar a praia fluvial, e tudo conjugado, com o Núcleo Museológico na antiga escola primária, as Rotas de Mação, vai desenvolver o território e criar riqueza. Vamos saber tirar proveito deste projeto”, conclui.

O presidente de junta refere que estão a reunir-se condições para que, quando a pandemia permitir e houver maior desconfinamento, as pessoas poderão deslocar-se a Ortiga, cumprindo com as normas de segurança. “Principalmente pessoas de Ortiga que já cá não vêm há muitos anos, vão-se sentir felizes aqui. E outros cidadãos a nível nacional, que venham, para confirmarem a beleza natural desta zona ribeirinha que tanto nos diz. Vale a pena e é um dia bem passado”, garante, em jeito de convite.

Ortiguenses de gema, Leonel Mourato e Arlindo Consolado Marques – o Guardião do Tejo –  asseguram que este é um projeto que vai valorizar e revelar as potencialidades desta zona do concelho de Mação.

Foto: mediotejo.net

Da parte das Rotas de Mação, Leonel diz que há o compromisso de monitorização, vigilância e sensibilização para não poluição e não deposição de lixos na natureza. “Iremos ao longo da obra fazer eventos de limpeza com voluntários, para recolher todos os resíduos que encontrarmos e que são trazidas sobretudo pelo caudal Tejo, mas também pelas pessoas. O objetivo das Rotas é dar a conhecer Mação como concelho, mas da mesma forma que mostramos o que temos, teremos que preservá-lo”, diz.

O lema das Rotas de Mação é incutir a importância da preservação do meio ambiente no caminhante, pedestrianista, atleta ou simples visitante, e motivar a que a pessoa traga consigo o lixo que produz e que, depois de finalizar os percursos ou visitas, o deposite nos locais próprios, em contentores disponíveis junto às zonas edificadas e infraestruturas.

A Associação tem algumas ideias, que pretende propor à autarquia e à junta de freguesia, como entidades administrativas locais, no sentido de dinamizar aquele passadiço para o tornar único. “Queremos aqui contar uma história, o objetivo seria colocar ao longo do passadiço versos das pessoas da Ortiga, alusivas ao Tejo, desenhos, o nome das espécies e das pesqueiras, registando a memória de um povo e valorizando a cultura. Este passadiço poderá vir a ser um contador de histórias, adaptado a pessoas com mobilidade reduzida ou com dificuldade de locomoção”, indaga.

“A ligação entre o Tejo, o percurso pedestre, o passadiço, a barragem, as lagoas, a própria linha do comboio sendo que muitos ortiguenses e maçaenses trabalharam na ferrovia, acredito que podemos ter uma ligação em paz, com entendimento geral entre todos, e ter um ganho muito grande para o concelho”, crê o presidente da direção da Associação Rotas de Mação.

O projeto servirá de complemento ao Núcleo Museológico de Ortiga, inaugurado em dezembro de 2020, além de integrar o projeto Rotas de Mação, da associação homónima; complementará ainda a Grande Rota do Tejo que está a ser desenvolvida em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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