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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

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Mação | O mundo da solidariedade social e da justiça veio aos municípios afetados pelos incêndios falar de futuro (C/VIDEO)

Mação acolheu um Encontro Internacional de Solidariedade Intergeracional com dezenas de especialistas de todo o Mundo no campo social, que se dividiram em conferências descentralizadas por alguns dos municípios afetados pelos incêndios, como Mação, mas também Abrantes, Sardoal e Gavião. A iniciativa, dinamizada pelo médico maçaense Luís Patrício, até começou em Lisboa, mas teve o seu epicentro no mundo rural, com dezenas de colóquios e conferências a decorrerem durante dois dias intensos por terras carenciadas de conforto, perspetivas de futuro, e sinais por onde definir o rumo a seguir.

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A missão, dinamizada e coordenada por Luís Patrício, um médico maçaense com um coração do tamanho do Mundo, não só enriqueceu as gentes e os profissionais que habitam e trabalham no interior do País, como também fez os especialistas de todo o mundo saírem mais ricos desta região.

Os municípios de Mação, Abrantes, Sardoal e Gavião receberam o programa do ‘Encontro Internacional de Solidariedade Intergeracional: Saúde Mental, Comportamentos de Risco, Adições, Tratamento e Recuperação’, uma iniciativa que decorreu entre os dias 20 a 22 de setembro sendo que parte substancial do programa passou exatamente por Mação com o Simpósio: Educação, Civismo e Cidadania. Na sessão de sábado, figuras conhecidas do mundo  da intervenção social, da saúde e da justiça, entre outros, estiveram em Mação, sendo de mencionar, entre muitos outros, as presenças de Manuela Ramalho Eanes, do juízes Armando Leandro e Carlos Alexandre, do médico-ciurgião João Patrício, ou do presidente da ARS Centro, a título de exemplo.

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Foto: mediotejo.net

Em declarações ao mediotejo.net, o médico Luís Patrício, dinamizador e coordenador do Encontro internacional intergeracional, refere que o mesmo visa a “promoção da partilha de conhecimentos” na Região de Lisboa e no Interior de Portugal, abrangendo temas sociais no âmbito da Educação, Saúde e Bem-estar, Sociedade e Cidadania, em que “também se debate o que não está escrito”. E que foi falado, sem peias, neste encontro internacional.

Uma iniciativa com o contributo de profissionais no âmbito da Saúde e da Educação, bem como outros intervenientes sociais e agentes culturais, portugueses e estrangeiros, reunidos por solidariedade e que participam a expensas próprias vindos da Alemanha, Austrália, Brasil, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Polónia.

Questionada pelo mediotejo.net sobre a sua presença em Mação, Manuela Eanes, Presidente Honorária do Instituto de Apoio à Criança, disse que foram “muitas razões” que a trouxeram ao Centro Cultural Elvino Pereira, naquela manhã de sábado.

“Para já toda a minha vida de trabalho foi sempre na área da solidariedade. Mas depois há outra razão muito forte. Eu sou amiga do Luís Patrício e da Luísa há 40 anos e acho que ele é uma pessoa com um dinamismo e uma energia fantástica e a grande referência de trabalho em relação a este problema da droga, álcool, etc. e tem feito um trabalho excecional. Aliás no departamento onde estava, no Instituto da Criança, fizeram o primeiro congresso que houve em Portugal sobre o problema da droga. Foi feito por nós. Por outro lado, acho que a solidariedade entre gerações é fundamental. Deve ser a grande prioridade de um país e de uma comunidade e realmente eu sei o que isto implica de trabalho, de organização, mas o Luis tem aquela energia toda e consegue”, frisou.

Foto: mediotejo.net

“Acho que é um exemplo fantástico o que está a acontecer aqui hoje”, destacou Manuela Eanes. “Ontem fui ao Porto, tivemos um lançamento de um livro e depois uma conferência, deitei-me eram 2 da manhã, na minha idade já custa um bocadinho ter de levantar às 7h, mas aqui estou com o maior gosto porque acho que nós não podemos ser passivos. Temos que dar o nosso melhor para que à nossa volta também aconteçam coisas melhores”, defendeu, sorridente.

O Juiz Conselheiro Jubilado do Supremo Tribunal de Justiça, Armando Leandro, que também foi diretor do Centro de Estudos Judiciários e Presidente da Comissão de Jovens em Risco, foi convidado para falar do tema ‘Pensar para estimular: Cidadania e Educação’, numa intervenção que, a exemplo das demais, não só prendeu a atenção de todos os presentes como motivou uma série de questões no final da mesma, num diálogo entre as gentes de Mação e o juiz conselheiro que visava, por um lado, agradecer a partilha do seu saber de experiência feito, como também, por outro lado, pedir conselhos e sugestões sobre diversas matérias ligadas ao campo social, da saúde mental, da autoestima, e da justiça.

“Este tema está relacionado com o tema central da saúde mental… será necessário pensar nisso em relação a este tema e com a forma criativa, generosa, afetiva e lúcida como o doutor Luís Patrício organizou isto, estendendo [o evento]a várias comunidades locais desta bela região”, começou por referir Armando Leandro.

Foto: mediotejo.net

“Está bem escolhido o tema porque é essencial pensar estas problemáticas. É evidente que é importante sentirmos. E para sentirmos bem temos também de pensar. Para quê? Porque só pensando é que poderemos estimular, projetar e agir. Pensar bem… mas bastará pensar bem individualmente? Não. É preciso individualmente e coletivamente. A partir de quê? De uma informação fundamentada para que tenhamos conhecimentos. Estes conhecimentos não são apenas dos técnicos e especialistas. São conhecimentos interiorizados pela população, pelo cidadão. Porque são a partir desses conhecimentos e das emoções positivas que temos o indispensável espírito critico. E nós devemos, aos jovens de hoje, ajudá-los a criar o que é fundamental: o espírito critico”, defendeu.

“E no momento civilizacional em que vivemos isso é cada vez mais importante. A verdade é que, os nossos jovens têm muitos estímulos, muito positivos, mas têm alguns negativos. Portanto só podemos ajudá-los. Se os auxiliarmos a ter espírito critico, a saber conhecer para escolher, e para escolher em função de valores”, afirmou, numa intervenção muito aplaudida.

Para o autarca Vasco Estrela, presente ao longo das várias sessões que decorreram no concelho a que preside, este Encontro Internacional foi, “antes de mais, gratificante. Os meus agradecimentos em nome do município de Mação, a todas as pessoas que estão neste seminário. A minha primeira palavra é para vincar a solidariedade destas pessoas e o objetivo de não deixar esquecer o que aconteceu no nosso concelho e na nossa região, tiveram este gesto solidário de vir debater temas importantes como a droga, a toxicodependência, o alcoolismo, a solidariedade, a responsabilidade, a ética, a comunicação social, as artes e um conjunto de temas que foram aqui debatidos mas, e ao mesmo tempo fazendo neste contexto de solidariedade com que o país não esqueça aquilo que aqui sucedeu. E, portanto, estamos todos gratos por esta iniciativa, o maçaense Luís Patrício conseguiu reunir à sua volta um conjunto de especialistas nestas matérias e que dão também a sua faceta humanista e solidária”, frisou.

Foto: mediotejo.net

No final, o mediotejo.net ouviu também as palavras do organizador e grande mentor deste encontro internacional de solidariedade social, o médico maçaense Luís Patrício.

“O que se passou ontem na escola do Sardoal, na Escola de Mação… durante a tarde e a noite aqui em Mação foi de facto muito bom. A sessão aqui terminou à 1 da manhã, um debate com a drª Inês Fontinha, tivemos de dar por terminado o debate, e hoje de manhã, às 9h00, no Gavião começou a sessão e o presidente da Câmara convidou os bombeiros para irem assistir. Depois em Abrantes, de manhã também tem estado a decorrer um seminário de psicanálise…. Fazer um seminário de psicanálise em Abrantes não é fácil, mas fez-se e está a acontecer com profissionais de Brasil, Portugal e França e Dinamarca… é qualquer coisa também que nos orgulha”, referiu, relativamente aos eventos sucessivos e simultâneos que decorriam em vários concelhos.

Foto: mediotejo.net

“Aqui em Mação, esta sessão está quase a terminar… agora sobre as questões da vida, da ética, dos modelos… e a finalizar a desumanidade ou a falta de sentido na proibição. É preciso pensar…. Imaginem que querem proibir o vinho do Porto… não faria sentido. Vale a pena pensar o que fazemos, o que é que tem acontecido e o que é necessário acontecer. Temos de aumentar responsabilidades.  Aproveito para dizer que vieram por sua iniciativa colegas de vários países, França, Espanha, Itália, Dinamarca, Austrália, Caraíbas, Brasil Polónia, Bulgária, enfim, e conseguiram-se criar ou recriar novas amizades. As pessoas estão satisfeitas…. E agora vamos plantar árvores que é um dos fundamentos deste encontro internacional com o exemplo na reflorestação”, concluiu, visivelmente satisfeito, e seguindo para outros dos painéis que o aguardavam e para a plantação das árvores solidárias que inspirarão o futuro de toda uma região.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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