Mação | Ludmila e Paulo fizeram de Rouqueira a segunda casa e ali voltaram a casar

Ludmila e Paulo voltaram a casar em Rouqueira, aldeia de Carvoeiro, Mação, onde compraram casa para férias. A população afiança que se tratou do primeiro casamento ali celebrado, algo que foi motivo de regozijo. Foto: DR

Há quatro anos, Ludmila Pinho e a família, do Montijo, procuravam casa para comprar, enquanto segunda habitação, no Alentejo. Já tinham visitas agendadas. Acontece que, por indicação de um primo que havia iniciado construção de uma casa há mais de 10 anos em Mação, e que nunca a terminara, quis o destino que a pacata aldeia de Rouqueira, freguesia de Carvoeiro, se cruzasse no caminho da família. Foi “amor à primeira vista”.

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Tanto que Ludmila e a família se sentem parte da comunidade, não deixando para trás um fim-de-semana sem ali regressar. Afeiçoou-se de tal forma àquela terra que, ultrapassado um problema de saúde, pagou uma promessa à Nossa Senhora da Saúde, casando na capela de Rouqueira pelas bodas de porcelana, 20 anos depois do casamento por civil. A população ficou extasiada com o acontecimento, que encheu de alegria e cor as ruas da aldeia. Há quem assevere que este foi o único casamento alguma vez ali celebrado.

Ludmila, 44 anos, e Paulo, 47, são de Montijo. Compraram a casa na Rouqueira há 4 anos, mas nunca tinham vindo a Mação, nem têm ligações familiares ao concelho ou região.

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“Andávamos à procura de casa de férias no Alentejo, tínhamos visitas agendadas. E, por altura do meu aniversário, em conversa com um primo, soubemos que este havia começado a construir casa na Rouqueira, há cerca de 10 anos. Estava por terminar”, contou Ludmila ao mediotejo.net.

Ludmila quis celebrar as bodas de porcelana, casando a 15 de agosto na capela de Rouqueira, e cumprindo com uma promessa feita há dois anos a Nossa Senhora da Saúde. Foto: DR

Foi através dele que surgiu a possibilidade de adquirir aquela propriedade, e logo decidiram ir vê-la. E foi ponto assente que seria ‘a casa’. Agora, não passam sem vir passar uns dias à aldeia e aproveitar o que a região tem para oferecer. Aos fins-de-semana costumam lá estar e ali passam as férias grandes de verão, fugindo da azáfama da cidade.

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Apesar dos problemas de rede e internet, que apoquentam os filhos – Guilherme, de 16 anos, e Cristóvão, de 10 anos – depois de 3 ou 4 dias ali, Ludmila admite que é também para esse retiro que a nova casa serve, para desligar da rotina do dia-a-dia, no centro urbano do litoral. “Também é para isso que os tiramos do Montijo, já convivem com a internet todos os dias”, afirma.

Quanto à integração na aldeia, com cerca de uma dezena de habitantes e sem crianças ou jovens ali a residir a tempo inteiro, diz que a receção não poderia ter sido melhor. “Foi muito bom, as pessoas são muito boas, espetaculares e muito atenciosas e prestáveis. Já nos sentimos parte da Rouqueira, uma aldeia que eu acho linda, linda”, diz.

O casal, empresários por conta própria na Moita e detentores de um snack-bar, logo encontrou semelhanças com um vizinho, reformado da PSP e que esteve muito tempo no Montijo. Logo se estabeleceu relação de confiança.

Nos fins-de-semana e nas férias, outros filhos da terra regressam para rever familiares e amigos, e ali Ludmila e a família encontram pontos comuns: o regresso das grandes cidades à serenidade e descanso na aldeia.

A capela da aldeia foi decorada por Ludmila, personalizando tudo para o casamento. Foto: DR

E foi no meio desta serenidade que encontrou forma de aliviar a preocupação com um problema de saúde. Há 2 anos fez uma cirurgia a um tumor no ovário, e logo prometeu que “se tudo corresse bem e não fosse maligno, iria voltar a casar pela Igreja, comemorando as bodas de porcelana e pagando a promessa feita a Nossa Senhora da Saúde”.

O que desconhecia é que, dizem as pessoas da aldeia, este foi o primeiro casamento alguma vez ali celebrado. Motivo de regozijo e festa das gentes de Rouqueira, que acorreram às redes sociais para divulgar o feito, orgulhosos dos novos conterrâneos e endereçando votos de felicidades.

A família continua a aproveitar as férias de verão, e a trabalhar na reconstrução da casa, que está a deixar ao seu gosto. Depois da festa com amigos chegados, com direito a fotógrafo, bolo e beberete, está a viver “a lua-de-mel” por terras maçaenses, percorrendo o território, entre as praias fluviais, o afamado Pego da Rainha, a vila de Cardigos, o baloiço panorâmico e o Parque de Merendas do Brejo, entre tanto mais que há por desvendar.

A festa foi recatada, por forma a cumprir com os cuidados a ter em tempo de pandemia. Mas não faltou beberete para os convidados, com bolo de casamento e até sessão com o fotógrafo. Foto: DR

“Até já fomos daqui à Serra da Estrela. É muito mais perto!”, contou Ludmila, reconhecendo tratar-se de uma região tão central que rapidamente ajuda a chegar a qualquer ponto, a norte ou a sul do país.

Esta opção, garantem, “foi uma aposta ganha”, e o futuro promete ser risonho entre o silêncio e o céu estrelado de Rouqueira, e o movimentado quotidiano no Montijo. Havendo saúde, tudo se faz. Mantendo no Interior o refúgio que tantos ambicionam e procuram, ainda mais em tempo de pandemia.

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