Mação | Juiz Carlos Alexandre e Arlindo Consolado Marques apadrinham candidaturas às 7 Maravilhas

Juiz Carlos Alexandre e Arlindo Consolado Marques apadrinham candidaturas de Mação às 7 Maravilhas

O concelho de Mação tem o coração a bater a dobrar no concurso 7 Maravilhas da Cultura Popular, uma vez que estão nomeados para as finais regionais do distrito de Santarém o barco picareto de Ortiga e as velas artesanais de Cardigos. O município convidou para padrinho da candidatura do picareto o Guardião do Tejo, Arlindo Consolado Marques, enquanto que o juiz Carlos Alexandre apadrinha a candidatura das velas de Cardigos. A votação para as finais do Distrito de Santarém termina no dia 15 de julho, dia em que se conhecerá o Finalista Regional.

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O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, admitiu na passada reunião de executivo camarário que a emissão do dia 15 de julho deverá acontecer a partir de Mação, com todas as restrições e medidas de segurança emanadas pelas autoridades de saúde.

“Há a probabilidade de dia 15 de julho ser feito o programa em Mação, já houve contacto da produtora connosco e já conversámos com a autoridade de saúde para perceber se não haverá algum problema em relação a isso, há um caderno de encargos que também deveremos cumprir. Mas é muito provável que dia 15 o programa seja transmitido de Mação”, explicou, estando esperançoso que Mação consiga passar à final regional.

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Sobre os padrinhos, Vasco Estrela referiu que Arlindo Marques é uma pessoa que “todos conhecem enquanto Guardião do Tejo, que lutou pela causa do rio Tejo, e estando muito ligado às tradições de Ortiga, de onde é natural, com conhecimento profundo sobre o picareto e a arte da pesca”, sendo também uma pessoa “muito seguida nas redes sociais fruto do trabalho que desenvolve em prol do Tejo, e entendemos que era a pessoa adequada”.

Quanto às velas de Cardigos, foi escolhido pelo município o juiz Carlos Alexandre, que aceitou “de bom grado” o convite. “É uma pessoa muito ligada à terra e às tradições, não tem propriamente uma ligação concreto a Cardigos, nem às velas, mas tem ligação ao concelho e reúne os requisitos que a produção do programa pede que sejam seguidos. Alguém que ajudasse a promover, tivesse ligação ao território e à causa, e pudesse ser potenciador da candidatura. Achamos que preenche esses requisitos e é com muito orgulho que o recebemos nesta causa”, indicou Vasco Estrela.

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“As nossas duas candidaturas vão estar a competir uma com a outra, e o nosso coração bate por dois. Temos dois filhos gémeos que temos de fazer com que sobrevivam, sabendo que só um deles pode ter sucesso. Vamos tentar dar todas as condições às duas candidaturas ao nível da promoção, vamos fazer uma promoção conjunta, apelando ao voto”, disse, notando que foram criadas duas comissões, uma para cada candidatura, com representação do município, os padrinhos e pessoas locais para ajudar a potenciar o projeto.

Foto: CM Mação

A última palavra está do lado do público, com uma linha telefónica a ser atribuída na RTP para a votação dos patrimónios, e daqui sairá o resultado.

“O que é importante é que cheguemos ao dia 15 de julho com a consciência que de tudo fizemos para as candidaturas de Mação terem um excelente resultado e que uma delas seja a vencedora”, afirmou o edil.

Quanto às candidaturas, são as restantes do conjunto de sete que o município submeteu, tendo ido avante nas últimas eliminatórias, onde concorriam mais de três dezenas de patrimónios da região do Médio Tejo.

Comecemos por Ortiga, de onde surge o tradicional barco picareto, um barco utilizado para pesca no rio Tejo, e que era construído naquela freguesia para dar meio às famílias de pescadores para conseguirem ir para a faina ou para se atravessar de uma margem à outra, servindo de meio de transporte privilegiado à época.

A história dos picaretos de Ortiga funde-se com a história do último calafate dali, o conhecido Ti Manuel Fontes, falecido em janeiro de 2017 com 90 anos. Tinha nas mãos o engenho e arte para construir este tipo de embarcação, contando-se mais de 3 centenas os que saíram da sua oficina em Ortiga.

Uma das muitas réplicas em ponto pequeno que Manuel Fontes, o último calafate de Ortiga, foi fazendo. Muitas são as pessoas que de propósito vinham a Ortiga conhecer a oficina e buscar a sua obra de arte. Mação vai homenagear esta arte no Núcleo Museológico a abrir em breve, instalado na antiga escola primária da localidade. Foto: CMM

Segundo recolha do município de Mação, os picaretos surgem com este nome “por terem a forma de uma picareta agrícola”, ao longo de seis metros de comprimento. É um barco capaz de se adaptar facilmente às variações de caudal, pois trata-se de “um barco de aresta, com fundo chato podendo navegar com um palmo e água”. Demora cerca de 20 dias a ser construído, sendo necessárias cerca de 100 tábuas, o equivalente a 4 pinheiros.

A constituição deste barco tem a particularidade de ser dividida em dois leitos, sendo que “o mais largo é o leito grande onde, em cima, se trabalham as redes e, por baixo, se dorme”, enquanto o leito pequeno “é o da proa, onde se mete o serrão da «bucha» para comer e os sapatos, pois no barco é obrigatório andar descalço”.

“Os barcos picaretos são parte da nossa identidade, a par do Rio Tejo, sendo considerados autênticas obras de arte por conjugarem a experiência dos pescadores com a criatividade dos seus construtores. A técnica da sua construção passou de geração em geração e assumem-se hoje como um dos maiores bens da nossa história, com a certeza do seu fim, com a extinção dos calafates, que foram muitos”, sublinha a CM Mação sobre a candidatura, de um bem patrimonial que “trazia auxílio aos pescadores e comida às mesas e porque ainda cruzam as águas do nosso Tejo”.

A autarquia refere que, em homenagem às artes da pesca, aos pescadores, aos calafates e ao rio Tejo, irá ser inaugurado “em breve” o Núcleo Museológico de Ortiga, instalado na antiga escola primária, e que funcionará enquanto “pólo museológico das artes da pesca tradicional no rio Tejo, onde o picareto tem lugar de honra assumindo-se como peça principal”.

Foto: Velas Condestável

Também nomeadas, na categoria de Artesanato, estão as velas de Cardigos, vila maçaense com tradição no que à fabricação de velas diz respeito e onde ainda existem três empresas a laborar, vendendo para todo o país.

Acompanhando o ritmo dos novos tempos, algumas já são mais industrializadas, mas há ainda quem aposte no fabrico artesanal, caso de António Silva, de 86 anos, da Fábrica de Velas Condestável.

Da Ladeira de São Bernardo, saem velas “em grande parte para Fátima”. São produzidos dois tipos de velas, “as mais amareladas, que vão para Fátima e as brancas de primeira qualidade. Um dos segredos e brio de António é utilizar apenas boa matéria-prima sendo que foge à “moda” da parafina”, refere o município.

O mestre António ainda utiliza a máquina antiga, que usa em demonstrações nas feiras e festas de concelho, onde mostra a secagem de 16 velas de cada vez.

António Silva, de 86 anos, da Fábrica de Velas Condestável continua a produzir velas artesanais, em Cardigos. Foto: DR

“É no antigo lagar, que funciona de forma similar aos lagares antigos de azeite que é transformada a cera em bruto: derrete-se a cera suja, para as ceiras de onde escorre novamente cera líquida para as travessas em que segue para a máquina que molda e dá forma à cera, com o tamanho e forma que se quer”, recorda a autarquia sobre esta candidatura.

Esta é uma tradição com história, e que vai já na terceira geração, com o neto de António Silva a acompanhar os negócios e a trabalhar na adaptação às novas tecnologias, assente “no saber-fazer antigo”.

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