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Segunda-feira, Novembro 29, 2021

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Mação | Investigadores preocupados com peças falsas em coleções arqueológicas

Dezenas de arqueólogos e investigadores internacionais debateram durante dois dias, em Mação, o património e as coleções arqueológicas, tendo manifestado preocupação com o número de peças falsas detetadas nos acervos e defendido necessidade de legislação para resolver o problema.

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“Uma das conclusões da comunidade científica é a enorme volume de peças falsas ou que derivam da falta de um contexto arqueológico e que integram as coleções, privadas e não só, e o que se defendeu foi, por um lado, legislação que permita minimizar o problema, mas também tentar perceber qual o valor real destas peças, e o que se pode e deve fazer com elas, uma vez que têm um valor mais estético que outra coisa”, disse à agência Lusa a coordenadora geral das Jornadas Iberoamericanas de Arqueologia e Património, a arqueóloga Sara Cura, tendo referido que as conclusões do encontro internacional “vão ser remetidas à UNESCO, como recomendações”.

A arte rupestre, o património, as coleções arqueológicas e a importância didática da manipulação de peças “sem contexto arqueológico”, a par da educação patrimonial e a importância dos drones na arqueologia, foram alguns dos temas em debate nas XIII Jornadas Ibero-Americanas de Arqueologia e Património, que decorreram em Mação, no distrito de Santarém, nos dias de segunda-feira e terça-feira.

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Segundo Sara Cura, do Museu de Arqueologia e Arte de Mação, “só as peças encontradas numa escavação arqueológica, no local, dentro de terra, acompanhadas ou não de outros objetos e de matéria orgânica, logo, em contexto, permite fazer datações e estudos de análise que caracterizam a arqueologia enquanto campo do saber multidiscipinar, ao contrário das peças cuja proveniência é desconhecida”.

Aquela responsável disse ainda que as falsificações “são um problema e uma das preocupações da comunidade científica porque são a maioria das peças que integram as coleções privadas. Só uma escavação arqueológica pode assegurar que uma peça é verdadeira”, defendeu.

Investigadores como Sara Cura, Henrique Mourão e David Delfino manifestaram em Mação preocupação com peças falsas em coleções arqueológicas. Foto: mediotejo.net

O Museu de Arte Pré-Histórica de Mação foi o local de encontro deste seminário internacional que reúne dezenas de arqueólogos, antropólogos e especialistas da América do Sul, Portugal, Itália e Espanha, tendo o investigador Davide Delfino relatado as “Ilusões, surpresas e valorização de uma coleção privada de arte antiga”, abordando o caso da Coleção Estrada.

“A Coleção ‘Estrada’, que conta com mais de 5.000 peças recolhidas ao longo de 30 anos por parte do seu proprietário, foi alvo de catalogação, avaliação e estudos de pormenores por parte de uma equipa de arqueólogos, finalizando a integração desta coleção no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (M.I.A.A.), em Abrantes, em conjunto com a coleção de arqueologia da Câmara Municipal de Abrantes.

“Apesar de ter encontrado vários tipos de peças falsas, a Coleção revelou alguns acervos de peças autênticas, que ajudariam o M.I.A.A. a integrar a coleção de arqueologia municipal num percurso museológico completo sobre as civilizações pré-clássicas, clássicas e pós-clássicas”, disse o arqueólogo italiano.

Além disso, defendeu, “as peças falsas de qualidade serão úteis para criar uma sala didática dedicada ao gosto das cópias de peças antigas no séc. XX.”, clássicas e pós-clássicas”.

O jurista brasileiro Henrique Mourão, do Instituto Terra e Memória (ITM) do Brasil abordou as “antiguidades com proveniência desconhecida”, tendo referido que “as normas da UNESCO, que ambicionam ser de caráter moral e universal, têm como características a generalidade, as contradições e as crenças, em alguns casos ingénuas”.

Segundo afirmou, “mesmo diante de inúmeros dilemas, os propósitos originais dos Tratados da entidade vêm sendo defendidos pela Comunidade Internacional com a convicção de que o crescimento do comércio de objetos oriundos de escavações sem controlo científico estaria na ineficácia do sistema legal, que permite a impunidade”.

Para Mourão, “a solução ainda mais aceite é o recrudescimento dos esforços no combate ao comércio ilegal de bens culturais (que seria conexo ao tráfico de armas, de drogas e de lavagem de dinheiro), com a certeza de que as leis podem impedir o acesso das pessoas aos objetos. Uma sociedade em que ninguém consegue vender os objetos, ninguém consegue comprar – elimina-se, assim, o saque dos sítios de interesse para a arqueologia”, defendeu, em conclusão, o jurista brasileiro.

A organização das XIII Jornadas Iberoamericanas esteve a cargo do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação, Instituto Terra e Memória e Câmara Municipal de Mação, em parceria com o Centro de Geociência da Universidade de Coimbra, Instituto Politécnico de Tomar e entidades sul-americanas (UNESC, Espaço Arqueologia, Documento Arqueologia, UFSM e LEPAARQ) e espanholas (ACINEP).

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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