Mação | ‘Guardião do Tejo’ agraciado com Prémio de Cidadania pela Assembleia Municipal (C/VIDEO e FOTOS)

Em sessão ordinária no auditório do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação, a Assembleia Municipal atribuiu na segunda-feira, dia 18 de fevereiro, o Prémio de Cidadania a Arlindo Consolado Marques pelo seu trabalho de cidadania ativa em prol do rio Tejo. O “Guardião”, natural de Ortiga, foi aplaudido de pé por alunos, docentes e eleitos, aproveitando para incentivar os jovens a fazerem a sua parte, sem medos, em prol de um futuro melhor.

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José Saldanha Rocha (PSD), presidente da mesa de Assembleia Municipal, dirigiu-se a Arlindo Consolado Marques, presente no auditório e sentado junto dos deputados municipais, frisando “a postura que tem tido ao longo dos últimos meses e a atitude para com o rio Tejo”, admitindo admirar a sua coragem por “defender um património de todos, que é o rio”.

Para além de contextualizar o motivo para a instituição e atribuição do prémio, Saldanha Rocha dedicou algumas palavras de Bertholt Brech ao “Guardião do Tejo”, que prontamente tem respondido “ao grito” do rio que clama por ajuda.

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“Dizem violentas as águas deste rio, mas nada dizem das margens que as comprimem”

Por seu turno, Vasco Estrela (PSD), presidente da Câmara, falou em nome do executivo municipal, agradecendo tudo o que o maçaense tem feito, referindo que “todos sabem no concelho, região e país a importância do trabalho que o Arlindo fez, o facto de ter dado o corpo às balas, de ter denunciado, muitas vezes com riscos pessoais evidentes”, disse, acrescentando que muitas pessoas também ajudaram e colaboraram nesta sua jornada.

Ainda assim, o autarca frisou que “se não fosse a sua valentia e vontade de denunciar” não seria possível hoje a Câmara poder retomar o Festival da Lampreia e os pescadores assumirem um rio muito diferente para melhor, considerando que o trabalho do ambientalista foi “fundamental” para a atualidade.

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Vasco Estrela não deixou de lembrar que Arlindo Consolado Marques tem sofrido consequências destes seus atos de cidadania ativa, nomeadamente o processo que enfrenta em tribunal após ação interposta pela empresa Celtejo, de Vila Velha de Ródão, que exige 250 mil euros de indemnização a Arlindo por alegada difamação.

O ambientalista, guarda prisional de profissão, foi caracterizado pelo autarca maçaense como “exemplo de resistência” e de “como a cidadania e a comunidade podem contrariar aquilo que por vezes se pensa impossível de alterar”.

João Filipe, líder da bancada do PS e também natural de Ortiga, como Arlindo Marques, mencionou, dirigindo-se aos alunos da plateia, que da ação do ambientalista se podem retirar “lições de vida”.

O eleito socialista disse ainda crer que, não fosse o processo da empresa de Vila Velha de Ródão, e os problemas de poluição no rio não teriam alcançado o mediatismo que tiveram, fazendo notar que fora graças ao processo contra Arlindo Marques que se levou o tema “para planos nacionais e até internacionais”.

Pela bancada do PSD, o deputado Duarte Marques referiu que o Prémio de Cidadania, instituído pela primeira vez e atribuído  a Arlindo Marques, só voltará a ser entregue “quando houver alguém que o justifique, que se destaque” e que sirva de não só de agradecimento, mas também de exemplo de cidadania para os mais jovens.

“Se todos nós fizermos um bocadinho do que [Arlindo Consolado Marques] fez,já estamos a fazer melhor”

Duarte Marques louvou a persistência do maçaense que “todos os dias, a toda a hora, em todos os momentos” não perdeu o foco “na perseguição aos poluidores”.

“Este prémio significa o quão gratos todos estamos neste concelho pela tua ação e isto não tem preço”, frisou o deputado, que tem também assento na Assembleia da República e lidou de perto com esta matéria.

O deputado do PSD relembrou que a Assembleia Municipal de Mação sempre esteve ao lado do ambientalista, uma vez que, aquando do processo interposto pela Celtejo, fora aprovada por unanimidade uma moção de solidariedade, que dizia que  “os eleitos locais estavam ao lado do Arlindo e uma acusação contra o Arlindo é contra nós”.

Por fim, foi apresentado o spot de rádio, feito por alunos, na edição de 2018 do concurso “Põe a tua terra nos píncaros – Um herói da tua terra”, organizado pela Rádio Miúdos em colaboração com a Rede de Bibliotecas Escolares.

Tendo o Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, de Mação, concorrido com o “herói” Guardião do Tejo, Arlindo Consolado Marques, foi passado durante a sessão de Assembleia, antes da entrega do prémio, o projeto que esteve entre os vencedores da edição deste concurso.

Arlindo Consolado Marques não escondeu a emoção e orgulho em ser reconhecido na sua terra e pelos seus, referindo que apesar de já ter recebido outros prémios, este “é o mais importante de todos” pois vem do seu concelho.

O ortiguense disse que estava “em casa” e considerou este prémio como “muito, muito importante” nomeadamente pelo facto de se concretizar nas visíveis melhorias do rio.

“O rio que conhecem, neste momento, está 99% melhor do que estava”, afirmou, referindo, vitorioso, ter apanhado ameijoas do rio, passados seis anos depois de ter constatado que tinham desaparecido.

Em declarações ao mediotejo.net mostrou dificuldade em ter palavras para descrever o que sentia com este reconhecimento. Ainda assim, foi com brilho nos olhos que salientou “Mação está comigo, os cidadãos estão comigo (…) Somos todos Arlindo, como se costuma dizer”.

Quanto à luta que iniciara em 2013/2014, Arlindo Marques diz que “enquanto tiver saúde” irá continuar “a andar no rio”, pois “se não for todos os dias ao rio” não fica satisfeito, pois precisa “controlar, ver a evolução das águas, do peixe… continuar a fazer tudo exatamente igual, porque é lá que me sinto bem”.

Agora outra luta terá pela frente, estando já convocado para uma audiência prévia a 7 de março, na comarca de Santarém, sobre a ação judicial interposta contra si pela Celtejo, e estando a trabalhar com o seu advogado para provar que tudo o que o que denunciara é verdade, recorrendo até à última instância para não indemnizar em 250 mil euros a empresa que continua a afirmar ser prevaricadora e atentar contra a salubridade das águas do Tejo.

Recorde-se que, em novembro de 2018, Arlindo Marques foi também distinguido pela Confederação das Associações de Defesa do Ambiente com o Prémio Nacional do Ambiente.

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