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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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Mação | Gravura rupestre do Cavalo do Paleolítico foi descoberta há 21 anos no vale do Ocreza

Esta segunda-feira, 6 de setembro, assinalam-se os 21 anos da descoberta da primeira gravura rupestre paleolítica no Vale do Ocreza, na freguesia de Envendos, concelho de Mação – o Cavalo do Ocreza – uma figura de estilo Paleolítico, que datará de há cerca de 20.000 a 10.000 anos atrás.  Esta descoberta, no ano 2000, ocorreu por ocasião do acompanhamento da obra de construção do IP6, hoje A23, e levou a que se iniciasse uma campanha de pesquisa nos anos seguintes que conduziram à descobertas de dezenas de outras gravuras que integram o Complexo de Arte Rupestre do Vale do Tejo. Hoje, novas gravuras rupestres continuam a ser descobertas gravadas naquelas rochas.

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Foi com João Calado Rodrigues, investigador local e fundador do Museu Municipal de Mação, que se confirmara a existência de arte rupestre no concelho, nomeadamente nos anos 40 do século passado, quando descobriu as gravuras de Cobragança.

Mas foi a 6 de setembro de 2000, que os arqueólogos que lhe seguiram as pisadas até hoje, descobriram, estudaram e divulgaram por toda a comunidade científica nacional e internacional a existência de achados do paleolítico e pós-paleolítico. Iniciou-se pesquisa nas imediações do Vale do Ocreza, desde a barragem de Pracana à zona da foz do rio, muito perto do Tejo, nomeadamente no Vale do Souto e no Vale da Rovinhosa.

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Mação tem, além de estações rupestres com gravuras, também com pinturas, caso dos abrigos de quartzitos do Pego da Rainha, perto da aldeia de Zimbreira, freguesia de Envendos.

A gravura rupestre do ‘Cavalo’ do Ocreza foi encontrada em 2000 em Mação. Foto: DR

Quanto ao cavalo do Ocreza, a primeira gravura paleolítica encontrada no concelho, representa um cavalo sem cabeça/acéfalo e foi a primeira a ser descoberta abaixo do Côa e na área do Complexo de Arte Rupestre do Vale do Tejo. Seguiram-se mais de 50 gravuras que foram alimentando a campanha de pesquisa e escavação por parte dos responsáveis do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, de Mação, entre outros programas nomeadamente com o apoio da Comissão Europeia.

Algumas teorias, segundo os arqueólogos do Museu de Mação, ligam a imagem do cavalo à força do rio, que ali se faz sentir com maior evidência, no chamado Vale da Rovinhosa, onde estão duas das descobertas que impulsionaram o projeto do museu e que distam cerca de 1 km entre si. Os dois pontos já foram visitados, analisados e fotografados pelos mais importantes investigadores e teóricos da área, a nível mundial, num vale que continua a surpreender e a revelar novas pinturas de arte rupestre.

A Rocha do Cavalo trata-se de uma pequena superfície, descoberta a 6 de setembro de 2000, quase totalmente preenchida pela representação de uma gravura de cavalo picotado a linha de contorno em estilo Paleolítico, há cerca de 20.000 a 10.000 anos atrás.

Aqui, mais uma representação zoomórfica, com a parte traseira de um veado. Foto: mediotejo.net

Tal como acontece muitas vezes em figuras desta época, o corpo do animal apresenta características naturalistas, ou seja, próximas da realidade, quer na forma quer nas proporções, apesar de não estar completo pois falta-lhe a parte terminal da cabeça e só tem representado um membro de cada par de patas, segundo se pode ler num trabalho de Luiz Oosterbeek, estudioso da área, diretor do Museu e presidente do Instituto Terra e Memória, em Mação.

Também a Rocha dos Dois Veados, seguida da anterior gravura, é uma pequena rocha dividida em dois painéis decorados. O primeiro apresenta duas figuras de zoomorfos de pequenas dimensões, executados a linha de contorno picotada. A figura mais à esquerda tem representado as duas patas traseiras mas apenas uma dianteira. Uma série de pontos parecem representar o início do pescoço mas a cabeça está ausente. A figura mais à direita, está muito danificada por uma fratura. Atualmente é possível ver, com clareza, uma parte do corpo e as patas traseiras.

Nesta gravura paleolítica no vale do Ocreza, o circulo só é bem visível durante a manhã, depois do meio-dia quase que desaparece. Foto: mediotejo.net

Nisa, Vila Velha de Ródão, na outra margem do rio, e Mação, representam um património muito importante de arte e paisagem rupestre. As primeiras gravuras foram identificadas em 1971, poucos anos antes da conclusão da barragem de Fratel. Hoje em dia mais de metade dessas gravuras estão submersas pela água da barragem. Muitas delas são afetadas pela natureza, nomeadamente por processos de erosão ou invasão de líquenes.

Nos últimos anos, o Museu de Mação tem dinamizado passeios guiados ao vale do Ocreza, levando grupos a conhecer estas descobertas no território. Nas explicações, ficava sempre em aberto a possibilidade de poderem vir a ser encontradas mais gravuras, uma vez que este é um património gigante e cuja descoberta não é estanque.

É no Museu, em exposição, que se podem encontrar representações de todas as figuras, com réplicas, fotografias e explicações que guiam este período de descoberta sobre o património arqueológico do concelho.

Exposição permanente. Foto: mediotejo.net

Ainda assim, é no profundo vale do Ocreza que se encerram os genuínos segredos e tesouros sagrados da arqueologia por terras maçaenses. Dúvidas houvesse, foi ali que, após duas décadas de descoberta, foram confirmados no início de setembro novos achados.

“Duas décadas depois dos primeiros achados de arte Paleolítica em Mação, as novas figuras representam vários animais e vêm abrir uma nova perspetiva sobre os estudos de arte rupestre do Complexo Rupestre do Tejo e uma melhor compreensão das figuras rupestres do vale do Ocreza”, segundo Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação.

A autarquia dá ainda conta da importância deste acontecimento para o futuro, uma vez que estes novos achados “podem dar um novo impulso ao Centro de Aprendizagem e Observação (CAO) de Arte Rupestre”, um investimento que chegou a estar projetado para aquele local, “inspirado” nas grutas francesas de Tautavel, com vestígios de ocupação humana de 450 mil anos, mas que nunca chegou a avançar.

Mação anunciou a descoberta de novas gravuras rupestres no vale do Ocreza. Foto: CMM

As novas gravuras agora postas a descoberto e as primeiras impressões e resultados de pesquisa sobre elas foram tema de apresentação internacional no Congresso da União Internacional das Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas, no dia 5 de setembro, em Marrocos.

Este complexo no Vale do Ocreza é palco de visitas guiadas, mediante marcação prévia, acompanhadas por técnicos dos serviços do Museu de Mação.

Foto: mediotejo.net

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Mação anuncia descoberta de novas gravuras rupestres no vale do Ocreza (C/ÁUDIO)

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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