Mação | Gado bovino à solta gera estragos e insegurança em Penhascoso

Cerca de 53 bovinos, de raça brava, têm causado “graves transtornos” na localidade de Penhascoso, encontrando-se a deambular por terrenos, invadindo propriedades particulares, pastagens e vias de circulação. Os animais terão fugido de exploração situada em Penhascoso e “mantêm as pessoas assustadas”. A autarquia já tomou diligências, alertando as autoridades competentes.

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Vasco Estrela (PSD), autarca maçaense, referiu que este é um problema de “gestão muito difícil” e que “a responsabilidade da CMM nesta matéria é pouca, seja como for, não nos podemos nem devemos alhear da mesma, porque pode estar em causa a segurança de pessoas, pode ocorrer ali alguma tragédia”.

A Câmara, através do veterinário municipal, Fernando Monteiro, tem avaliado a situação. Segundo o autarca, o veterinário municipal “está com algum medo do que possa vir a suceder”, tendo estado em contacto com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, com o SEPNA e GNR.

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“O SEPNA já aplicou cerca de 5 mil euros de coimas, mas pensamos nós que isso não resolverá o problema”, referiu, indicando que “há ainda um conjunto de queixas, feitas por particulares, que seguirão para o Ministério Público”.

Tendo “o problema em cima da mesa”, o presidente de Câmara efetuou pedidos de informação ao veterinário municipal, reunindo elementos sobre este caso.

Segundo o relatório, aquele responsável refere que a situação se “agravou” e que “os referidos bovinos estão espalhados em toda a zona envolvente, não tendo sido possível identificar com precisão a sua localização”.

Em informação, lida em reunião de Câmara, consta que “a proprietária ainda nada fez, que seja do nosso conhecimento, para resolver ou minimizar esta situação, tendo referido que nem se deslocou ao local, nem tentou recolher os animais por falta de disponibilidade”.

Por este facto, Fernando Monteiro, veterinário municipal de Mação, alerta para “a tremenda perigosidade que tão grande número de animais representa, especialmente para a segurança da população, e tendo em conta a idiossincrasia da raça e o terreno tão extenso e acidentado em que os animais se movimentam, afigura-se-me que será extremamente difícil capturá-los com recurso a dardos tranquilizantes, dado estes não permitirem suficiente aproximação”, aconselhando que a solução passe “pelo abate com recurso a armas de fogo”, evitando “eventuais agressões que poderão atentar contra integridade física e até a vida dos cidadãos”.

Também referido foi o entendimento de que a proprietária em causa “não reúne mínimas condições para exercer este tipo tão específico de bovinicultura, pelo que sou de parecer que deverá a DRAPLVT, como entidade licenciadora, deverá ser informada da situação de modo a não conceder autorização para o exercício desta atividade no local”.

Reiterando a preocupação e “enorme risco” que a situação representa para a população, o veterinário municipal refere os  animais são “potencialmente agressivos dada a sua especificidade” o que coloca em perigo a circulação de veículos e a própria população que se apresenta particularmente receosa.

Segundo o que o mediotejo.net apurou, a proprietária em causa tem licenciamentos feitos noutra exploração, em Avis, não tendo qualquer licenciamento ou guia de trânsito relativo a exploração de Penhascoso na Câmara Municipal de Mação.

Os animais têm invadido as vias de comunicação circundantes, inúmeras propriedades particulares, contando-se com prejuízos em terrenos agrícolas, culturas e pastagens.

“É de uma enorme irresponsabilidade, é lamentável que assim seja”, desabafou Vasco Estrela.

António Louro, vice-presidente da autarquia, reforçou que a situação é alarmante, “pelas caraterísticas dos animais, encerram perigo para as pessoas” e “não são animais domésticos, são animais que pelas suas caraterísticas genéticas, têm um índice de agressividade bastante elevado”.

“É muito preocupante, porque os animais andam a deambular pelo território e podem apanhar alguma pessoa em circunstâncias que possam resultar numa tragédia”, pelo que “era urgente que alguém tomasse uma iniciativa no sentido de, no mais curto espaço de tempo, resolver esta situação”.

A CMM vai remeter as informações para a GNR e Ministério Público, esperando Vasco Estrela que “hajam ordens para que os animais possam eventualmente ser abatidos, porque pela informação do veterinário municipal, é a única forma de os poder travar”.

O autarca recordou situação similiar no concelho de Idanha-A-Nova, de onde resultou uma vítima mortal e na qual só a GNR conseguiu resolver a situação com recurso a armas de fogo.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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