Mação | Freguesia de Cardigos assinalou 500 anos do Foral da Bichieira

Foto: mediotejo.net

O tempo fintou os planos iniciais, previstos para a praça, levando a singela cerimónia para o pavilhão de festas da Associação Galitos, junto ao quartel dos bombeiros. O livro “Foral da Bichieira – 500 anos a dizer Cardigos” foi apresentado pelo autor, o cardiguense António Manuel Silva, perante cerca de 40 pessoas que quiseram prestar homenagem ao passado e celebrar o presente da sua terra, deixando matéria para as gerações vindouras.

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António Manuel Silva, natural de Vales de Cardigos e docente de História, referiu ao mediotejo.net que sempre gostou de fazer investigação de História local e regional, algo a que se tem dedicado ultimamente.

O cardiguense afirmou que sentiu a necessidade de promover a iniciativa junto da comunidade, notando com tristeza que esta não se mobilize tanto quanto gostaria. “O que falta muitas vezes é passar a comunicação, passar a informação (…) as terras têm História, não há muitas vezes é quem a divulgue”, disse, indicando que “é preciso quebrar essa inércia e começar a fazer alguma coisa”.

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Quanto à “brochura” editada em regime pro bono, como o autor afirmou, serve de divulgação e trata de “uma síntese popular, para toda a gente entender, para sair da academia”.

“O Foral da Bichieira. 500 anos a dizer Cardigos”, com texto do historiador António Manuel Silva e colaboração de António Colaço, que idealizou a capa e título, e que após um problema de saúde deixou a ilustração a cargo de Sílvia Martys e Alfredo Cardoso.

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O livro que contém transcrição do foral em português atual, e onde efetivamente se demonstra a importância do foral para a organização da vida dos cidadãos na vila, mesmo quando os senhores se apropriavam do documento para enriquecer à má rês, inflacionando as taxas.

O autor, o professor de História António Manuel Silva. Foto: mediotejo.net

Desde os montados, à azeitona, às portagens para passagem em certas fronteiras de propriedades e concelhos vizinhos e um retrato abrangente da vida e da história do concelho de Cardigos, nomeadamente a história da defesa do pelourinho que trouxe a alcunha de “galaritos” ou “galitos”, após a independência da freguesia de Amêndoa, que levou populares cardiguenses a defender a praça enquanto o galo cantava madrugada fora, são alguns dos temas constantes nesta pequena súmula que pode ser adquirida junto dos serviços da Junta de freguesia, e que estará disponível nos serviços CTT a partir do dia 21 de maio com um custo de 5 euros.

Também presentes na sessão estiveram Carlos Leitão, presidente da Junta de freguesia de Cardigos, e António Louro, vice-presidente da Câmara Municipal de Mação.

Carlos Leitão recordou e homenageou “as muitas gerações cardiguenses que aqui nasceram, que povoaram este território ou que, daqui sendo originários, se espalharam pelo mundo, levando Cardigos no coração”. O presidente de junta fez menção ao imperativo reconhecimento do passado da terra e das gentes, mencionando que se tratou de homenagem “sentida e singela”, uma vez que os recursos “são escassos”. Ainda assim, a freguesia conseguiu organizar algumas atividades “com significado e dignidade”, algo que mereceu forte aplauso dos presentes, visivelmente orgulhosos do que fora mencionado.

Por seu turno, António Louro mostrou-se agradado pelo “momento simbólico”, mencionando estar em substituição do presidente da CM Mação Vasco Estrela, uma vez que este esteve presente na cerimónia de apresentação do relatório final do Movimento Pelo Interior. Aqui, o vereador fez a ponte para o incontornável tema da desertificação e despovoamento, afirmando que “as coisas não estão a correr bem nestes territórios” e “não estamos a ter a capacidade de acompanhar o desenvolvimento económico de outras zonas que têm maior atratividade para as pessoas”.

“Se não fizermos nada rapidamente, as condições de vida no Interior dificilmente conseguirão acompanhar o Litoral”, alertou, fazendo menção à comemoração dos 5 séculos do Foral manuelino atribuído a Cardigos no mesmo dia em que, em Lisboa, se pedia “novo foral” enquanto “nova forma de organização e gestão do território, novas regras nas relações entre o Estado e os territórios”, o que para António Louro significa que “não estamos rendidos”, recordando o “dinamismo” do Interior do país há muitas décadas atrás.

António Louro prestou ainda agradecimento a António Manuel Silva, referindo que “tem uma função muito importante na nossa freguesia, que é ser um dos guardiões desta memória do passado”, disse, acrescentando que “um povo que não respeita o seu passado e não o reconhece, também não é um povo capaz de construir o futuro”, concluiu.

A findar o momento, teve lugar uma “Merenda Quinhentista”, como um aproximar da alimentação praticada há 500 anos atrás. Ovos cozidos, cebola crua, pão e vinho, chanfana de javali ou de cabra, morcelas, papas de milho com sal e mel, café de cevada que antes era em feito na púcara, pão de centeio e de milho, e escabeche enquanto modo de confeção privilegiado por conservar a comida por mais tempo. Já a conserva de alimentos era feita essencialmente de sal e vinagre, lembrou o historiador António Manuel Silva durante a sua intervenção.

No local, também consta uma exposição de trabalhos escolares sobre a história de Cardigos, ilustrações resultantes de uma visita guiada feita com os alunos do pré-escolar e 1º ciclo de Cardigos, esperando-se ainda a realização de um passeio histórico-cultural nas ruas da vila com as gentes da terra, que pretende dar a conhecer os pontos de interesse histórico que, para muitos, passarão despercebidos.

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