Mação | Executivo PSD considera “ofensivas” acusações de “eucaliptização desenfreada” do concelho

O Partido Socialista, em reunião de Executivo, manifestou-se contra “a especulação da eucaliptização desenfreada do concelho” de Mação, no mesmo sentido da CDU que recentemente exigiu à maioria PSD “ponderação e medidas concretas de ordenamento florestal” no sentido de evitar o “flagelo dos incêndios” tal como ocorreu em 2017. Vasco Estrela convidou a oposição a sugerir “a proibição” do eucalipto ou “dar mais poder às autarquias”. O Executivo deu parecer positivo ao pedido do ICNF para a rearborização. O vereador do PS optou pela abstenção.

A Câmara Municipal de Mação tem aprovado processos de rearborização “com eucaliptos ou outras espécies de acordo com os pareceres dos técnicos que os elaboram” tendo em conta a legislação em vigor“ e “a possibilidade de plantar” nos terrenos em causa, sublinhou o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estela (PSD), ao mediotejo.net.

Recentemente a CDU de Mação exigiu à maioria PSD que gere a autarquia “ponderação e medidas concretas de ordenamento florestal” para que seja possível “evitar que o flagelo dos incêndios volte a tomar proporções gigantescas como as de 2017 e evitar pôr em perigo os maçaenses e os seus bens”.

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Na última reunião de Executivo, no dia 24 de outubro, o vereador eleito pelo PS, Nuno Barreta, optou pela abstenção sustentando que, apesar de não ser contra a plantação de eucaliptos, defende “processos coerentes, livres da especulação da eucaliptização desenfreada do concelho”.

Perante isso, considerou “urgente delinear um plano para ordenar a floresta, mediante a definição das áreas e respetivas espécies florestais a plantar, criando os tão falados corredores ‘corta-fogo’” e ainda que a opção seja “pela arborização e ou rearborização de árvores autóctones, e ou mais resistentes aos fogos”, ou seja, defendeu como necessário e obrigatório a criação de um Plano Municipal do Ordenamento da Floresta que poderá ser desenvolvido no Gabinete Florestal Municipal.

Nuno Barreta lembrou ainda que o Governo central aprovou a 20 de novembro de 2017, “um regime transitório, para evitar que sejam plantados eucaliptos em áreas ardidas anteriormente ocupadas por outras espécies. Esta medida tem como objetivo, melhorar o equilíbrio entre as diferentes espécies florestais”, disse.

Por seu lado, Vasco Estrela afirmou que “havendo base legal para as pessoas poderem plantar eucaliptos torna-se complicado, não havendo razões técnicas objetivas que impeçam, que haja um veto político ou de gaveta” embora admita uma decisão de “criar mais entraves” como “possível”. Contudo, define “não ser correto que sejam as câmaras municipais a ficar com esse ónus quando quem nos tutela e dá o parecer final não o faz”.

Ou seja, “a CDU que é parceira do Governo, e também o Bloco de Esquerda e muitos socialistas e também social-democratas, todos podem fazer uma alteração da lei e dizer claramente que não há mais processos de rearborização, vamos proibir o eucalipto e seguir até o gesto simbólico do Presidente da República dizendo que o eucalipto é uma espécie em Portugal que não deve existir”, defendeu Vasco Estrela, rejeitando a “duplicidade do sim, não, talvez”.

Reunião de Câmara Municipal de Mação

O autarca não esquece “a importância do eucalipto em Portugal, dos postos de trabalho, a importância que tem no PIB do País em termos de exportação da pasta de eucalipto e dos seus derivados” considerando a existência de “muita conversa por bem parecer mas depois na hora de tomar decisões concretas, não são tomadas”, afirmou sugerindo que a CDU proponha “a proibição do eucalipto, formas mais restritivas ou dar mais poder às autarquias com um veto mais efetivo”.

Também referido por Nuno Barreta, a revisão do Plano Diretor Municipal, foi apontada por Vasco Estrela como uma possível solução. No PDM  “pode ser incorporada a visão do Município para a plantação ou não de eucalipto. Estamos nesse processo e será a altura indicada. A parte florestal poderá e deverá ser contemplada” ou seja, “definir claramente o que plantar em cada área do território”.

O autarca considerou ainda “surreal” as afirmações da oposição, apontando o dedo à Câmara pela “falta de atenção” na área florestal, que demonstra, segundo diz, “desconhecimento do que tem sido feito em Mação, e levou o Bloco de Esquerda a propor uma verba de um milhão de euros para os projetos que Mação defende há muitos anos e que trouxeram ao concelho elementos de inúmeros governos”, incluindo membros da CDU que “em Mação validaram e disseram bem daquilo que era pensado em matéria de floresta”.

Rejeita por completo acusações de “assinatura de cruz de processos de eucaliptização e não fazemos mais nada quando temos seis ZIF (Zonas de Intervenção Florestal) aprovadas e fomos os primeiros a tê-las é no mínimo ofensivo” para as pessoas do concelho.

Em declarações ao mediotejo.net Nuno Barreta que, a este propósito, apresentou declaração de voto, explicou que o objetivo passa por “vincar que é preciso fazer alterações, chamar a atenção” para a problemática lembrando a existência de “eucaliptos no perímetro urbano” da vila de Mação.

“Desde o início de setembro que estamos a votar” rearborização com eucaliptos, notou, admitindo não ser boa política “diabolizar os eucaliptos” mas “a floresta não pode ser só” esta espécie de árvore não autóctone.

Vasco Estrela, em resposta ao vereador socialista, aflorou as declarações do ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos que disse serem os proprietários “o rosto da eucaliptização” do País.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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