Mação | Executivo garante prontidão para “dar o salto” na gestão da floresta e defende projetos piloto para valorização do interior

Mação garante prontidão para “dar o salto” na gestão da floresta e defende projetos piloto para a valorização do interior. Foto: mediotejo.net

Num momento em que o País discute a reforma da floresta e dois anos depois da tragédia de Pedrogão Grande, o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, e o vice-presidente, António Louro, falaram sobre a mensagem a passar ao Governo central. Durante a conferência de imprensa de apresentação da 26ª Feira Mostra, aquando da confirmação da presença do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Regional no certame, os responsáveis fizeram saber que “Mação conta para o campeonato” da floresta e quer dar contributos para o ordenamento do território. “É tempo de sermos mais efetivos na questão da valorização do interior”, frisou Vasco Estrela.

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Dois anos após o fatídico incêndio de 17 de junho de 2017 na região de Pedrogão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos as notícias contam que os eucaliptos regeneram-se desordenadamente e voltam a dominar a paisagem. A ausência de ordenamento florestal no interior do País preocupa o executivo de Mação, concelho bastante fustigado pelo fogo naquele verão, quando cerca de 80% do território ardeu.

Durante a conferência de imprensa de apresentação da 26ª Feira Mostra de Mação, aquando da confirmação da presença do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Regional, Miguel João de Freitas, no certame, os responsáveis fizeram saber que “Mação conta para este campeonato” e quer dar o seu contributo para o ordenamento do território.

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O campeonato a que Vasco Estrela se refere é o da reforma da floresta e o que o executivo de Mação diz que passa por “dizer ao País e ao secretário de Estado nesta ocasião que Mação tem um pensamento estruturado relativamente a esta matéria, que Mação quer dar o seu contributo para uma reforma importantíssima para o País e importante para o desenvolvimento do interior”, vincou.

António Louro, vice-presidente da CM Mação, com António Costa, primeiro-ministro, e Vasco Estrela, presidente da CM Mação, em visita ao concelho em 2016. Foto arquivo: DR

Para o presidente da Câmara Municipal de Mação “já vai sendo tempo de começarmos a ser mais efetivos naquilo que andamos a dizer enquanto País, na questão da valorização do interior e na famosa reforma da floresta da qual ainda pouco se sabe”.

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Por seu lado, António Louro, vice-presidente e o grande mentor do projeto MacFire, ferramenta informática que permite levar a informação existente sobre a zona de combate ao fogo para o Posto de Comando e monitorizar o desenvolvimento do fogo em tempo real, considerou “interessante” a presença de Miguel Freitas em Mação.

“O País está a atravessar uma fase constrangedora nas questões da floresta depois de tanto se ter discutido e de tantas análises, o problema é que no terreno as coisas continuam exatamente como estavam em 2005, 2006, 2007”, notou.

Lembrando os incêndios que ceifaram a vida a dezenas de de pessoas, António Louro falou da  “expectativa” criada por todos na mudança de “qualquer coisa de estrutural”. Admitindo que a floresta demora muitos anos a repor, defendeu que o início é “agora”, tendo dado conta que Mação tem apresentado novos caminhos.

“Temos procurado seguir por caminhos nem sempre fáceis mas que temos apontado por sentirmos serem caminhos que nos podem levar a algum lado. O País precisa de interiorizar esta necessidade de mudança, de fazer coisas diferentes e concretizar no terreno essa mudança”. Este será, no essencial, o “recado” que o executivo de Mação passará para o secretário de Estado das Florestas no dia 5 de julho.

Em Mação, “a atual mensagem que tem sido passada pelo sr. secretário de Estado e pelo sr. primeiro-ministro é dita desde 2004”, lembrou António Louro, considerando que as políticas aplicadas “não têm qualquer sucesso”.

Contudo, notou, Mação “está preparado para fazer coisas diferentes para, de uma vez por todas, parar este ciclo infernal”, garantindo estarem “prontos para dar o salto na gestão” da floresta, e reconhecendo que tal será impossível sem o apoio do Governo central.

“Não é com os esforços de um pequeno município que se inverte um tão grande problema”,sublinhou.

Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, manifestou a sua insatisfação ao secretário de Estado perante os escassos meios dispostos no terreno nos incêndios de 2017. Foto: Paulo Sousa

Admitindo que o ordenamento do território e a reforma da floresta “não se faz de um dia para o outro”, António Louro defende uma outra resposta, colocando para isso outra questão em cima da mesa. “Não podemos continuar a falar de floresta. Temos de falar de territórios. Se alguma coisa estes incêndios nos provaram é que um território cheio de floresta arde de forma extremamente violenta e no futuro temos de fazer territórios sustentáveis”, vincou.

Tal implicará, defendeu, “muita floresta, mas voltar a ter atividades agrícolas e pecuárias. A agricultura tem de começar a ser feita já, tal como o ordenamento, a criação de novas entidades que organizem o território e façam a sua gestão em substituição dos proprietários que estão ausentes. Têm de ser criadas já”, reiterou.

E se “há uma frase famosa: a longo prazo todos os problemas têm solução; costumo responder que a longo prazo todos nós estaremos mortos. Portanto, temos de ser exigentes e queremos ver as coisas acontecerem mais depressa”, afirmou.

Segundo António Louro as políticas implementadas nos últimos 40 anos foram “disparates” não podendo passar a solução para “um grave problema” por “duas medidinhas e um carro de bombeiros e um helicóptero, mais um anuncio de uma coisinha, não vamos lá!”.

Lembrou que “em grande parte do território colapsou o sistema de gestão socioeconómico existente. As pessoas saíram, não foram substituídas e a única coisa que cresceu foi o abandono. Se pensam que estimulam o retorno dos proprietários para virem tratar dos seus bocadinhos, desiludam-se!”.

Como parte da solução advoga “novas ferramentas para gerir este território dadas as características que tem”, nomeadamente com pequenas propriedades. “Temos de inventar. Operacionalizar no terreno as figuras de gestão conjunta como as Zonas de Intervenção Florestas (ZIF)”.

De acordo com o vice-presidente “este é o momento” para perceber a importância da mudança. “Não temos recursos, não temos força nem energia para fazer à escala de todo o País” onde urge um território ordenado, por isso defende projetos piloto.

“Temos de testar! Ver se é o caminho viável e se resultar estender a todo o território que precisa”.

O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, esteve na segunda-feira no programa Prós e Contras da RTP, onde foi um dos convidados para dar a sua visão sobre a problemática dos incêndios, tendo falado em “fracasso” das politicas dos últimos anos em termos de reforma que é necessária fazer, e lembrado que a mesma tem de ser realizada em “territórios altamente deprimidos e sem a massa humana necessária para a reforma que é necessária fazer”.

Aliás, Vasco Estrela colocaria mesmo a tónica numa pergunta chave: “A pergunta que é preciso fazer a todos nós, enquanto país, é se efetivamente queremos fazer esta reforma da floresta, como é que a vamos fazer, e com que recursos é que a vamos fazer?”.

Vasco Estrela não perderia a oportunidade para lembrar ainda o desvio de meios de Mação no incêndio de 2017, falou em discriminação dos territórios, e acabou por lançar um desafio para que Mação integre uma das cinco Zonas Piloto que a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, (AGIF, I.P.) vai desenvolver.

Mação tem um território de 400 km2, com 80 mil prédios rústicos de 17 mil proprietários num território onde habitam sete mil pessoas. Uma realidade que o autarca apontou como sendo o busílis da questão, sendo que a população, além de demasiado idosa, é insuficiente para resolver a equação que está em cima da mesa e devolver a esperança a estes territórios. Tem a palavra o Governo.

vasco estrela prós e contras

O Presidente do Município de Mação esteve esta noite presente e com intervenção no programa da RTP1, Prós e Contras.Vasco Estrela falou sobre o tema dos incêndios e a sua opinião.Todos os direitos de imagem e som pertencem à RTP1.Vasco Estrela/ Município de Mação/ Mação Municipality/ Mação/ Incendios Zona Centro/ Prós e Contras/ Fatima Campos Ferreira/ Portugal

Publicado por Olhares TV em Segunda-feira, 17 de junho de 2019

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