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Sábado, Maio 8, 2021

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Mação | Eficácia de kits de combate a incêndio debatida em reunião de Câmara

Na passada reunião de câmara, esta quarta-feira à tarde, surgiu em discussão a eficácia dos kits de combate a incêndio municipais distribuídos pelas localidades do concelho, após intervenção de uma moradora de Monte Penedo que veio relatar o não uso de dois kits que estavam retidos na arrecadação da Associação de Melhoramentos, fiel depositária dos mesmos. A autarquia afirmou não ter conhecimento da situação, mas ficou de averiguar o caso. Também a importância de se tomarem posições públicas e de se fazer análise detalhada sobre as consequências dos incêndios que devastaram o concelho estiveram em cima da mesa.

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Após abertura do período de intervenção do público, Dina Pereira, moradora em Monte Penedo, começou por contextualizar que a situação ocorreu no dia do incêndio que fustigou a aldeia de Monte Penedo. Tendo conhecimento de que a aldeia tem um kit atribuído e que o fiel depositário é a Associação de Melhoramentos, a cidadã relatou que “nesse dia houve três pessoas que tentaram contactar a associação, para que os kits pudessem ser disponibilizados. A resposta que foi dada é que a fechadura estava estragada/avariada e os mesmos não podiam ser retirados”.

Dina Pereira acrescentou que “não houve tentativa para resolver a situação, quanto mais não fosse arrombar a porta”, referiu, fazendo notar que ficou a saber posteriormente que o kit correspondente à aldeia de Ribeira de Boas Eiras também não teve igualmente acesso ao kit que se encontra, como o mediotejo.net pode apurar, na posse da Associação de Melhoramentos das três aldeias – Monte Penedo, Ribeira de Boas Eiras e Espinheiro.

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“Depois questionei a associação, e o senhor Otávio Ferreira [presidente da direção] não respondeu até hoje publicamente o porquê de os kits não terem sido disponibilizados. Teria feito toda a diferença”, notou.

Vasco Estrela questionou a cidadã se era de conhecimento público que esses kits estariam na sede da associação, pelo que Dina Pereira reconhece que “em conversa de café” a população sabia que os mesmos se encontravam na arrecadação por baixo da dita associação.

“Não percebo porque não resolveram o problema da fechadura”, referiu, notando que “o risco de incêndio era eminente, e estava toda a gente de sobreaviso”.

Dina Pereira referiu ainda que, a posteriori em conversa nas redes sociais, o dirigente havia escrito que “utilizar um kit não era para toda a gente, tinha que haver uma carrinha disponível, pessoas que conseguissem enfrentar o incêndio e manusear o kit. Eu respondi que haviam pessoas disponíveis, havia viaturas disponíveis, e toda a gente queria ajudar”.

Dina Pereira (ao fundo) participou durante o momento de intervenção do público na passada reunião de executivo camarário, sessão aberta ao público, relatando a situação ocorrida durante o fogo que atingiu Monte Penedo. Foto: mediotejo.net

Confrontada pelo presidente da coletividade com o argumento de que as duas aldeias são extremamente envelhecidas, Dina disse não ser verdade. “Existem muitas pessoas relativamente novas que podiam ter manuseado o kit e que podiam ter ajudado, especialmente numa situação como o caso de uma mãe e filha que ficaram completamente cercadas pelas chamas, sem bombeiros, sem água da rede. O kit teria ajudado imenso”, relatou.

Vasco Estrela, autarca maçaense, referiu que aquando da distribuição dos kits pelas populações ou associações, estas tornaram-se fiéis depositárias dos mesmos, sendo estes “instrumentos” que “pudessem ajudar e as pessoas pudessem sentir-se em maior segurança”.

“Não tínhamos conhecimento dessa situação. Já tinha efetivamente ouvido por alto qualquer coisa sobre o kit que o município disponibilizou não ter estado ao serviço da população conforme devia ter estado, mas não sabia desses pormenores, dessas recusas”

“Fica o registo e obviamente teremos que conversar com a Associação para perceber qual foi a justificação para o que aconteceu, e no fundo dizer que assim não é vida, ou seja, para isso não vale a pena estar ali o kit”.

Contactado pelo mediotejo.net, o atual presidente da direção da Associação de Melhoramentos de Monte Penedo, Ribeira de Boas Eiras e Espinheiro, Otávio Ferreira, confirmou que os dois kits de combate ao incêndio, de Monte Penedo e Ribeira de Boas Eiras, se encontram na arrecadação da sede da Associação de Melhoramentos tendo acrescentado que a fechadura não está, afinal, avariada.

“A fechadura não está avariada”, confirmou, explicando que “depois daquela avalanche de fogo e de fumo, que vinha na nossa direção, pode ter havido alguma situação com que as pessoas a tentarem abrir a porta não conseguissem”.

“Em situações de extremo stress como foi aquela que aconteceu, com um incêndio de grandes dimensões, e que chegou com muita violência às aldeias, aí as coisas complicam-se”.

Otávio Ferreira referiu a situação relativa aos kits de incêndio se trata de “uma falsa questão”, uma vez que estariam a “pôr pessoas impreparadas, a combater incêndios florestais. Então e os bombeiros? Que são pessoas preparadas e que mesmo assim têm acidentes graves e até pagam com a vida o voluntarismo e disponibilidade”.

Vereadores debatem eficácia da estrutura de prevenção e combate de incêndios

O tema levou a debate entre os membros do executivo camarário, que após reflexão sobre as causas e consequências dos incêndios florestais que atingiram o concelho de Mação, chegaram ao consenso de que é necessário agir e tomar decisões públicas sobre o tema.

Nuno Neto (PS) frisou que, no seu entendimento, o episódio relatado pela cidadã é uma “situação absurda”. Nuno Neto (PS) fez ainda voto de louvor por todos os intervenientes no combate ao incêndio. “Estou em crer que se os populares não se tivessem atravessado nas chamas a situação teria sido muito pior”, disse, agradecendo a prestação daqueles que andaram no combate na frente de fogo.

O vereador do PS referiu que a CM Mação tem que “gritar bem alto”, apurando responsabilidades perante o sucedido nos incêndios que fustigaram o concelho. “O que se passou foi demasiado grave”, afirma, notando que deve ser tomada uma posição clara e inequívoca, nomeadamente no âmbito da Assembleia Municipal. Nuno Neto disse ainda entender que deveria ser tomada posição conjunta pelos concelhos que foram atingidos pelo fogo. “É tempo de gritar bem alto sobre esta questão”, achando que deve ser refletido se houve falhas na atuação da própria CM Mação.

Quanto à situação inicial reportada pela moradora de Monte Penedo quanto aos kits de combate ao incêndio distribuídos pela autarquia às aldeias/freguesias, Nuno Neto notou que a aldeia do Pereiro tem 1 kit, mas tem capacidade para gerir pelo menos mais dois kits, exemplifica o vereador socialista, adiantando que também no Plano de Emergência Municipal ou Plano de Proteção da Floresta se notam algumas falhas no teatro de operações, nomeadamente bocas de incêndio que não estão suficientemente identificadas, coletes e outros objetos identificativos que deveriam ser distribuídos nomeadamente pelas pessoas que gerem os kits.

Para o vereador do PS “não basta entregar os kits”, devendo pensar-se na criação de um plano de formação/acompanhamento em articulação com as aldeias/associações, fazendo levantamento de equipas/pessoas que possam intervir no combate. Deve existir “uma estrutura minimamente pensada”, sublinhou Nuno Neto (PS).

António Louro, vice-presidente da autarquia (PSD), também disse ser importante fazer uma espécie de “Jogos Sem Fronteiras”, “um encontro anual que permitiria aprender de modo lúdico coisas sérias”, e que desse treino a essas pessoas responsáveis pela gestão dos kits, notando ainda que todos detentores de kits teriam 2 coletes com a identificação da terra aonde pertencem.

Já o vereador socialista César Estrela afirmou que “tudo falhou”, tal como os 76 kits distribuídos pelas localidades do concelho de Mação. “Ouvi várias queixas de outros kits que não funcionaram”, afirmou durante a reunião de executivo o vereador, recordando-se ter perguntado sobre ponto de situação dos mesmos ainda antes da época de risco de incêndios iniciar.

Quanto aos kits distribuídos pelas aldeias, António Louro referiu que é necessária pick up ou reboque de trator para transporte/uso dos mesmos, e isso é indiscutível, mas a sua eficácia é “muito limitada tendo em conta frentes de fogo com 10 km de extensão”, constatou António Louro, notando que “é óbvio”. O vice-presidente disse ter conhecimento de “mais um caso ou dois” de kits que não funcionaram, juntamente com o de Monte Penedo. Mas funcionaram “cerca de 95 por cento” desses 76 kits distribuídos pela autarquia.

Recordando que cerca de 80 por cento do território maçaense foi fustigado pelas chamas, o vice-presidente referiu que após análise detalhada devem ser tomadas posições públicas. “Mação ainda tem 12 mil hectares de risco de incêndio extraordinariamente alto” e ainda que pareça “impensável” pode suceder “já amanhã”, concluiu.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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