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Segunda-feira, Setembro 27, 2021

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Mação | CRIA presta esclarecimentos à assembleia municipal sobre o CAO e Lar residencial

Na última sessão de assembleia municipal, que foi descentralizada e teve lugar no auditório do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação, procedeu-se à análise de eventual criação do Centro de Atividades Ocupacionais e Lar Residencial no antigo quartel dos bombeiros. Estiveram presentes responsáveis do CRIA, de Abrantes, entidade parceira no desenvolvimento deste projeto, que levaram a cabo uma apresentação e sessão de esclarecimentos aos deputados municipais. De modo geral, todos os membros da assembleia se mostraram agradados com a execução do projeto, reconhecendo a importância desta resposta social no município.

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O assunto já tinha constado na ordem de trabalhos da passada reunião de executivo municipal, lugar onde ficara decidido que seria efetuado um estudo prévio da instalação do CAO e Lar residencial bem como a sua análise em sessão de assembleia municipal.

Como tal, Vasco Estrela voltou a introduzir o tema, frisando que o executivo pretendeu que “este assunto viesse à assembleia municipal após ter sido discutido em reunião de câmara, no fundo, um pouco em cumprimento da palavra dada (…) Sempre disse que, qualquer que fosse a solução que a CM Mação tivesse para apresentar, nomeadamente para o edifício do antigo quartel dos bombeiros, pelo simbolismo e importância que tem no nosso concelho, deveria ser algo bem ponderado e discutido na câmara e que a assembleia municipal também desse a sua opinião”.

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O presidente da câmara relembrou que, ao se tratar de uma proposta para instalação de um Centro de Atividades Ocupacionais e Lar residencial, será algo que vai ter “seguramente um impacto, do nosso ponto de vista, positivo para a vila e para o concelho”, motivo que ainda mais justifica a análise em assembleia municipal, “independentemente das competências que tenha ou não tenha nesta matéria, se possa pronunciar sobre este projeto”, referiu.

O autarca disse ainda que em reunião de câmara houve, no seu entendimento, uma “aceitação genérica por parte dos membros da câmara, ainda que com algumas reservas relativamente a alguns pontos”, mas frisou que o município está confortável com a parceria que se estabeleceria com o CRIA, uma vez que “é importante para o concelho pela resposta social e pela resposta que dá aos jovens e menos jovens do nosso concelho que têm algum tipo de deficiência que necessita do apoio do CRIA e que têm necessitado ao longo dos anos”.

Relembrou o autarca que a CM Mação transporta diariamente para o CRIA, quase duas dezenas de pessoas para terem atendimento e serem acompanhadas nesta instituição, ao passo que acrescentou a possibilidade de “dar resposta a outros que venham a precisar, do concelho de Mação ou não”.

Este será “um equipamento que vai gerar postos de trabalho, que irá ajudar à fixação da pessoas, à criação de riqueza, a dinamizar uma determinada zona da vila, portanto penso que será uma mais-valia para o concelho e para todos nós”, fez notar, assumindo que poderá ter “alguns pontos menos positivos, é normal que os tenha, (…) há sempre questões que têm de ser debatidas e que devem ser ponderadas, a CMM já teve uma reunião com o ministro Vieira da Silva, com o Dr. Nelson Carvalho e o Dr. José Carlos Veríssimo, o governo está consciente deste projeto, temos pareceres da Segurança Social relativamente ao mesmo, aquilo que gostaríamos era que desta reunião também saísse algum conforto e aconchego para que possamos levar por diante este projeto, reputamos de especial importância”.

Já Nelson de Carvalho, presidente da direção do CRIA, mostrou-se “profundamente convicto que o projeto que temos em mãos é um bom projeto. Está inscrito no plano de atividades do CRIA, está inscrito no plano de atividades da câmara, porque na análise que fizemos chegámos à conclusão que era uma boa iniciativa e que era bom desenvolver”.

De entre um conjunto de mais-valias, o responsável enumerou que este projeto “permite à comunidade um acesso a um serviço de proximidade, permite que a CM Mação deixe de os transportar diariamente e fazer todos os dias não sei quantos quilómetros, obviamente que também não é cómodo, é uma resposta muito melhor, permite reabilitar o edifício que está no centro da vila e obviamente, hoje todos nós sabemos quem acompanha as políticas urbanas, que é muito mais recomendável reabilitar património, dar-lhe outros usos, valorizar os centros, do que ir construir coisas novas na periferia (…)”, referiu Nelson de Carvalho.

O presidente da direção reconheceu ainda que este CAO e lar residencial, ao ser criado em Mação, favorece o CRIA, “porque temos lista de espera quer para o CAO quer para o lar. O lar em Abrantes é pequeno, tem camas, temos uma lista de espera grande. Se conseguirmos ter aqui um, serve bem as pessoas daqui e permite-nos, obviamente, irmos à lista da espera e darmos respostas”.

Segundo dados da apresentação projetada e explicação de José Carlos Veríssimo, diretor de Respostas Sociais do CRIA, existem 47 utentes em lista de espera para o lar residencial e 23 utentes em lista de espera para o CAO.

Nelson de Carvalho, Cátia Silva e José Carlos Veríssimo, do CRIA, estiveram na sessão de assembleia municipal para prestar esclarecimentos sobre o projeto de instalação do CAO e lar residencial em Mação, no antigo quartel dos bombeiros. Foto: mediotejo.net

Nelson de Carvalho acrescentou que o CAO permite “alargar a resposta a muito mais pessoas, e equilibra a resposta perante a comunidade, valorizando a proximidade. E hoje acho que isso é fundamental, e equilibrando o território. Não tem que ser tudo em Lisboa, mas também não tem que ser tudo em Abrantes”, além do impacto importante na qualidade de vida e no serviço das pessoas. Segundo o responsável este projeto é considerado um projeto-piloto, um modelo, por ser uma parceria local, algo que agradou o ministro da tutela, Vieira da Silva.

Quanto às reservas sobre a reutilização do edifício e a sua localização, o responsável esclareceu que em Abrantes, foi construído de raiz, fora da cidade/na periferia da zona industrial. A Quinta das Pinheiras tem zona verde, e pratica-se agricultura, no entanto, é detetado um entrave ao trabalho para a inclusão. “Estamos a lidar com população que queremos incluir, e não excluir. Queremos dar proximidade e normalizar, tratando como toda a gente. Temos essa dificuldade em Abrantes, foi assim a história das coisas, e na altura era assim, e o terreno foi oferecido. Não lamento, estamos bem instalados; temos um problema que é, cada vez que queremos ir à cidade, temos que planear, mobilizar o transportes,… Aqui, estando mesmo no centro, eles têm a vida da comunidade toda ao seu alcance, sem necessidade de planeamento, sem necessidade de transporte, podem ir ao café, podem ir ao jardim, podem ir aos correios, podem ir à escola, podem ir ao teatro, não sei. Têm tudo à mão de semear, sem necessidade de nada. E isso é muito importante, no sentido de que se trata de pessoas que queremos incluir, queremos que vivam normalmente a vida da nossa comunidade, e não criar separações e constrangimentos. O que pode ser visto como um problema, pode também ser visto como uma boa vantagem. Nós estamos convencidos que estamos a trabalhar bem (…) e que é uma boa resposta para as nossas populações”, concluiu.

José Carlos Veríssimo, Diretor de Respostas Sociais do CRIA, procedeu a uma apresentação de contextualização da instituição e do plano de ação deste projeto, referindo ainda dados de avaliação técnica, nomeadamente quanto a 15 pessoas no concelho de Mação que reúnem condições para serem acolhidas, pois estão em casa porque a instituição neste momento não consegue dar resposta.

Também do CRIA, a psicoterapeuta Cátia Silva apresentou algumas das diretrizes que atualmente se pretendem na instalação destas valências, entre as quais referiu que devem ser preferencialmente criadas dentro da comunidade, podendo ser feitas de raiz ou instaladas em edifícios já construídos, procedendo à sua reabilitação; os serviços de enfermagem devem ser feitos nos centros de saúde, fora do edifício; autonomia no acesso a estabelecimentos comerciais; frequentar eventos culturais da comunidade, infraestruturas desportivas, serviços públicos e os parques e jardins. A especialista frisou a importância da localização central como forma de promover a participação ativa na comunidade, integração social, partilha e confiança na vizinhança do lar/centro, acesso autónomo e independente e confiança dos cuidadores na comunidade.

A aceitação por parte dos deputados da assembleia municipal foi unânime, tendo sido inclusivamente aplaudida a proposta de criação desta valência em Mação pela bancada socialista, da qual surgiu contributo da parte do eleito João Filipe, que sugeriu que o espaço contíguo ao antigo quartel dos bombeiros que servirá para instalação do CAO e lar residencial, feche ao trânsito automóvel, para facilitar o acesso ao jardim e ao centro da vila.

Unânime foi também a aprovação dos restantes dois pontos da ordem do dia, sobre proposta de protocolo a celebrar com a EDP para substituição de luminárias por led e contratação de empréstimo a curto prazo no valor de 150 mil euros.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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