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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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Mação | Comissão Municipal de Defesa da Floresta apoia ação inspectiva para apurar responsabilidades no incêndio

A Comissão Municipal de Defesa da Floresta reuniu hoje em Mação. O objetivo do encontro passou pela reflexão e compreensão do que correu bem e mal no recente incêndio no concelho, que consumiu mais de 18 mil hectares. E tal não sucedeu por falta de boas práticas. Mação era apontado como o concelho modelo no que toca a boa gestão florestal, particularmente após 2003 quando ardeu mais de metade da sua área. Seguiram-se anos de trabalho para limitar os potenciais perigos de incêndios. Mas a tragédia aconteceu e os danos estão novamente à vista.

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A Comissão Municipal de Defesa da Floresta decidiu, esta manhã, em Mação, pedir uma averiguação e inspeção à Inspeção Geral de Administração Interna (IGAI) sobre as operações de combate e “algumas das decisões tomadas“ no incêndio de Mação.

“O pedido fica suspenso até um eventual relatório que esteja a ser feito sobre o incêndio” que o executivo camarário espera ser disponibilizado depois de solicitado, explicou ao Médio Tejo o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela. O autarca conta ter acesso a esse mesmo relatório num prazo de 15 dias. Indica que o comandante dos bombeiros “já pediu a fita do tempo” e diz terem “pressa” que o Governo avance com o documento.

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Prosseguir com o pedido dependerá depois do conteúdo da exposição e do entendimento municipal sobre a análise da situação. Da parte da Comissão a autarquia tem “aprovação para avançar com o pedido de averiguação e inspeção relativamente às decisões que foram tomadas” naqueles dias entre 23 e 27 de Julho, garante.

Considerando “uma questão de honra” por parte do executivo da Câmara, Vasco Estrela cumpre assim a promessa, feita logo no primeiro dia de fogo, de exigir, em nome do concelho, o apuramento de responsabilidade pelas decisões tomadas. “Estamos a ser consequentes com o que sempre dissemos. Que iríamos apurar até ao fim as responsabilidades de todos, também da Câmara e dos intervenientes” no terreno no sentido de serem “confrontados com as suas decisões”.

A reunião da Comissão Municipal de Defesa da Floresta decorreu a portas fechadas. Foto: CM Mação
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O último levantamento da autarquia aponta para 14 casas de primeira habitação ardidas, total ou parcialmente, mais de 30 aldeias atingidas pelo fogo, 10 pessoas feridas, e mais de 18 mil hectares de área florestal destruídos, para além de barracões, palheiros, material agrícola e viaturas. “Não pode arder 18 mil hectares sem que sejam apuradas todas as responsabilidades”, enfatiza.

Sobre o estado de alma das pessoas que hoje reuniram em Comissão refere uma “normal revolta” faltando “fazer o luto” da tragédia. No Salão Nobre dos Paços do Concelho onde decorreu a reunião estiveram presentes os presidentes das juntas de freguesia de Envendos [9 mil hectares ardidos], Cardigos [5 mil hectares ardidos] e Carvoeiro [ardeu toda a freguesia] “é normal que as pessoas manifestem um sentimento de revolta por aquilo que foram assistindo, mas globalmente há uma compreensão de que todos no terreno deram o seu melhor”, afirma.

Entre as várias medidas tomadas ao longo dos anos pela autarquia, que serviram de referência no panorama florestal nacional, “as motobombas revelaram-se extraordinariamente úteis. Foram utilizadas em muitas aldeias e ajudaram a evitar desgraças maiores, está comprovado por testemunhos” verificados durante o encontro, avançou Vasco Estrela.

A reunião decorreu assim, a portas fechadas, num propósito de avaliação. “Ouvir as diversas explicações a ser dadas, a versão da câmara municipal sobre o processo e também dos bombeiros” e de outras entidades que compõem a Comissão. Mais do que “apurar responsabilidades de quem aqui esteve mas eventualmente de quem não esteve”, concluiu Vasco Estrela.

A Comissão contou com a presença dos presidentes de todas as freguesias do concelho, do comandante dos bombeiros voluntários de Mação, do comandante operacional distrital de Santarém, de representantes dos produtores florestais (AFLOMAÇÃO), do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e Florestas) e de militares da Guarda Nacional Republicana.

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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