Mação | Com prejuízos de 1,8 ME, autarquia elogia resposta do Governo aos municípios afetados pela tempestade Elsa (C/ÁUDIO)

Aprovada a resolução do Governo que permite aos municípios afetados pelas depressões Elsa e Fabien, que ocorreram entre 17 e 22 de dezembro de 2019, recorrer ao Fundo de Emergência Municipal (FEM) para a concessão de auxílios financeiros, as autarquias da região vão agora aguardar o aviso para submeter candidaturas para fazer face aos prejuízos reportados. Na região do Médio Tejo, 10 dos 13 concelhos da CIMT reclamaram meses a fio por uma resposta à calamidade que deixou um grande rasto de danos e destruição no ano passado.

Vasco Estrela, vice-presidente da CIM do Médio Tejo e presidente da Câmara Municipal de Mação, gere os destinos do município que mais massacrado foi com a passagem da tempestade, com prejuízos a rondar os 1,8 milhões de euros de onde destaca os estragos que obrigaram a uma obra de 150 mil euros de reparação e requalificação da praia fluvial de Carvoeiro. Obra essa que foi desde logo assumida pela autarquia para que o espaço fosse disponibilizado a tempo da época balnear no verão, numa altura em que ainda se desconhecia se o Governo iria ou não aceder ao pedido de apoios dos concelhos afetados.

“No nosso caso alguns investimentos já estão feitos, o caso mais evidente é a praia fluvial de Carvoeiro. Agora vamos perceber como tudo vai funcionar, as regras, e vamos pôr mãos à obra”, refere.

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Áudio: Vasco Estrela, presidente da CM Mação e vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, em comentário aos apoios anunciados pelo Governo para os municípios que tiveram prejuízos avultados devido à tempestade Elsa no final de 2019

 

O autarca diz ver “com bons olhos” o apoio do Governo por via da ativação do Fundo de Emergência Municipal, deixando agradecimento “pela forma como conseguiu perceber a situação de calamidade que aqui foi criada, em particular nesta região”.

Por outro lado, reconhece que a tomada de posição da CIM do Médio Tejo também foi importante, “aglutinando os prejuízos e fazendo um forcing político no sentido de que estes municípios pudessem ser ressarcidos”.

Um dos exemplos de danos causados no Médio Tejo, na margem ribeirinha junto ao cais de Tancos (Vila Nova da Barquinha), em consequência da depressão Elsa em dezembro de 2019,  onde até uma plataforma foi pelo Tejo abaixo. Foto: CMVNB

Ainda assim, Vasco Estrela reconhece que a decisão para concessão de apoios financeiros poderia ter sido mais célere, sob pena de não ser viável fazer intervenções nesta altura do ano.

“Fazer a reparação dos prejuízos nesta altura e com a que se aproxima, com chuvas… não é seguramente a melhor das alturas para o fazer. Nomeadamente nas linhas de água, cursos de água, reparação de muros de suportes de terras junto às ribeiras (…) temos agora procedimentos para lançar, projetos para elaborar, e tudo isso demora o seu tempo. Vamos esperar que seja publicado o aviso para podermos concorrer, perceber as regras e fazer aquilo que tem de ser feito”, justificou.

O autarca diz esperar que haja “razoabilidade” no que irá ser apresentado em termos de prazos.

Os municípios do Médio Tejo, 10 em 13 concelhos, contabilizaram prejuízos na casa dos 7,7 milhões de euros, contando danos causados em infraestruturas, espaços de lazer, estradas e passagens, praias fluviais e outros.

Mação lidera a listagem de prejuízos, com um valor na ordem dos 1,8 milhões, seguido de Vila Nova da Barquinha e Sardoal (1,5 milhões cada), Abrantes (1,1 milhões) e Vila de Rei (650 mil euros), num levantamento que, segundo Miguel Pombeiro, representa “prejuízos com valores muito elevados e incomportáveis para as câmaras” afetadas.

Abrantes também sentiu bem os prejuízos causados pela passagem da tempestade. Um dos casos deveu-se às fortes chuvas que fizeram galgar a ribeira de Abrançalha para a via pública em Rio de Moinhos, entrando em algumas habitações e estabelecimentos comerciais, deixando a população de sobressalto. Foto: mediotejo.net

A identificação dos custos decorrentes de intervenções de emergência junto de cada município indica ainda prejuízos elevados no Entroncamento (430 mil euros) Constância (300 mil euros), Torres Novas (200 mil euros), Ourém (180 mil euros) e Ferreira do Zêzere (50 mil euros).

A CIM Médio Tejo é composta pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha (no distrito de Santarém), e ainda Sertã e Vila de Rei (no distrito de Castelo Branco), contando com cerca de 250 mil habitantes.

Recorde-se que os efeitos da depressão Elsa se fizeram sentir por todo país, tendo provocado três mortos e deixado 144 pessoas desalojadas e outras 352 deslocadas por precaução. Registaram-se mais de 11 600 ocorrências, na sua maioria referente a inundações e quedas de árvores.

A depressão Fabien juntou-se ao impacto da tempestade Elsa, a 21 de dezembro, o que provocou condicionamentos na circulação rodoviária e ferroviária, bem como danos na rede elétrica, afetando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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