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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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Mação | Câmara devolve Rua das Fábricas a Ortiga após abaixo-assinado

Durou pouco tempo a alteração de toponímia que havia sido aprovada em reunião de executivo camarário, após pedido da Junta de Freguesia, durante o mandato do executivo liderado por José Ferreira (PSD). A população ficou descontente, disse não ter sido auscultada, e a dita rua ficou com o nome de Manuel Rosa Eusébio, fundador da fábrica de pimentão sita em Estação de Ortiga, em jeito de homenagem. Acontece que um abaixo-assinado veio retroceder a decisão da autarquia, após parecer do atual presidente de Junta, Rui Dias (PS).

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O pedido fora feito pelo genro de Manuel Rosa Eusébio, segundo o mediotejo.net conseguiu apurar, mas foi chumbado em Assembleia de Freguesia. Facto que fora ignorado pelo anterior presidente de Junta, que enviou o pedido de alteração de toponímia para a aprovação em executivo camarário.

Na altura a Câmara aprovou este pedido, e a Rua das Fábricas acordou certo dia com outro nome na placa, que fora colocada à socapa por um funcionário da Junta de Freguesia. Algo que deixou os ortiguenses revoltados.

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Em declarações ao nosso jornal, Rui Dias (PS), atual presidente de Junta de Freguesia de Ortiga, esclareceu que a autarquia lhe havia pedido um parecer após ter sido dirigido à Câmara um abaixo-assinado contra esta alteração.

Segundo Rui Dias houve vários indicadores que “não fundamentavam a mudança de toponímia, nomeadamente o facto de o assunto ter sido chumbado em Assembleia de Freguesia [com anterior executivo PSD] e ainda assim ter ido a aprovação em reunião de Câmara”.

Por outro lado, o descontentamento da população foi subindo de tom, e foram sendo pedidas explicações ao atual presidente sobre este tema, algo que refere não ter sido sua responsabilidade, pois não ocupava na altura o cargo. “Deviam ter-se queixado ao antigo executivo, pois foi aí que tudo aconteceu”, lamentou Rui Dias, que relembrou as inúmeras manifestações contra a alteração de toponímia durante eventos promovidos pelo atual executivo da Junta de Freguesia.

Durante o passeio pedestre da Rota das Fontes Enfeitadas, a 1 de maio, uma tradição centenária de Ortiga, os populares da Estação de Ortiga optaram por se manifestar contra a alteração de toponímia na Fonte da Estação, não a engalanando como as restantes. O evento integrou-se no programa do 90º aniversário da freguesia. Foto: mediotejo.net

Por outro lado, Rui Dias deu conta que “em toda a Ortiga apenas duas ruas têm nomes de pessoas, o povo não gosta destas coisas, há outras formas de enaltecer”, referiu.

Na reunião de Câmara de 28 de novembro, o presidente do município Vasco Estrela (PSD) referiu-se a este assunto como “aborrecido”, referindo que foi algo da responsabilidade do anterior executivo municipal, o qual liderou também, e que contou igualmente com Vasco Marques (PSD) enquanto vereador e António Louro (PSD) enquanto vice-presidente.

“Na altura tomámos uma deliberação, e assumimo-la, na íntegra, de alterar o nome da Rua das Fábricas para Rua Manuel Rosa Eusébio, porque na altura – seguindo aliás o que estava na lei – houve uma deliberação da Junta de freguesia, para que o nome mudasse. E a Câmara, nesses casos, não tem a pretensão de exercer o seu poder de forma ‘autoritária’, e entendeu por bem aceder à pretensão da Junta de freguesia”, contextualizou, lembrando que a lei indica que “compete à Câmara a denominação das ruas, praças e outros lugares, após o parecer das Juntas de freguesia, apesar de não ser vinculativo”.

Vasco Estrela frisou que houve alguma “celeuma” criada entre “alguns moradores daquele local”, tendo a Câmara sido “acusada de várias coisas nas redes sociais e não só, nomeadamente de autoritarismo, por não termos consultado as pessoas”.

Rua das Fábricas. Foto: mediotejo.net

“A partir do momento em que a entidade administrativa, que é a Junta de freguesia, que representa as pessoas, toma aquela decisão… partimos do princípio que houve ali, em termos democráticos, a posição devida”, notou, acrescentando que, na altura, “disse que se houvesse uma reversão na decisão da Junta, se voltasse atrás e desse o dito por não dito, a Câmara deveria ter o mesmo procedimento (…) Neste sentido é isso que proponho, que a Câmara volta a estabelecer a denominação da rua como a Rua das Fábricas”, terminou, caraterizando este episódio como “surreal e descabido”, uma vez que “andamos para a frente e para trás consoante a força política ou as pessoas que estão à frente dos órgãos”.

A tomada de posição proposta e aprovada por unanimidade, disse o autarca, deveu-se a uma questão de “coerência”, esperando que não venha “a causar problemas às pessoas” no que toca a mudança de morada ou atualização de documentos pessoais.

Vasco Marques (PSD), vereador da CMM, interveio lembrando que “outros moradores se mostraram agradados com a alteração de toponímia [para enaltecer Manuel Rosa Eusébio] (…) temos de estar todos conscientes que estão a aceder, como fizemos no passado, ao pedido da Junta em representação da população. Certamente, não será de toda a população, e como em todas as decisões, há sempre uns que ficam felizes e outros não”, concluiu.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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1 COMENTÁRIO

  1. Que o Povo se indigne também por razões de peso. Da mesma forma, os responsáveis autárquicos ouvirão e reverterão a actual politica do “deixa andar” que nós (eles) estamos bem. Desassossego social, até termos o direito de ver a nossa vida melhorar.

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