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Sábado, Outubro 23, 2021

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Mação | ‘As crianças Austríacas em Mação’ apresentadas por Mário Tropa

O auditório do Centro Cultural Elvino Pereira é o responsável por receber uma apresentação, esta sexta feira, às 21h00, sobre as 30 crianças austríacas que foram acolhidas por famílias do concelho de Mação, aquando do fim da Segunda Guerra Mundial, entre 1947 e 1952. O responsável pela apresentação sobre as crianças que vieram para Portugal em busca de melhores condições de vida é Mário Tropa, com quem o mediotejo.net trocou algumas palavras.

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Esta sessão da “À Conversa Com…” tem como objetivo manter viva a lembrança das referidas 30 crianças austríacas que foram acolhidas no concelho, distribuídas pelas freguesias de Cardigos, Envendos e Mação. Tendo estes acolhimentos resultado de um contacto entre a Cáritas portuguesa e a Cáritas austríaca, algumas das crianças da altura mantêm a ligação entre ambos os países, que perdurou e perdura e que ajuda a manter a corrente de amizade entre as duas nações.

Mário Tropa, pintor, 76 anos, com raízes em Castelo, Mação, tem-se dedicado a vários assuntos sobre o concelho e a sua história, estando, por exemplo, neste momento prestes a acabar uma investigação sobre os soldados oriundos do concelho que foram à Primeira Guerra Mundial. Casualmente, surgiu o tema das crianças austríacas que viram algumas famílias maçaenses a acolhê-las de braços abertos, ajudando-as a fugir da miséria do pós-guerra.

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Esta investigação sobre o assunto, que deteve até um caráter mais pessoal por ter conhecido duas destas crianças há muitos anos atrás, levou Mário a encontrar 30 crianças que foram acolhidas no concelho. Procurou quem eram, para onde foram, o que fizeram, procurou por toda a informação disponível, e é essa mesma informação que vai apresentar na tertúlia de sexta feira.

Mário Tropa. Foto: mediotejo.net

Após o surgimento deste tema, Mário Tropa achou que tinha toda a pertinência apresentá-lo e torná-lo público à população, até porque o mesmo considerou-se surpreendido, pois o assunto é “praticamente desconhecido pela população, ou se calhar, mais do que desconhecido, está esquecido, sendo essa a razão que torna tão importante falar sobre ele”.

Mário, que já fez outras apresentações deste tipo, normalmente sobre arte, que é a sua área, revela que embora normalmente exista uma tentativa de conciliar as apresentações com exposições, neste caso isso não será “necessário”, pois ao longo da apresentação vai mostrando as fotografias que conseguiu arranjar, tanto das crianças na altura como das suas famílias e das suas casas, numa tentativa “de enquadrar as crianças nas próprias famílias que as acolheram”.

Tendo por norma entre 50 a 100 pessoas presentes nas sessões, Mário considera o assunto importante para a população do concelho, visto ser algo relacionado com a história e as gentes de Mação, o que aliás é uma condicionante sempre tida em conta aquando da escolha dos temas para a iniciativa mensal. “A intenção é sempre debater assuntos relacionados com o concelho de Mação, embora talvez isso por vezes não resulte tão bem, mas temos sempre cerca de meia sala cheia, o que é, ao mesmo tempo, significativo e agradável”, disse o pintor.

Auditório do Centro Cultural Elvino Pereira. Foto: mediotejo.net

Contando, à partida, com questões relativas à semelhança entre este caso das crianças austríacas e o dos refugiados, assunto bastante debatido na atualidade, Mário considera que os casos não são propriamente idênticos, uma vez que as crianças não eram refugiadas na verdadeira aceção da palavra, visto terem vindo para Portugal não durante a guerra, mas após a guerra, cerca de dois a três anos depois de esta acabar.

Embora estas crianças tenham chegado a Portugal devido às suas miseráveis condições de vida, “não podemos compará-las com os ‘verdadeiros’ refugiados, que vivem um drama ainda maior”. Esta questão acaba, na opinião do pintor, por levantar outras, como a da recetividade, que acaba por estar ligada à primeira matéria: “na altura, alguns meios achavam que se estava a perder dinheiro e vontade com estrangeiros, quando na verdade Portugal também atravessava grandes dificuldades”, refletiu Mário.

No entanto, é inegável que o desespero das famílias austríacas era enorme, sendo prova disso que muitas delas “preferiam que os filhos ficassem por cá. Iam de vez em quando à Áustria ver a família, mas esta preferia manter as crianças em Portugal, onde tinham melhores condições de vida”, disse Mário Tropa.

Algumas destas crianças acabaram por ir ficando e por se estabelecerem em definitivo no país.

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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