Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Segunda-feira, Outubro 18, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Mação | António Louro, o senhor MacFire

Com cerca de 41.000 hectares de área, 122 lugares e aldeias onde residem cerca de 7 mil e quinhentas pessoas, 80.000 pequenas propriedades e 95% de área florestal, Mação viu o seu território ser devastado por incêndios nos últimos 30 anos. A necessidade aguçou o engenho e ali foram criadas ferramentas de ordenamento da floresta, distribuídos kits de primeira intervenção a mais de 120 aldeias, definidos conceitos para um mundo rural humanizado, criadas ZIF para melhor gestão e para criação de riqueza, e foi criado o sistema informático MacFire (Mac de Mação, Fire de fogo), que agora se alarga a todo o distrito de Santarém. Apesar de tudo, ninguém está a salvo dos grandes incêndios. Mas há quem crie ferramentas que os podem ajudar a resolver e António Louro não pára de pensar e de executar. Dessem-lhe mais ferramentas…

- Publicidade -

O mediotejo.net falou com quem está por detrás de toda a equipa de Proteção Civil de Mação. António Louro, mentor dos conceitos e dos projetos, vice-presidente da Câmara de Mação, é engenheiro de formação, presidente da AfloMação – Associação de Produtores Florestais do Concelho de Mação -, e preside ainda à direção do Fórum Florestal.

Autarquia concebeu o sistema em 2004, tendo investido cerca de 125 mil euros no MacFire. Foto: José Oliveira

- Publicidade -

O sistema Mac Fire é único no mundo e, para além do Ministério do Ambiente de Espanha – que atribuiu a Mação o prémio “El Batefuegos de Oro”, em 2006 – despertou a atenção de bombeiros da Califórnia e mereceu uma reportagem da cadeia televisiva francesa TF 5.

António Louro, que é também o responsável pela proteção civil municipal e o mentor de projetos de prevenção, vigilância e combate a incêndios, além do conceito de “Zona de Intervenção Florestal (ZIF) de Gestão Total” e da “Sociedade de Gestão Territorial”, fez distribuir dezenas de motobombas por todas as aldeias do concelho e criou o sistema MacFire, ferramenta informática que permite levar a informação existente sobre a zona de combate para o Posto de Comando e monitorizar o desenvolvimento do fogo em tempo real.

O cadastro territorial de Mação identifica mais de 20 mil proprietários de pequenas parcelas de terreno (minifúndio), com 0,7 hectares de dimensão média.

Desta forma não há território que resista e que seja sustentável ou possa ser gerador de riqueza, mais a mais quando os seus proprietários emigraram e as terras estão ao abandono”, refere António Louro ao mediotejo.net, tendo alertado que, “apesar da excelência do sistema de proteção civil existente em Mação, estamos conscientes que apenas com o reordenamento da paisagem e melhor gestão dos espaços florestais poderemos vir, um dia, a estar mais tranquilos”.

O MacFire foi um instrumento idealizado e desenvolvido em Mação para o combate aos fogos, uma ferramenta informática que permite levar a informação existente sobre a zona de combate para o Posto de Comando e monitorizar o desenvolvimento do fogo em tempo real.

“É um sistema muito útil no apoio à decisão imediata, porque nos dá a exata realidade do que se passa no terreno, transmitindo uma visualização adequada das áreas de incêndio, da sua possível progressão e da exata localização do fogo, e que nos permite fazer a escolha do ponto adequado para ataque a um ponto de incêndio, ou a determinação do caminho para lá chegar, funcionado como uma célula de planeamento das intervenções a realizar”, destacou.

Por outro, acrescentou, o sistema MacFire, através da utilização da tecnologia GPS, “dá-nos a imediata informação sobre a localização de todos os meios terrestres envolvidos no combate, sabendo-se, a todo o momento, a exata posição de cada viatura, para além de informações para reconstituição histórica e análise” da ocorrência.

“O sistema MacFire é muito útil na recolha e gestão de informação para definir a melhor estratégia para a utilização dos meios de combate disponíveis”, vincou, tendo lembrado ainda a importância das buldozzers no combate direto, estando as duas de Mação equipadas com GPS e rádio.

Sistema MacFire alarga-se de Mação a todo o distrito de Santarém. Foto: DR

O sistema MacFire, ferramenta informática criada em Mação para monitorizar o desenvolvimento dos incêndios em tempo real, começou este ano 2018 a ser implementado em todo o distrito de Santarém.

O Mac Fire (Mac de Mação, Fire de fogo), sistema desenvolvido por técnicos informáticos de Mação  em 2004 e por especialistas de uma empresa do ramo das novas tecnologias, permite levar a informação existente sobre a zona de combate a incêndios rurais para o Posto de Comando móvel existente em cada sinistro sendo que, na base do sistema, está a cartografia militar, mas também as cartas de risco de incêndio e os hortofotomapas (fotos aéreas retificadas no solo).

A novidade introduzida por António Louro, vice-presidente e responsável pela proteção civil em Mação, foi integrar esta informação e sobrepor os mapas, permitindo visualizá-los todos ao mesmo tempo. A tudo isto, junta-se a tecnologia GPS, dando a localização exata das viaturas no terreno, bem como a posição das frentes de fogo e o valor rigoroso da área atingida, o que permite prever a sua provável evolução, para além de fazer o histórico de cada sinistro, para avaliação futura.

O sistema, em que a autarquia de Mação investiu cerca de 125 mil euro em 2004, está instalado no que parece ser uma vulgar carrinha, tendo no seu interior seis monitores encaixados nas paredes que transmitem informação em tempo real da situação no terreno, com informações vitais para a tomada momentânea da decisão, como seja o posicionamento dos bombeiros, onde anda o fogo e em que dimensões, onde é prioritário intervir, os melhores acessos e os pontos de água mais próximos.

A situação no terreno é acompanhada a par e passo, ficando ainda disponíveis informações importantes sobre a localização, características e operacionalidade de todas as infraestruturas florestais relevantes no combate aos incêndios, como tanques, charcas e estradões, para além do registo histórico de cada sinistro, que permitirá análises futuras do comportamento do fogo em cada momento.

O sistema, que funciona em Mação há mais de uma década, alarga-se este ano a todo o distrito de Santarém devido ao “desafio lançado ao comandante distrital” e, “oportunamente também às duas Comunidades Intermunicipais (CIM) do distrito”, disse António Louro, para quem, revela, “com a junção de esforços de todos, foi possível fazer a expansão do MacFire” para todo o distrito, composto por 21 municípios e com grande histórico de incêndios.

“Com esta conjugação de esforços, o município de Mação disponibilizou aquilo que tinha e foi possível dar ainda um salto tecnológico muito importante, porque, naturalmente, a tecnologia está sempre a evoluir e hoje o programa tem mais funcionalidades do que tinha no passado, está ainda mais completo, e penso que pode ser uma mais-valia para o futuro e para a defesa da floresta desta região”.

O MacFire, no entanto, “não apaga fogos”, disse o mentor do sistema, engenheiro florestal de profissão.

“É uma ferramenta que ajuda numa situação complexa como em grandes incêndios florestais, é uma ferramenta de apoio à decisão, para quem tiver de decidir o consiga fazer de uma forma mais acertada e num tempo mais curto. Penso que é um passo importante para todo o distrito”, afirmou, tendo feito notar que o sistema viu uma candidatura aprovada de 400 mil euros para processo de investigação.

Em Santarém, o sistema “tem vindo a ser implementado há cerca de um mês para cá, foram feitas várias ações, e neste momento já está disponível para utilização nas diferentes ocorrências. Ainda não dispomos do equipamento todo, ainda há coisas que estão a ser adquiridas e montadas nas viaturas, mas o básico, o essencial já está”, assegurou.

Questionado sobre a importância da parceria e do alargamento do sistema MacFire, António Louro disse que Mação “tem dado o seu conhecimento, pelo que é um momento de regozijo e significa que o esforço que fizemos ao longo destes 14 anos estava orientado no sentido correto e o caminho, obviamente, era por aqui. Chegou agora a hora do reconhecimento e isso é importante para nós”, concluiu.

António Louro é o mentor do sistema MacFire. Foto: José Oliveira

O sistema MacFire já foi implementado em todo o distrito de Santarém?

Antonio Louro – Já foi iniciada a implementação, ou seja, é um processo dinâmico e continuo, não está ainda concluído, mas já foram feitas as acções de formação para as equipas de posto de comando…

Como surgiu esta possibilidade…

Entretanto nós fizemos o desafio ao comandante distrital e oportunamente contactámos as CIM e então com a junção de esforços de todos foi possível fazer a expansão do McFire para o distrito de Santarém. A colaboração das CIM do Médio Tejo e da Lezíria foi indispensável….em que houve um apoio significativo cedendo sofware, instalações logísticas e até procedendo à aquisição de algum equipamento que era importante para instalar nas viaturas. Com esta conjugação de esforços o município de mação disponibilizou aquilo que tinha e foi possível dar ainda um salto tecnológico muito importante, porque, naturalmente a tecnologia está sempre a evoluir e hoje o programa tem mais funcionalidades do que tinha no passado, está ainda mais completo e penso que pode ser uma mais-valia para o futuro e para a defesa da floresta desta região.

O McFire não apaga fogos. É uma ferramenta que ajuda numa situação complexa como em grandes incêndios florestais, é uma ferramenta de apoio à decisão, para quem tiver de decidir o consiga fazer de uma forma mais acertada e num tempo mais curto. Penso que é um passo importante para todo o distrito.

O que as CIM e a Proteção Civil tiveram de fazer…..

Houve a necessidade de fazer a aquisição de alguns equipamentos dada a fragilidade financeira dos Bombeiros…. Houve a necessidade das entidades chamarem a si esse financeiro e com essa junção de esforços foi possível iniciar o processo. Neste momento ainda não está concluído, mas já foi feita a formação das três equipas que existem no posto de comando na utilização do programa, já foi utilizado em tempo real em vários incêndios que têm vindo a acontecer no distrito, estamos num processo de aprendizagem. É uma implementação que não é automática. É um processo de integração daquilo que é a operacionalidade normal do sistema de proteção civil do distrito, mas que está a correr muito bem e está a ter uma excelente receptividade.

O MacFire está a ser instalado em carrinhas….

Como o distrito já tinha as carrinhas móveis, o que estamos a fazer é a instalação nessas carrinhas que o distrito dispunha do software e dos equipamentos necessários para tirar partido deste software. Para além da carrinha que já existia em Mação, as outras três do distrito passaram a estar equipadas com o programa.

Nós antes conseguíamos concentrar essa informação relevante sobre o incêndio na viatura que era a célula de planeamento do incêndio. Agora com as novas tecnologias conseguimos depois dar de volta a quem está no terreno uma panorâmica geral do incêndio com os limites, os pontos significativos, e as áreas prioritárias. É um passo bastante importante em termos de segurança.

Estes programas nunca estão completos e há aqui novos passos que vão ser necessários dar, até para darmos uma maior segurança no acesso à internet, porque muitos dos sítios têm limitações, como é natural. Foi apresentado um projecto por alguns consórcios do ensino superior, nomeadamente a Universidade de Aveiro, a Universidade Nova, o IPMA e a Direcção Geral do Ordenamento do Território em que fazem parte de uma parceria que apresentou uma candidatura à FCT – Fundação da Ciência e Tecnologia, financiada no montante de 400 mil euros e que vai permitir fazer o desenvolvimento do programa durante os próximos anos, aportando-lhe novos componentes, nomeadamente uma maior capacidade de prever o desenvolvimento dos fogos em tempo real.

Temos vindo a implementar o sistema de há cerca de um mês para cá, foram feitas várias acções, neste momento já está disponível para utilização nas diferentes ocorrências. Ainda não dispomos do equipamento todo, ainda há coisas que estão a ser adquiridas e montadas nas viaturas, mas o básico, o essencial já está.

Mais valias do MacFire em termos de prevenção e combate…

Fazemos votos para que sirva para que se consiga diminuir o impacte dos grandes fogos…. Foi para isso que ela foi desenhada, mas sozinho não irá fazer isso. O MacFire é uma ferramenta de apoio à decisão, quem apaga fogos são os bombeiros, os sapadores, as máquinas de rasto, mas esta é uma ajuda importante para quem tem de tomar decisões e tem ainda um aspeto muito importante: guarda o histórico, onde estava em cada momento cada uma das viaturas, de que forma o incêndio se foi desenvolvendo, e, portanto, vai permitir-nos no pós-fogo fazermos uma análise daquilo que correu menos bem e podermos aprender com isso. Penso que é uma ferramenta muito importante e vem ao encontro daquilo que tem sido uma solicitação crescente por parte dos vários grupos de trabalho que era o desenvolvimento de ferramentas de apoio à decisão. Ela estava cá, estava desenvolvida, finalmente vai ser alargado o seu âmbito e a sua aplicação.

Para além das CIM, o comando operacional também elogiou o sistema MacFire…

O CODIS de Santarém teve um papel muito importante porque aceitou e abraçou este repto de uma forma muito entusiástica. Ele conhecia a ferramenta e tinha para si muito claro que era uma enorme mais-valia para todos e foi muito importante a forma efusiva como abraçou o projecto e como abraçou o desafio de fazer esta extensão a todo o distrito com o apoio muito importante das CIM.

Quanto pode custar cada sistema destes…

Não é muito significativo em termos de investimento, tem uma componente que ainda tem algum peso a nível de licenciamentos de software, mas não é muito pesado o investimento. Estremos a falar de dezena e meia de milhares de euros… 15 a 20 mil euros…

E o MacFire pode extender-se de Mação e Santarém a outros distritos do país?

Vamos ver como é que corre. Neste momento continua a ser o sistema mais completo e mais robusto existente em Portugal e nesse sentido vamos ver o que é que acontece no futuro. Pode ser que, se as coisas correrem bem este ano, no próximo ano se possa alargar a sua aplicação a outros territórios.

E a candidatura aprovada de 400 mil euros para investigação…

Esse dinheiro irá ser aplicado em estudos, apoios a teses de doutoramento, mestrados nessas instituições de ensino superior e essas teses irão versar sobre o desenvolvimento do sistema e a resolução de alguns problemas técnicos que eles têm. Uma pequena parte será aplicada também em hardware, em aquisição de equipamentos que necessitamos para dar maior robustez ao sistema, mas a maior parte será no pagamento e no apoio a teses de doutoramento e de mestrado nesta área.

Uma carrinha destas podia ser mobilizada para os incêndios de Monchique, por ex?

Nós estivámos aqui a ver o incêndio de Monchique.

Sistema MacFire esta instalado em carrinhas móveis e posto de comando. Foto: DR

Segundo lembrou António Louro, “desde 2003 foi criada a AfloMação, associação dos proprietários florestais do concelho, foi construída uma rede de caminhos florestais com mais de 2200 km, e diversos grandes pontos de água onde os helicópteros possam atestar, como a lagoa do Bando, que se localiza exatamente no centro do concelho”, enumerou.

Para além do Plano Municipal de Ordenamento Florestal, foi ainda implementado um sistema municipal de vigilância e 1ª intervenção, rede de comunicação municipal via rádio, sinalética florestal, circulares de proteção aos aglomerados urbanos, rede de faixas de gestão de combustíveis e linhas elétricas, para além de duas bulldozer sempre pronta a sair nas alturas críticas com GPS e rádio.

A constituição do Gabinete Técnico Florestal, Postos de Vigia e equipamentos de Navegação por GPS em todas as viaturas da Proteção Civil e Bombeiros Municipais, que permitem o controlo da sua localização e situação de operacionalidade em tempo real, são outros elementos elencados por António Louro no conjunto de “ferramentas fundamentais de combate” aos incêndios.

No entanto, alertou, e “apesar de todo esta experiência de trabalho no terreno e do historial de incêndios florestais, Mação não está a salvo de ser assolado por mais uma catástrofe deste género. Mação e mais de metade do território nacional”, concluiu.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome