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Terça-feira, Agosto 3, 2021

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Mação | Alunos felizes no Horizonte Solidário da Escola em visita aos cavalos da Quinta do Cabrito

No âmbito do projeto Apadrinhamento de uma Criança, integrado no Horizonte Solidário, do Agrupamento de Escolas de Mação, realizou-se uma atividade no Centro Equestre do Cabrito, em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes) onde madrinhas e afilhados puderam conviver de forma lúdica e estreitar laços. Além da visita à Quinta, os nove alunos participantes tiveram a oportunidade de usufruir de uma experiência de equitação.

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“Este é um projeto de felicidade! Porque tem o objetivo de deixar as crianças e jovens mais felizes”, começa por dizer o diretor do Agrupamento de Escolas de Mação, José António Almeida. Sendo que o Agrupamento Verde Horizonte assume-se como “elemento estratégico na melhoria da qualidade de vida no concelho de Mação e concelhos limítrofes”.

Portanto, as ações solidárias “têm uma importância fundamental!”, assegura o diretor. A iniciativa passa por ser “um olhar atento para todas as necessidades de crianças e jovens. E esse olhar atento tem de que ser bem abrangente; ou seja, olhar para tudo o que as crianças necessitam”, diz.

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José António Almeida admite que “à partida é mais fácil olhar para as necessidades em termos pedagógicos, em termos de aprendizagens, mas para que as aprendizagens aconteçam é necessário que um conjunto de necessidades sejam satisfeitas”.

O diretor do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação, José António Almeida, e a professora Cláudia Olhicas. Créditos: mediotejo.net

Para tal a Escola de Mação conta com “a professora Cláudia e a equipa que acompanha no Horizonte Solidário fazem isso muitíssimo bem; têm um olhar atento a todo o universo escolar, detetam essas fragilidades e de uma forma subtil, ajudam as crianças e jovens a colmatar essas necessidades que as famílias, muitas vezes não têm condições para o fazer”, explica.

No fundo, apresenta-se também como uma iniciativa “para a promoção do sucesso escolar” considera. Porque “se as crianças tiverem as suas necessidades básicas, mais e melhores satisfeitas, se tiverem as condições materiais mínimas para ter sucesso e conseguirmos desencadear uma vontade de aprender, é muito mais fácil!”, defende.

O projeto Apadrinhar uma Criança, nasce da consciência da comunidade escolar das necessidades/fragilidades de algumas das crianças do pré-escolar, do 1º e 2º ciclos, do Agrupamento de Escolas de Mação, percecionadas no decorrer do último ano letivo pela equipa Horizonte Solidário.

Alunos da Escola de Mação em visita ao Centro Hípico do Cabrito, em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes). Créditos: mediotejo.net

“Tentamos que tenham mais momentos de felicidade. E o projeto não consegue com todos mas consegue com parte deles. Todos aqueles que envolvemos no projeto acabam por ter estes momentos de outra forma não teriam”, acrescenta ainda o diretor.

Essas fragilidades foram compreendidas pelos professores no inicio do ano letivo “através de um questionário, mais de 300 aplicados a todos os alunos e pais. Foi com base nessa informação que fomos ao encontro daqueles que mais precisavam, em função das suas fragilidades e necessidades. Trabalhamos para que se sintam melhor na escola para que as aprendizagens sejam efetivamente melhores”, explica ao mediotejo.net a coordenadora do projeto, Cláudia Olhicas.

A equipa permanente do Horizonte Solidário conta atualmente com 10 elementos e mais quatro colaboradores; ou seja um total de 14 pessoas entre professores e técnicos.

Alunos da Escola de Mação em visita ao Centro Hípico do Cabrito, em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes). Créditos: mediotejo.net

A ideia passa portanto, por estabelecer um vínculo afetivo com a criança que permita o seu bem-estar e desenvolvimento integral. Designadamente acompanhar a criança nas suas necessidades e características individuais; orientar a criança no seu percurso escolar; cuidar e ajudar para que a criança sinta harmonia e amor; proporcionar ao afilhado momentos únicos de alegria e felicidade; e assumir as responsabilidades próprias deste vínculo.

Esse laço afetivo fortaleceu-se na quarta-feira na Quinta do Cabrito, um centro hípico com escola de equitação, da responsabilidade de Gonçalo Fragoso, em Rossio ao Sul do Tejo.

Gonçalo não tem dúvidas quanto às mais-valias que a equitação acrescenta na Educação das crianças. “Quem respeita os animais, respeita as pessoas”. Lembra que a equitação “era a única coisa que os reis tinham de aprender verdadeiramente, porque o cavalo não distingue quem o monta, e as crianças percebem que toda a ação gera reação e que temos de ser bons para também nos darem coisas boas”.

Alunos da Escola de Mação em visita ao Centro Hípico do Cabrito, em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes). Créditos: mediotejo.net

A Quinta do Cabrito disponibilizou-se para esta ação solidária da Escola Verde Horizonte com Gonçalo Fragoso a garantir que também está aberta a outras iniciativas.

“Às vezes as pessoas falam que a equitação é para os ricos ou para pessoas com mais poder monetário. Aqui não funciona assim! Ninguém fica sem montar a cavalo, quer tenha ou não dinheiro. Se não tiver dinheiro dou aulas de borla. Sempre fiz isso! Porque acho que deve ser mesmo assim”.

Na tarde daquela quarta-feira, que porventura ficará na memória dos nove alunos participantes e também dos oito professores presentes, aprendeu-se que “montar é um finalmente. Há muitas outras coisas antes, que têm de ser feitas, e isso sim é a piada da questão; tratar os animais, aparelhá-los, conviverem uns com os outros e no fim temos o ‘prémio’ de montar. Porque montar por si só, acho que é pouco para o que podemos desfrutar nesta vida ao ar livre”, considera o proprietário da Quinta.

O projeto Horizonte Solidário surgiu no ano letivo de 2019/2020 “motivado por algumas ações pontuais que fomos desenvolvendo em anos anteriores, de forma espontânea. Quem pensou no projeto convidou-me porque sempre desenvolvi na escola ações solidárias. Este ano letivo firmamos o Horizonte Solidário, concebemos o projeto e temos vindo a realizar atividades em prol das nossas crianças. São todas desenvolvidas dos nossos alunos para os nossos alunos e dos nossos professores para os nossos alunos”, explica Cláudia Olhicas.

Alunos da Escola de Mação em visita ao Centro Hípico do Cabrito, em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes). Créditos: mediotejo.net

Até então as iniciativas solidárias passavam por um trabalho “para fora. Agora estamos a trabalhar para dentro, apoiando os nossos alunos das diferentes formas, seja na forma psicológica – porque também temos uma psicóloga no grupo – seja na orientação para o estudo, um conforto, um afeto e temos feito algumas ações que acabam por ajudar financeiramente aquelas famílias que não têm condições, por exemplo, para comprar uns óculos, como já fizemos e estamos agora a ajudar mais duas famílias”, acrescenta.

O Horizonte Solidário propõe-se trabalhar a dimensão humana, os afetos, os relacionamentos e as emoções e a caminhar no sentido da mudança coletiva de comportamentos e atitudes, promovendo a igualdade de oportunidades. Pretende, por isso, criar uma rede humana, a partir da qual todos contribuam para uma comunidade mais justa; afetiva/equitativa/igualitária.

Com o objetivo de obter fundos “para ajudar alunos com fracos recursos financeiros”, a equipa do Horizonte Solidário tem realizado feiras, nomeadamente no Natal passado, desenvolveu este ano uma campanha de doação de equipamentos digitais móveis usados, como smarthphones ou tablets, e no acompanhamento dos alunos, no ensino à distância, através no Apadrinhamento de uma Criança “conseguimos trabalhar muito bem a afetividade, ouvi-los e ter tempo para eles. Agora estamos com o horário muito preenchido, mas ainda assim a vinda à Quinta do Cabrito é o culminar do trabalho feito ao longo do segundo e terceiro período”, refere Cláudia.

No final da ação a Escola Verde Horizonte ofereceu um certificado de reconhecimento a Gonçalo Fragoso, por disponibilizar a Quinta do Cabrito para esta ação solidária. Créditos: mediotejo.net

O apadrinhamento é levado a cabo por professores mas também por alunos. Atualmente a equipa acompanha apenas alunos do 1º e 2º ciclos, “mas os alunos a partir do 10º ano também podem apadrinhar. Hoje temos cá duas meninas”, revela a professora.

Fala num projeto “muito gratificante” também ao nível pessoal. “Basta um olá madrinha, por exemplo. São ganhos! Crescemos imenso como pessoas, e é isso que andamos cá a fazer, para podermos ajudar quem precisa. São construções até para a nossa identidade, para a nossa forma de estar. Claro que não é para todos, é para quem sente no coração!”.

No final da ação, após todos terem a experiência de montar a cavalo e de visitarem o centro hípico, a Escola Verde Horizonte ofereceu um certificado de reconhecimento a Gonçalo Fragoso, por disponibilizar a Quinta do Cabrito para esta ação solidária.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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