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Sexta-feira, Agosto 6, 2021

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“MAAT, CCB e Criatividade”, por Massimo Esposito

O Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia (MAAT), situado perto do museu da eletricidade em Lisboa, foi inaugurado com pompa e publicidade na presença de ilustres e muito público no 5 de outubro, festa nacional.

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Longa fila de interessados e curiosos foi a marca do dia para ver o que finalmente se podia ver de novo. Uma arquitetura belíssima, envolvente e progressiva chamou-me a atenção. Toda a estrutura é revestida de pequenas placas de cerâmica que dá um brilho especial às paredes modulares e recurvas deste belo edifício. Gostei sobretudo da ideia de “caminho” que dão as paredes curvas e a possibilidade de subir desde o piso térreo até ao tecto numa continuidade gradual e onde, lentamente, se pode caminhar desde o coração do construção até ao tecto que, afinal, é um terraço com uma vista privilegiada sobre o Tejo e a cidade. E que seja dado um grande elogio a arquitecta que o desenhou. Gostei.

Encontrei-me com um colega, curiosos os dois, para ver o que a Fundação EDP estava preste a apresentar-nos com as selectas obras de arte de sua propriedade: instalações? Fotografias? Projetos? esculturas?…ou até mesmo quadros pintados?

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Seguindo a fila entramos com o coração a bater e começamos por ver jogos de luz e meninos a jogar num espaço reservado onde os pais podem brincar com os próprios rebentos. Achei bom, visto as crianças poder-se aborrecer a ver tanta arte. Começamos a descer seguindo intermináveis paredes brancas que se desenrolam por dezenas de metros, depois de mais umas boas passadas por entre muros brancos. Chegamos à sala principal, enorme, com luz natural que chove do tecto transparente e.. .encontramos três fotografias, uma raiz de árvore e uma impressão colada a um pilarete. Um pouco mais à frente entramos numa sala de vídeo que mostrava um aborrecidíssimo vídeo a preto e branco. E mal filmado. Procuramos mais um pouco mas estávamos cercados por paredes brancas e vazias. Numa tentativa de entender perguntei a uma assistente. Ela, com um sorriso rasgado, diz-me: “as obras vão chegar de março para diante…”

Assim percebi realmente a criatividade dos curadores e entendidos de arte “contemporânea”, isto pode-se reduzir a criar uma grande expectativa em relação a um evento, gastar alguns bons milhões de euros do erário publico, escolher uma data importante que possa ser útil para ter publico suficiente e, depois, não interessa o que se apresenta, aliás pode apresentar-se “O NADA”, como neste caso. E todos devem estar felizes para ter mais um pólo cultural em Lisboa.

E digo isto com convicção visto que, triste pela experiência MAAT, fui ao Centro Cultural de Belém (CCB) e ali foi ver a exposição ENIGMA. E enigma ficou, visto ser todo ela vazia, encaixotada e com pessoas de nariz ao alto a procurar “cultura”. Mas a cultura continua a ser um enigma, a arte continua a ser uma dúvida, repete-se a charada das inaugurações fantasmas, das exposições caras que não “tocam” o público.

Por favor não continuem a criar “enigmas” para o povo sedento de arte, mas mostrem o que tanto se está a produzir neste belo país. Mas o que realmente gostamos, não só o que as elites escolhem.

Obrigado.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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