- Publicidade -
Quarta-feira, Dezembro 8, 2021
- Publicidade -

“Lides artísticas”, por Massimo Esposito

Vivo no Ribatejo desde 1986 e quando comecei a trabalhar como pintor em Portugal a maioria das encomendas de quadros e painéis de azulejos eram de toureiros e forcados. Os famosos “Piranha” de Fazendas de Almeirim, “Dom” Luís de Almada de Alpiarça ou os forcados de Chamusca, ajudaram-me a conhecer a arte do toureio, ver como o touro olha o cavalo, como ataca o forcado, a agilidade do cavalo, a beleza das jaquetas e a tradição das touradas. Não sou nem pró, nem contra, mas é uma tradição centenária do Ribatejo e aqui ninguém pode dizer nada. O facto que mais me impressionou, a mim, italiano e sem conhecimentos das “lides” tauromáquicas, foi uma em especial. Nunca devemos olhar de lado, devemos sempre olhar o touro, nunca deixar o nosso objectivo, nem por um instante, porque se o fazemos… pode ser fatal.

- Publicidade -

E gostei do termo “lides” (tarefas, labutas, fainas). Sim! Para entrar numa praça de touros devemos labutar, lidar com as dificuldades e isto é natural visto um touro poder pesar de 500 a 800 Kg e quando corre bate mais forte que um carro, mas nunca, nunca pensei “lidar” por causa da arte.

Sei que em qualquer área devemos esforçar-nos para chegar à meta, mas ter de “lidar” com a arrogância, a ignorância, a indolência mental, a preguiça no campo artístico nunca pensei, visto a arte ser sinónimo de liberdade. Mesmo aqui, no Ribatejo, tive de “lidar” ultimamente uma grande tourada artística para poder continuar a divulgar e ensinar arte.

- Publicidade -

Não quero nomear pessoas nem cidades, ELES próprio sabem quem são e onde vivem, mas tive uma experiência alucinante na qual presidentes de instituições culturais, colegas, gerentes e responsáveis camarários pela cultura, mostraram uma face ainda não tão bem conhecida da minha parte. Eu sei, eu sei, sou Italiano e isto é sinonimo de Máfia, mas não se iludam que muitos Portugueses aprenderam bem a lição do “Padrino” e vi em acção conluios, apadrinhamentos, nepotismos… para quê?

Afinal, ELES não fazem o meu trabalho, ELES não deixam fazer e nem fazem, propalam promessas, abraçam e beijam como Judas ou lavam as mãos como Pilatos e depois, como se diz aqui em Abrantes, tudo fica como dantes, e deviam ter vergonha em como se comportam.

Eu tive de “lidar”, suar, empenhar-me para conseguir. Durante estas “lides” também encontrei amigos que, sem interesse, me ajudaram e, como os forcados fazem, trabalhamos unidos para conseguir “lidar” o touro artístico. A estes um grande obrigado.

Resumindo este tema, continuo a ficar triste ao ver tanto potencial humano, imobiliário e artístico subaproveitado por pessoas que por causa da sua indolência, insolência e preguiça, não ajudam a desenvolver, como deveria ser, a arte no nosso país.

Espero que no futuro, os jovens percebam como é importante trabalhar em conjunto, sem inveja nem arrogância.

Obrigado aos amigos e aos outros… Bem-hajam e Bom trabalho.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome