Lezíria e Médio Tejo sem estruturas de apoio ao doente mental – estudo

ACES Médio Tejo vai debater os "Desígnios da Mente, Saúde Sempre" nas VII Jornadas de saúde dias 13 e 14 de fevereiro. Foto: DR

A falta de estruturas de apoio ao doente mental na Lezíria e Médio Tejo e a necessidade de normalizar procedimentos nos hospitais são duas das conclusões de um estudo sobre o estado da saúde mental em 24 concelhos.

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O relatório do Estudo da Saúde Mental na Lezíria e Médio Tejo 2015 foi apresentado hoje no Fórum “Saúde Mental”, organizado pela Rede Social – Plataforma Supra Concelhia da Lezíria do Tejo e Médio Tejo, que encerrou a Semana da Saúde promovida pela Câmara Municipal do Cartaxo.

Liliana Silva, da Farpa – Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes Psicóticos, que integrou o grupo de trabalho que realizou o estudo, disse à agência Lusa que os dados relativos à região espelham a realidade nacional, com a diferença de que se trata de um território muito extenso, disperso e diversificado, com concelhos em que o isolamento dos doentes é “preocupante”.

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Os dados revelam que existe maior prevalência de doenças mentais nos concelhos de Santarém, Benavente, Torres Novas e Abrantes, sendo, contudo, mais elevada proporcionalmente nos concelhos de Coruche, Almeirim Ourém e Tomar.

A doença mental com mais casos registados é a depressão, seguindo-se o abuso do álcool, as demências e as alterações de memória.

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Os problemas de saúde mental afetam mais as mulheres, à exceção da esquizofrenia, abuso de álcool e drogas, que afetam mais os homens.

Nos jovens os casos mais referenciados são o abuso agudo do álcool e drogas, o suicídio/tentativa de suicídio, a anorexia e a bulimia.

A demência e as alterações de memória registam-se sobretudo nas populações mais idosas.

“Uma coisa o estudo comprovou: a sensibilidade dos técnicos estava correta. Existe de facto uma divergência acentuada entre a realidade e as estruturas que dão resposta”, disse à Lusa Hélder Trigo, do Centro de Respostas Integradas do Ribatejo, frisando que os serviços de psiquiatria e os hospitais de dia estão sem capacidade de resposta e as equipas locais de cuidados não estão preparadas para lidar com estas situações.

Liliana Silva afirmou que experiências em Portugal e em outros países demonstraram os benefícios dos cuidados integrados na comunidade, sublinhando Hélder Trigo ganhos como a redução das terapêuticas, a sua maior funcionalidade e poupança de recursos, além da importância da integração e da redução do estigma.

O estudo revela que na Lezíria apenas existe uma unidade socio-ocupacional (da Farpa, em Santarém, com capacidade para 10 pessoas), sendo que a existente em Torres Novas (com a mesma capacidade), embora esteja equipada há mais de três anos, continua sem licenciamento nem acordo com o Estado.

Para Liliana Silva, é fundamental que se decida a articulação entre a Segurança Social, que assegura o financiamento às instituições particulares de solidariedade social, e o Ministério da Saúde, de forma a permitir candidaturas específicas nesta área a fundos comunitários.

 

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