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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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“Leitão e currículos”, por Armando Fernandes

No dia 3, sábado chuvoso, desloquei-me propositadamente à Bairrada no fito de apreciar, analisar, estudar o currículo de um leitão leitoso embora sem a significação de leite inserida no famoso livro de receitas de Apício, De Re Coquinaria.

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A prova de aferição realizou-se na companhia de ínclito amigo catedrático jubilado, presentemente a orientar programas de desenvolvimento em três Continentes. As mulheres com quem contraímos contratos de casamento participaram no exame e aceitaram o encargo de conduzirem as viaturas.

O bacorinho apresentou-se bem cortado sem rebouços e nessa altura logo saltou do baú da memória o turbulento currículo de um professor de música do Politécnico de Bragança, o doutorado era falso, verificada a documentação o polifónico nem tinha logrado frequentar estudos superiores, desapareceu de cena, estará algures em França. O mote foi dado, o aparecimento de teses de doutoramento sem qualidade foi sublinhado ao invés das costelinhas em apreciação, daí o meu amigo já ter rejeitado fazer parte de júris de apreciação de algumas.

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O espumante tinto donairoso coadjuva a preceito o bebé Tó, no célebre livro de Apício referem-se preparos culinários de tetas e vulvas de porca, um dos de maior relevo era o leitão retirado da barriga da porca no fim da gestação, só os possuidores de bolsas recheadas acediam a tal esquisitice gastronómica preparada minuciosamente envolvendo várias especiarias e demais condimentos.

Condimentados de modo grosseiro os currículos de assessores de alguns governantes socialistas, incluindo António Costa, ele mandou passar a pente fino os «relatos curriculares» da legião de ajudantes, bom seria tal prática ser extensiva à generalidade das organizações, seguramente, o coro de exclamações ganharia o concurso de melhor composição natalícia deste e do próximo ano.

A acertada assadura do infante proporcionou-nos intendo gozo palatal, o mesmo não sucedeu ao comentarmos o afã dos videirinhos no quererem passar o gato por lebre dizendo terem ganho os paramentos doutorais aqui e ali, só que, ou as universidades desapareceram, incluindo os registos documentais, ou pura e simplesmente não há rasto de pegadas dos e das passentas das insígnias.

Nos anos vinte do século passado um lente foi acusado de ter facilitado a aprovação de um candidato a doutor recebendo em troca madeira preciosa vinda do Brasil, o transmontano Trindade Coelho, benquisto e esquecido escritor deixou-nos extensa lista de exemplos a negarem tom ao provérbio – quem o alheio veste na praça o despe –, pois os ditos doutores lograram ocupar a cadeira do magíster dixit.

Porque o leitãozinho o mereceu amplamente prestámos-lhe voluptuosa homenagem, sem pressas, as palavras travessas foram gastas no elencar as causas primaciais da engorda currículos, para além de progredirem nas carreiras, a Dona Vaidade tem graves responsabilidades de processo, no tocante à Vaidade escrevi em tempos, a Senhora possui algumas virtudes, no essencial é causadora de enormes prejuízos, também de inúmeros desgostos quando o Diabo engendra modos de desatravancar a verdade.

O Diabo não aparece em Setembro, aparece quando lhe dá na real gana. O alegre almoço findou alegremente também devido a um excelente digestivo escocês encerrado numa garrafa azul. Teve lugar no restaurante Típico, em Sernadelo, Mealhada.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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