Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Segunda-feira, Julho 26, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Trincanela

“Kiwi – um fruto versátil”, por Armando Fernandes

Uma senhora minha parente queixava-se continuamente de aerofagia derivada de persistente obstipação, andando quase sempre de semblante enrugado. Tomava remédios, mas apesar disso as melhoras duravam pouco tempo. Ante os queixumes ao modo de pinga de água espaçada a bater-nos na testa, disse-lhe para procurar especialista na matéria. Ela assim fez e para seu espanto recebeu como prescrição comer dois kiwis por dia, um reduzido a sumo. Ficou surpreendida, no entanto, cumpriu o preceituado e o achaque dissipou-se.

- Publicidade -

Esse fruto de uma planta trepadeira é originário da China, viajou e implantou-se solidamente na Nova Zelândia, Austrália, Califórnia e posteriormente espalhou-se na Europa. Em Portugal ainda não goza da projecção merecida, embora o seu consumo esteja a aumentar paulatinamente.

De configuração oval ao modo dos ovos de pata, de carapaça castanho esverdeada com penugem, se muito maduro ganha um acídulo agudo e quando batido e misturado com outros frutos concede-lhe um gosto peculiar e adstringência a fazer-se notar no palato.

- Publicidade -

Nas artes culinárias emprega-se nas saladas de acompanhamento de peixes e carnes, nas saladas de frutas, além de integrar várias composições de pastelaria e sorvetes. Também é elemento a considerar no domínio dos assados no forno de carnes mais gordurosas.

Apenas no intuito de experimentar, já bebi composições alcoólicas nas quais entra o kiwi. Não sendo dado a tal espécie de bebidas, verifiquei o seu agradável toque de frescura a colmatar a intensidade do álcool.

Estamos em plena estação estival, recorrer a este fruto refrescante de modo a atenuar os efeitos do calor parece-me adequado, mesmo nas sopas, nas maioneses, nas sandes, nos canapés e sucedâneos.

Se o leitor for atreito a ficar obeso, depois de pratos pesados imite a minha parente e não sofra sem necessidade. Para além de poupar na farmácia livra-se do mau humor, causa de irritações.

O sanguinário Oliver Cromwell não comia kiwis pois ainda não tinham aportado à Inglaterra. Segundo as crónicas sofria atrozmente da lentidão do intestino grosso, daí lhe ser atribuído um maior número de condenados ao patíbulo nos dias de cólera derivada da maleita.

Por tudo, e porque não imito Frei Tomás, os kiwis fazem parte da minha dieta seja cortados às rodelas, seja em conúbio nas saladas e nos acompanhamentos de várias experimentações culinárias.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here