‘Juntos pelo Mundo Rural’ agenda Marcha Lenta em protesto contra impedimento de caça e pesca

A organização da concentração ‘Juntos pelo Mundo Rural’ não aceita a interpretação do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que vedou a prática da atividade venatória e da pesca lúdica nos 121 concelhos que constam na Resolução do Conselho de Ministros, de 2 de novembro, como sendo de “elevado risco” na propagação do vírus SARS-CoV-2.

O movimento que, no dia 22 de novembro de 2019 juntou cinco mil pessoas no Terreiro do Paço em defesa do Mundo Rural, considera “inexplicável que o ICNF, após tão árduo trabalho em cobrar milhões de euros em taxas, licenças, e que devia sobretudo defender e salvaguardar” as atividades de caça e pesca “venha a ter uma atitude tão prejudicial com as mesmas, quando são estas, praticadas cumprindo com as regras da Direção Geral da Saúde as que menos risco acarretam em termos de contágio de covid-19”.

Assim, a organização da concentração ‘Juntos pelo Mundo Rural’ dá conta em comunicado que irá protestar, organizando “uma Marcha Lenta, em Lisboa, às 8h00, em dia e local já determinado, que só será divulgado, com 24 horas de antecedência, para impedir que, ao abrigo de regras especiais de segurança, a mesma venha a ser impedida ou boicotada”.

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Por entender como “chocante e leviana a total ausência de base científica para justificar esta proibição, quando até há protocolo celebrado com a Direção Geral da Saúde para que estas atividades já de si seguras, decorram com risco zero” e porque acrescenta ser a decisão de proibição “meramente política e obedece a compromissos partidários, bem como, porque a mesma não foi fundamentada cientificamente e explicada aos prejudicados”.

O movimento admite recuar na realização da Marcha Lenta se o Conselho de Ministros da próxima quinta feira, dia 12 de novembro de 2020, revogar a proibição do ICNF e esta seja ainda “alvo de interpretação favorável ao exercício de toda atividade venatória e pesca lúdica, considerando-as como atividades essenciais à economia das áreas desfavorecidas, que obedecem a recolhimento, no âmbito do Estado de Emergência”.

“Caso existam sinais que o ICNF e Governo estão dispostos a aceitar estes argumentos, o protesto será desmarcado” assegura a organização.

A decisão de avançar com uma Marcha Lenta é tomada pelo movimento pelo Mundo Rural “sem prejuízo dos esforços que as Organizações da Caça de Primeiro Nível têm desenvolvido junto do ICNF e Governo” notam ainda no mesmo documento.

A organização da concentração pelo Mundo Rural considera que “estas atividades são a alma, o sal da vida de milhares de portugueses, que as praticam, para ganhar força para aguentar a semana seguinte de trabalho, ocupando os seus tempos livres, em claro benefício pessoal, físico e psicológico, exercendo o seu direito ao bem-estar do ser humano, à qualidade de vida e à liberdade de cada um”.

Recorda que em Portugal, “carecem de pagamento de licença, gerando direta e indiretamente, muitos milhões de euros de receita e sem quaisquer despesas para o Estado, sendo o único suporte económico de algumas zonas rurais do interior, motivam aquisição de bens e serviços, designadamente, combustível, alojamento e restauração, e, mais importante, no caso da atividade venatória, desta dependem milhares de cães de caça maior que, com esta proibição, se tornam um encargo insuportável para matilheiros que os sustentam com os rendimentos que obtêm pelos seus serviços, bem como, todo o tecido empresarial que dinamiza cuida e dá vida ao Mundo Rural”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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