Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

“Juju Bento”, por Massimo Esposito

Para começar a apresentar artistas do Médio Tejo, segundo o prometido, transmito a entrevista que tive com Juju Bento (Ana Bento, de Abrantes) e deixo ela falar sobre o seu trabalho.

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“Inicio por agradecer o convite do Massimo. A escuta de diferentes opiniões sobre os assuntos da cidade é o melhor ponto de partida para melhores mudanças. Sou a Juju Bento, tenho 22 anos e vivo nas Caldas da Rainha. O meu percurso começou em Abrantes, cidade onde nasci. Onde tive a oportunidade de experimentar diferentes áreas criativas, desde um ATL que promovia outra tipologia de pensamento, o bailado, a música, e a pintura, enquanto aluna do Massimo no seu atelier. Depois o meu caminho começou a solidificar-se na Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa, onde completei o ensino secundário, especializando-me em cerâmica.

Mais recentemente, licenciei-me em Artes Plásticas na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha. Atualmente trabalho como assistente do artista plástico Ricardo Jacinto na OSSO Associação. Não consigo definir nem a mim nem ao meu trabalho em apenas uma área artística. Viajo entre a escultura, objetos, sons, luzes, vídeo, desenho e performance. O meu trabalho inicia-se por uma pesquisa acerca de um assunto, dedico-lhe o meu tempo através de leituras e observações, depois na minha escrita e só mais tarde, começo a conceber registos no papel, formalizando ideias. A ideia sai da minha cabeça para a oficina e para o material, e por último para o registo noutros media. Mas este ciclo nunca se fecha na totalidade porque levanta sempre novas questões.

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O meu trabalho parte sobretudo de um corpo que habita e contém em si, a sua memória, e por isso, o corpo molda formas escultóricas que se pautam pelas minhas dimensões. Depois o que daqui resulta dialoga com o espaço envolvente.

A mensagem que procuro transmitir é bastante influenciada pelo local de onde provenho. A sensibilidade do mundo rural assim como a beleza da sua fragilidade e a pureza dessa paisagem são adjetivos que inconscientemente encontro na minha prática. E, por isso, interessa-me transmitir a pureza que aí encontro.

Ao futuro, aconselho sempre, a não perder a memória e a origem do ser. Desde que entrei na António Arroio comecei a participar em exposições coletivas e residências artísticas pelo país. Apenas uma vez expus em Abrantes, quando era mais miúda, na antiga galeria municipal, mas nem tenho isso no currículo.

A nossa região, não perdendo o que a caracteriza, precisa de se envolver mais no circuito artístico e cultural, começando por apoiar os artistas locais para que estes queiram permanecer na região ou, pelo menos, que não a esqueçam. Para tal, tem de existir uma adaptação da mesma. Seria bom investir em espaços expositivos e de espetáculos, em locais de criação, de discussão, de eventos, de feiras, incentivar o crescimento de associações artísticas, proporcionar mais arte pública aos abrantinos e envolver espaços esquecidos (é uma cidade com alguns).

 A cidade de Abrantes e a sua envolvência rural está inundada de alento e estro propício à criação, por sua vez, sem oportunidade. A quem estas decisões devam vir a ser entregues? Àqueles que contém verdadeira vontade de criar”.

@juju__bento

Penso que disse tudo, e concordo com ela, vamos ver o futuro.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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