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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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“Jovem abusada, sem defesa”, por Vânia Grácio

Com certeza já muitos leram a notícia de uma jovem que foi alegadamente abusada num autocarro no Porto. Com certeza muitos viram já também o vídeo. E também com certeza muitos sentiram repulsa ao ver este tipo de situação acontecer, sendo incentivado por quem assistia ao vivo e “ignorado” por quem o viu nas redes sociais/ comunicação social.

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Preocupam-me vários aspetos. Primeiro que jovens são estes que temos na nossa sociedade, que assistem ao abuso de uma amiga/colega ou simplesmente uma terceira pessoa e nada fazem para travar este comportamento? Pelo contrário, riem, aplaudem, incentivam… Depois, partilham nas redes sociais o vídeo, como se se tratasse de algo que o mundo inteiro devesse assistir também. Uma das pessoas presentes é uma rapariga, que nada fez também (aparentemente) para impedir o abuso de outra rapariga. Preocupa-me também que a comunicação social, por mais sensacionalista que seja, divulgue este tipo de comportamentos.

Não vale a pena tentarmos encontrar desculpas para o que aconteceu. Pode dizer-se que os jovens vinham da Queima das Fitas, alcoolizados (ou não), que não sabiam o que faziam, que não convence. A rapariga abusada parece inconsciente, ou pouco capaz de resistir ao que quer que seja, e os “colegas” aproveitaram-se da situação. Não estamos a falar de adolescentes. Falamos de jovens universitários, maiores de idade, conscientes e responsáveis pelos seus atos. Não basta culpar o sistema, a sociedade ou até mesmos os pais por não os terem educado convenientemente. Estes comportamentos vão muito mais para além disso. O que me assusta é todos nós assistirmos a isto e muitos fazerem de conta que nem viram, ignorarem, porque “não é consigo”. Enquanto tivermos atitudes destas, vídeos como este e atos como este vão continuar a acontecer. Não ia mais ninguém no autocarro para além dos jovens? Ninguém chamou as autoridades? O próprio motorista não se apercebeu do que estava a passar-se? Que sociedade é esta que assobia para o lado perante tais situações?

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A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género comunicou já que irá “apresentar queixa no DIAP da Comarca do Porto, contra incertos, no sentido de proceder às diligências que considere necessárias tendo em vista o apuramento de responsabilidade criminal que esteja em causa, uma vez que as imagens indiciam comportamentos que consubstanciam a prática de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual; e que irá apresentar queixa no DIAP da Comarca de Lisboa, contra o Jornal “Correio da Manhã”, no sentido de proceder às diligências que considere necessárias, tendo em vista o apuramento de responsabilidade criminal, uma vez que as imagens divulgadas indiciam a prática de crime contra a honra ou contra a reserva da vida privada.”

Que sirva de reflexão. Que sirva para repensarmos as medidas corretivas/punitivas/ preventivas para este tipo de acontecimentos que violam os direitos das mulheres, a sua liberdade e a sua autodeterminação.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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