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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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“Insucesso escolar”, por Sofia Quintas

É fundamental identificar a causa das dificuldades de aprendizagem de uma criança, o que implica avaliar todas as dimensões da vida e do meio em que está inserida. A correta identificação das perturbações do neurodesenvolvimento, em particular, é muito importante para que possam ser acionados os meios adequados de apoio, que permitam à criança superar as suas dificuldades.

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O insucesso escolar pode resultar de vários fatores, nomeadamente:

  •  orgânicos (se a criança for portadora de uma doença crónica);
  • perturbações do neurodesenvolvimento (Défice de Atenção, dislexia, disortografia, défice cognitivo, entre outros);
  • comportamentais e emocionais (onde se incluem várias perturbações de Saúde Mental, como, por exemplo, a ansiedade, depressão, ou as características de temperamento ou personalidade da criança – a impulsividade, o perfecionismo, a agressividade, a desmotivação, o evitamento ou a excessiva dependência do adulto para a execução de tarefas escolares);
  • sócio-culturais, relativos à família e ao meio escolar (por exemplo, o baixo índice sócio-cultural familiar, a pobreza, as baixas expectativas educativas parentais e/ou da escola, a inadequação pedagógica, a insuficiência de apoios especializados).

As principais causas de dificuldade de aprendizagem são as Perturbações Específicas de Aprendizagem – da leitura (Dislexia), escrita (Disortografia) e matemática/cálculo (Discalculia); o défice de atenção (com ou sem hiperatividade) e o défice cognitivo e perturbações do espectro do autismo.

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As perturbações específicas de aprendizagem são diagnosticadas quando uma criança apresenta uma capacidade de aprendizagem da leitura, escrita ou matemática significativamente abaixo dos seus pares, embora tenha um nível de desenvolvimento mental adequado.

É fundamental que os professores e pais de crianças estejam atentos para as dificuldades de aprendizagem e alterações de comportamento que elas possam apresentar e que estas sejam alvo de uma avaliação compreensiva e correspondente tratamento. O tratamento pode compreender medidas de apoio pedagógico especializado e individualizado, acompanhamento em psicologia ou terapia da fala ou tratamento farmacológico do défice de atenção e/ou das perturbações do comportamento. 

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É importante assumir que existe uma dificuldade e que todos estejam atentos aos primeiros sinais. As crianças desejam ser bem-sucedidas e quando isso não se verifica, não é porque não querem, mas porque não conseguem.

Reconhecer a dificuldade é um processo essencial para a mudança. Agir de forma natural e construtiva é fundamental para se ultrapassar inseguranças, medos e dúvidas. É através de um trabalho diário que a criança conquista os seus sucessos e se motiva no processo de aprendizagem. 

Estas crianças devem ser avaliadas numa Consulta/Centro de Neurodesenvolvimento, envolvendo uma avaliação médica inicial (por Pediatra de Desenvolvimento, Neuropediatra ou Pedopsiquiatra), seguida de outras observações consideradas necessárias (Psicologia, Terapia da Fala, Psicomotricidade), de forma a identificar se existe ou não uma Perturbação do Desenvolvimento psicomotor e elaborar um plano de intervenção. Este implica, em regra, uma ligação com a família e com a escola, que deve ter um papel primordial no acompanhamento da criança.

Sofia Quintas

Neuropediatra no Centro de Neurodesenvolvimento do Hospital CUF Santarém.

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