“Inquéritos? Longe da vista, longe da responsabilidade”, por Helena Pinto

Costumamos ouvir, com bastante frequência, que a política autárquica é aquela que está mais próxima dos cidadãos e cidadãs e, como consequência, os seus e suas representantes. Pessoas que conhecemos pelo nome, que sabemos onde moram, qual a escola que frequentaram. Será que esta realidade é garante de transparência e rigor no exercício das funções para que foram eleitos/as?

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A proximidade, facto positivo sem dúvida, não exclui uma rigorosa prestação de contas, pelo contrário, torna-a mais urgente como prática, quer da parte dos e das autarcas, quer da parte dos cidadãos e cidadãs que os elegeram que a devem exigir.

Vem isto a propósito do que aconteceu recentemente na Câmara Municipal de Torres Novas, onde sou Vereadora, eleita pelo Bloco de Esquerda.

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Existe um novelo de decisões, protocolos, acordos em torno do contrato de concessão do terminal de Passageiros à Rodoviária do Tejo. Um contrato que foi assinado em 1985. O resultado final é a ausência de pagamento da renda anual por parte da Rodoviária ao Município. Perante esta situação propus, na Câmara Municipal a realização de um inquérito interno para clarificação da situação e apuramento das responsabilidades políticas que ao longo de duas décadas permitiram que esta situação chegasse onde chegou.

Um inquérito deveria ser a situação normal em democracia. Há dúvidas? Há situações a clarificar? Há responsabilidades políticas a apurar por não terem sido aplicadas decisões da Câmara? Faça-se um inquérito, seria a resposta óbvia. Mas não, votei sozinha pela realização do dito inquérito.

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O povo diz “longe da vista, longe do coração”, aqui talvez seja mais longe da vista de todos, longe da responsabilidade política.

Quem perde? A proximidade, a relação de confiança entre eleitos e eleitores, a transparência, a política local.

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