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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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“Ingres, o toque e o gesto”, por Massimo Esposito

Jean-Auguste Dominique Ingres, foi um dos maiores pintores do período Napoleónico e talvez o exemplo máximo da academia francesa. Foi com ele (e com o seu mestre Jacques-Luis David) que se codificou: como, em que maneira e o que pintar até chegar Corot e os impressionistas. Desenhador perfeito, incansável artista que pintou quadros imensos, realizou modificações na composição dos temas mais complexos e ao mesmo tempo conseguia pintar pequenos quadros só para aperfeiçoar a pincelada.

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Dono de um atelier composto de aprendizes, colaboradores e alunos, aceitava encomendas das mais altas patentes do império e da igreja, sempre respeitando os prazos e as inclinações dos clientes. Era também amigo de muitos artistas contemporâneos… talvez amigos amigos não, mas com quem trocava ideias e às vezes ofensas.

Ninguém pode tirar a sua importância na arte seja nas telas ou nas palavras escritas, visto que ele transmitia as suas ideias em publicações especializadas e muito lidas na altura.

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E aqui calha bem porque faz tempo que eu gostava de falar, a nível artístico naturalmente, da diferença entre o toque e o gesto. Por acaso, há dias atrás, estava na biblioteca de Constância e encontrei um livro em francês de Jacques Seghers que falava mesmo disto em relação ao grande Ingres. Dizia ele que “O que é chamado de “toque” é um mau uso do desempenho. É apenas a qualidade do falso talentoso, o “tolo” do artista, que está longe da imitação da natureza para simplesmente mostrar sua habilidade. O toque, por mais detestável que seja, não deve ser aparente: de outra forma, impede a ilusão e imobiliza tudo. Em vez do objecto representado, mostra o processo: em vez do pensamento, ele denuncia a mão.”

Para explicar, há muitos bons pintores mas que se concentram no toque, e lhe chamam de “toque artístico”, mas que nada mais é que uma declaração de auto-estima, um exercício de perfeição narcisista que nada tem a ver com a representação da natureza. O pintor DEVE saber desenhar o mais perfeitamente possível o que representa mas não deve ser a sua meta. O artista pinta ou desenha reinterpretando e personalizando e assim, sim, já a pode chamar de obra de arte, e chega ao seu objectivo. O gesto, isto sim, a gestualidade pessoal e única de cada artista, deixa correr a mão, vê a SUA pincelada e vai ser reconhecido pelo seu sinal único e unívoco. A pincelada de Van Gogh, de Renoir ou de Picasso são propriedades únicas e indiscutíveis. Todos nós do ramo, deveríamos actuar nesta direção, procurar o nosso gesto, a nossa pincelada. Só assim podemos ser reconhecidos e ter a felicidade de trabalhar no mais criativo dos empenhos humanos.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Sim, verdade. por isso esses grandes artistas se destacaram na época .. a questão do toque é fundamental… é um charme a mais na obra… existem muitos bons artistas hoje fazendo pinturas, mas são raros aqueles com um toque diferente… geralmente seguem a regra, porém, na grande maioria das vezes, para se destacar é preciso pensar fora da caixa e fugir do comum e postar na ousadia.

  2. Interessante, na minha opinião realmente temos que buscar a perfeição quando criamos nossa arte se não perde o sentido.
    Temos sempre que dar tudo de nos e buscar a perfeição mesmo que as vezes não consigamos alcança-la, só assim para alcançarmos níveis maiores.

  3. Exatamente Raquel, pensei a mesma coisa enquanto estava fazendo a leitura. Apesar de serem bons pintores os da atualidade acabam não se destacando pois estão fazendo sempre mais um do mesmo. E quem trabalha com arte, para se superar tem que inovar sempre e pensar fora da caixa para sair do comum

  4. Acho que falta hoje na arte vai muito além de talento ou coisa do tipo. As pessoas acabam se acomodando em um estágio e não procuram mais evoluir para algo mais acima da média, Eu pele menos quando me dedico a alguma coisa, procuro ser a melhor no que eu faço. E isso deveria se remeter a qualquer área da nossa vida.

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