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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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Incêndios/Mação | Tragédia e “falhas gravíssimas” devem “encher-nos de vergonha” – Vasco Estrela (C/Vídeo)

O presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, falou ao mediotejo.net sobre o relatório da Comissão Técnica Independente, nomeada pelo Parlamento, relativo à vaga de grandes incêndios florestais no País. Ainda sem respostas “esclarecedoras” sobre a tomada de decisões durante os incêndios de Mação, concelho que viu arder cerca de 80% do seu território, considerou “impensável” mais esta tragédia de 15 de outubro, depois de Pedrogão Grande em junho, e disse esperar que saia da reunião de Conselho de Ministros, dia 21, resoluções concretas daquilo que se quer para o País tendo em conta o problema estrutural da floresta e o abandonado interior de Portugal. O presidente prestou declarações à margem da instalação dos órgãos municipais de Mação.

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Divulgado que foi o relatório sobre o incêndio de 17 de junho, da Comissão Técnica Independente, proposta pelo PSD e nomeada pelo Parlamento, na análise de Vasco Estrela trata-se de um documento “que a todos deve inquietar”. Tal como o relatório de especialistas coordenados por Domingos Xavier Viegas “demonstra claramente que as coisas correram muito mal”, diz o presidente da Câmara de Municipal de Mação. E aponta os erros na “coordenação no terreno, as falhas de informação gravíssimas” e a determinado momento “terem parado os registos na fita do tempo”.

Incêndio dentro do limite urbano de Mação, este verão. Foto: Miguel Alves

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Vasco Estrela faz também referência ao registo da falha no “devido cuidado na proteção das populações, não se admitindo que aquela tragédia pudesse acontecer”, reconhecendo, no entanto, que “ninguém de bom senso pudesse tomar decisões contrárias à proteção das pessoas” mas que “houve um falhanço que nos deve levar a refletir”. O autarca considera que o relatório vem comprovar que agora é difícil acreditar “na segurança das pessoas”.

Mação foi um dos concelhos mais atingidos pelos incêndios deste verão, contabilizando uma área ardida de cerca de 80% do território e nesse sentido a Câmara Municipal pediu algumas explicações ao Governo central e à Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). Ainda sem respostas “esclarecedoras”, Vasco Estrela diferencia, no entanto, a postura do Governo e do secretário de Estado da Administração de Interna e “das atitudes da ANPC” nomeadamente do ex-comandante Rui Esteves.

“A Câmara Municipal de Mação tomou a iniciativa de solicitar ao secretário de Estado que fosse disponibilizada a fita do tempo do primeiro incêndio de julho” tendo em conta que a ANPC não disponibilizava a mesma ao comandante distrital Mário Silvestre, explicou, indicando que esta terça-feira recebeu “uma comunicação do secretário de Estado dando conta que a fita tinha sido pedida com carácter de urgência à ANPC e que está para chegar” à Câmara Municipal de Mação.

As chamas envolveram a sede concelho de Mação. Foto: Zé Gigante

Vasco Estrela reforça ser “ponto de honra” apurar as responsabilidade do que aconteceu no passado mês de julho, em Mação, no incêndio vindo da Sertã e “as decisões que foram tomadas”. Afirma estar pronta “a participação à Inspeção Geral da Administração Interna” sendo o primeiro ato a tomar como presidente da Câmara reeleito, “assinar os documentos para posterior envio da queixa”.

Insiste que “as respostas que chegaram não foram esclarecedoras nem tão pouco transmitem minimamente aquilo que devia ter sido transmitido”, ou seja: quem tomou decisões? porquê? a que horas? e quais as razões por que certas decisões foram tomadas?

O autarca social democrata escolhe palavras como “escuridão” e “buraco negro” para classificar a falta de respostas por parte da ANPC, uma vez que, segundo diz, “não se dignou até hoje a ter uma única conversa com o presidente da Câmara Municipal de Mação”.

Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, manifestou a sua insatisfação perante os escassos meios dispostos no terreno. Foto: Paulo Sousa

Segue com o pedido de averiguação à Inspeção Geral da Administração Interna “um conjunto alargado de testemunhas que queremos que sejam ouvidas entre as quais os dois comandantes distritais de Castelo Branco e de Santarém, respetivos segundos comandantes, presidentes de Junta de Freguesia, eleitos da Câmara Municipal de Mação, comandante dos Bombeiros de Abrantes e comandante dos Bombeiros de Constância”, adiantou o responsável.

Quanto ao fatídico dia 15 de outubro, Vasco Estrela considerou o acréscimo de mais vítimas mortais nos incêndios “impensável” depois do que aconteceu em Pedrogão e após o que sucedeu em Mação onde mais de 60 aldeias foram atingidas pelo fogo, que só “por milagre e atos de coragem de muitas pessoas foi possível evitar” semelhante tragédia. O presidente relembrou os avisos que o País foi recebendo, incluindo as autoridades, e o aviso deixado por António Louro, em junho, na Assembleia da República: “vão arder aldeias de fio a pavio”, vaticinou.

Por isso, Vasco Estrela considera urgente “uma reflexão profunda” adiantando que a Câmara Municipal de Mação irá ajudar nesse reflexão. “Seremos extremamente críticos, no bom sentido”. Até porque, com estes acontecimentos trágicos “estamos a dar uma imagem terceiro mundista do nosso País, com as aldeias abandonadas, pessoas idosas com baldes na mão”, imagens que “a todos nos devem encher de vergonha”.

E se no início da tragédia Vasco Estrela até pensou que “o Governo andou bem”, neste momento considera que deverá existir uma maior “reflexão crítica e não ligeireza” no tratamento desta matéria. O presidente aponta o dedo a uma política estrutural de abandono do território que proliferou durante anos defendendo a reativação, a proteção e a dinamização de grande parte do território.

Vasco Estrela durante o incêndio em Mação
Foto: Paulo Jorge de Sousa

Reconhecendo que os incêndios também ocorreram em algumas zonas do litoral, mas “no essencial o problema dos fogos florestais acontece onde há abandono, onde as pessoas vão deixando de estar. Hoje, mesmo nas zonas que são mais industrializadas, muitas dessas aldeias que estão à volta dessas grandes cidades também já não têm gente”, sustentou, lembrando as suas declarações há três anos ao prever que “estes fenómenos iam verificar-se no litoral onde as pessoas vão desaparecendo, onde já não se cuida de nada porque já não há ninguém para cuidar”.

Para Vasco Estrela é necessário perceber o que os governantes “de todos os partidos, incluindo do meu, querem para o País. O que querem para o interior de Portugal”, defendendo que a discussão não pode centrar-se “em mais kamov menos kamov, se a época crítica deve ir até novembro ou dezembro, não vamos resolver nada”. Espera agora que da reunião de Conselho de Ministro de dia 21 “saia alguma decisão positiva para o País” e que, “em memória das vítimas, Portugal aprenda alguma coisa”.

Foto: mediotejo.net

Por isso reafirma: “quem passou pelo que passámos em Mação não pode deixar de pensar que ainda assim as coisas correram tão bem, apesar das críticas do comandante nacional pela não existência em Mação do Plano Municipal de Emergência aprovado. Sem o Plano foi possível resgatar as pessoas porque temos uma rede muito bem trabalhada de muitos anos e cumprimos a nossa obrigação de preservar as vidas humanas”.

Mação | O presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, fala sobre o recente relatório da comissão técnica independente sobre os incêndios florestais que neste verão consumiram quase 80% do território do concelho.

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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