Incêndios/Gavião | Festa cancelada em Belver com populares, bombeiros e militares no combate às chamas

A presidente da Junta de Freguesia de Belver, Martina Jesus, conversa com os bombeiros

O incêndio que consumiu a freguesia de Belver, no concelho de Gavião, levou ao cancelamento da Festa das Santas Relíquias, evento que deveria decorrer este fim-de-semana. Sem motivos para festa, a organização – o Clube Desportivo Belverense – abriu a tasquinha para servir bebidas frescas e dois porcos assaram no espeto para serem oferecidos à população e aos bombeiros que ali combateram as chamas.

Trata-se de uma festa antiga. “Mais que cinquentenária… nem eu próprio sei precisar”, revela ao mediotejo.net o presidente do Clube Desportivo Belverense, André Martins.

Com os incêndios a fustigarem a freguesia de Belver e as festas à porta, a organização ponderou o que fazer até perceber que o melhor seria cancelar o evento. Decisão tomada por unanimidade da direcção. “Tentámos gerir dia após dia, mas chegámos a sábado e reparámos que Belver merecia este sinal de respeito”, diz o presidente.

Pedro Raposeiro, tesoureiro e André Martins, presidente. Ambos do Clube Desportivo Belverense

Faltou-lhes o ânimo e as “forças” para levar em frente uma festa cujo sentido era a animação, e a hora agora é de desolação. Cancelaram, por isso, todos os espectáculos de música e os eventos desportivos mantendo a degustação de javali no espeto. “É uma parceria que mantemos com Associação de Caçadores da Freguesia de Belver”, explica. Sendo também a forma encontrada de oferecer “aos bombeiros que queiram comer” no recinto da festa.

Com as famílias reunidas em Belver por ocasião dos festejos, a ideia passava por “uma oferta à comunidade já pensada antes do incêndio”. Com o objectivo de “dinamizar as tardes”, explica André.

O senhor Alberto é o assador dos javalis de serviço. Apesar da festa não se realizar a direcção do clube organizador decidiu assar os javalis para distribuir pela população e pelos bombeiros

E durante os três dias de incêndio, a televisão falhou em Belver bem como a electricidade que esteve cortada por “três ou quatro horas”, segundo a presidente da Junta de Belver em declarações ao mediotejo.net.

Martina Jesus descreve a situação como “angustiante, de pânico total”. O incêndio tornou-se “muito imprevisível. Ora estava dominado, ora não estava. Depois não era um foco, mas vários”.

O fogo chegou a arder o mato à volta do castelo de Belver já dentro da vila como a presidente da Junta, Martina Jesus, mostrou ao mediotejo.net

Em Belver viveram-se situações “muito complicadas” com aldeias a serem evacuadas como Torre Cimeira, “já não conseguimos na Torre Fundeira. As pessoas ainda foram para os centros e associações. Cinco delas trazidas para o lar de Belver, mas com muita dificuldade”, revela. Muito por causa da velocidade com que avançavam as chamas.

Dentro de Belver, “as casas estiveram quase todas em risco, atrás do Castelo”. Valeu-lhes uma coluna de bombeiros de Évora liderada pelo comandante de Carnaxide que para Martina Jesus foi um dos heróis da noite. “Conseguiram salvar estas casas todas”, indica apontando para o casario que e estende desde o castelo. “Algumas tiveram de ser arrombadas, estavam fechadas e outras abandonadas com os silvados… há pessoas que não limpam, o que não ajuda nada” a tarefa dos bombeiros, considera.

Também Alvisquer ardeu no incêndio de ontem, sendo que parte estava queimada do fogo de Junho. “Agora só temos aquela faixa do Bairro Tropa para cá”, referindo-se ao que ainda permanece verde.

Uma das grande preocupações da presidente da Junta era o Centro Social Belverense com 41 idosos residentes sendo 10 acamados. “O fogo não costuma pedir licença quando chega, simplesmente avança”, lembra.

Belver é agora uma terra queimada

Também Martina Jesus acredita existir “mão criminosa” nos incêndios que lavraram no concelho de Gavião. “É impossível! Começa em vários sítios e tudo ao mesmo tempo que não dá descanso aos bombeiros que estão exaustos”.

A presidente conta que numa tentativa de passar para Belver, sem conseguir devido ao fumo intenso, pediu ajuda a um bombeiro de Sousel. “Assim que saiu do camião caiu logo no chão”, descreve, relembrando que vários “foram assistidos”.

Quantos aos meios operacionais terrestres a autarca considera terem estado no terreno em “número suficiente”. Já os meios aéreos “apenas no sábado houve um bom reforço”.

Festa das Santas Relíquias cancelada em Belver

E se a Festa das Santas Relíquias acabou por ser cancelada, a verdade é que Belver contou com mais populares para ajudar no combate às chamas. De visita “por cá muita gente nova” a alterar o habitual cenário de uma população envelhecida.

Martina Jesus confessa o medo que sentiu. “Momentos que nunca tinha vivido na minha vida. Situações de verdadeiro pânico em vários sítios, cheguei a pensar que ia morrer, em Domingos da Vinha, Torre Cimeira, Belver e Arriacha Cimeira”.

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