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Sábado, Janeiro 22, 2022
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Incêndios| Os Gestos das Gentes – David Teimão

Sentado no sofá, na Moita, David via nas notícias as chamas a lavrar no seu concelho, Abrantes, e também em Mação e Sardoal. Inquieto, o segurança, 25 anos, fez uns telefonemas para uns amigos em Abrantes e decidiu ir dar o apoio que fosse necessário aquela gente, que lutava contra tamanha desgraça. Agarrou no carro, estacionou às 19:00 na encosta da Barata, e daí seguiu para o campo de batalha. Juntou-se a bombeiros, entrou nas aldeias, lutou contra as chamas, puxou mangueiras, ajudou pessoas em pânico. O antigo bombeiro fez uma direta e chegou a casa às 8:30 da manhã. De coração cheio e com um convite para voltar a ingressar no corpo de bombeiros.

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“Eu nem sei o que dizer sobre isto. Não esperava por isto, pensei que fosse passar despercebido. Vivo na Moita, mas sofro imenso com os incêndios na zona de Abrantes, sofro imenso! Ninguém consegue imaginar o que sinto ao estar longe e sentir me impotente. Eu detesto sentir-me assim. E pensei porque não pego no carro e faço algo para mudar isso? Porque não? Nem pensei 2x, fui e sempre com um objectivo: Ajudar quem precisa”, escreveu o jovem abrantino depois uma noite no terreno ajudar sem ver a quem.

“Eu conheço bem Abrantes, nasci e cresci em Abrantes, conheço bem as aldeias, caso contrário não me ia meter no incêndio”, disse Teimão ao mediotejo.net. “Cheguei a Abrantes pelas 19:00, fui pelas estradas nacionais para não gastar dinheiro nas portagens, e deixei o meu carro na Encosta da Barata, onde apanhei boleia de um grupo que já tinha combinado. Houve muita gente que ajudei e nem luz nem água tinham. Não me esqueço de um momento em que fui carregar uma senhora gorducha para a ambulância, nem pensei que conseguia, houve um momento em Monte Cimeiro que pensei que fosse lá morrer, sentia-me desprotegido, mas nunca baixei os braços e o trabalho de equipa foi excelente”.

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A equipa de Teimão era composta por duas viaturas, um camião cisterna, um jipe e uma mota, com vários elementos dos bombeiros e outras pessoas da Chainça e de Alferrarede, civis, que “foram também ajudar mas nem sabiam o que era uma mangueira de 50 nem redutores”.

“Até uma certa altura estive com os bombeiros mas eles fixaram-se num local e eu, juntamente com outros civis, começámos a correr as aldeias, rodeadas pelas chamas, e com pessoas em pânico, aos gritos e a chorar. Foram momentos complicados, sabes, foram momentos difíceis. Acreditas que chorei?”, contou David Teimão, quando questionado sobre o que pensou na viagem de regresso à Moita.

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“Vivo na Moita, mas a minha cidade será sempre Abrantes, a minha querida Abrantes, onde eu nasci e cresci e sempre fará parte do meu coração. Quero agradecer às centenas de pessoas que me enviaram agradecimentos, eu é que agradeço, eu fiz o que senti naquele momento. Não importa a distância que nos separa de quem precisa de ajuda, 320 km no meu pensamento foi um salto”.

“Tive uma boa equipa, eram boas pessoas. Eu podia ter feito melhor, mas com os 160 km a percorrer no regresso senti-me melhor, sei que ajudei várias pessoas. E voltarei a fazer pois recebi vários convites de corporações para quando quiser ajudar. As portas estão abertas e ainda recebi um convite do comandante de Cacilhas e de Lisboa para ingressar no corpo de bombeiros.

“Fiquei comovido e pondero ver-me no verão a ser bombeiro novamente”, disse o jovem abrantino, cuja aposta atual “é poder trabalhar no meu novo projeto enquanto agente imobiliário da Remax Easy. E ser bombeiro no verão. Vai correr bem”, assegura.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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