Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Domingo, Outubro 17, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Incêndios | “Vamos levantar a cabeça, arregaçar as mangas e reerguer Mação” – António Louro (C/AUDIO)

Com um pesado histórico de incêndios, Mação levantava lentamente a cabeça depois dos fogos de 2003 quando dois violentos incêndios, em 2017 e em 2019, voltaram a deixar um rasto de destruição, queimando 95% da área florestal do município. Com uma paisagem que cheira a cinza e fogo, com que alento as gentes de Mação partem para mais um episódio de reconstrução? “Esta é a nossa terra, dos nossos antepassados e é onde queremos continuar a viver no futuro”, afirma, convicto, António Louro, vice-presidente do município.

- Publicidade -

Com uma área de cerca de 40 mil hectares, dos quais 80% de mancha florestal, o município de Mação teve 85% do território e 95% da sua floresta destruídos pelos incêndios de 2017 e de 2019. Com que ânimo estão as gentes de Mação para encetar um trabalho de reconstrução, perguntou o nosso jornal a António Louro, cidadão e autarca. A resposta foi taxativa:

“Esta é a nossa terra! A terra que temos a responsabilidade de continuar a defender, o lugar onde os nossos antepassados viveram, e o sítio onde queremos continuar a viver no futuro”, afirmou, tendo assegurado que as gentes de Mação vão “levantar a cabeça, arregaçar as mangas e reerguer Mação”

- Publicidade -

O vice-presidente do município de Mação, António Louro (PSD), disse que este é um momento muito difícil, apelou à solidariedade nacional, e disse ainda que “continua a faltar no terreno” aquilo que reclama desde 2003.

“Estes grandes incêndios de paisagem só começarão a ser travados quando se começar a construir uma paisagem mais sustentável, com ordenamento, utilizando a agricultura como compartimentação, com rebanhos comunitários, e diminuindo esta continuidade florestal de pinheiro bravo e eucaliptos através de uma gestão agrupada e empresas de aldeia”, referiu.

Segundo António Louro, “Mação é hoje o concelho com maior área percentual ardida” e “o concelho com maior área ardida totalmente no país”, tendo feito notar a premência da “ajuda do país” para o município se “poder reerguer e conseguir ter futuro”.

“Apesar do trabalho que é desenvolvido neste município em termos de ordenamento florestal há muitos anos, tentei sensibilizar para os problemas de um concelho que, apesar de tanto trabalho e reconhecimento da qualidade do mesmo, acaba por ser o mais martirizado em termos nacionais pelos incêndios”, disse o autarca, questionado elo mediotejo.net depois da visita ao concelho de vários líderes parlamentares e do próprio Presidente da República.

“Em apenas dois anos (2017 e 2019) tivemos 95% do nosso território varrido pelas chamas com grandes incêndios, completamente descontrolados, que vieram de outros municípios e que entraram pelo nosso território” afirmou, tendo feito notar que, “nos últimos 24 anos (desde os grandes incêndios de 2003), Mação registou 850 ignições e foram todas resolvidas dentro do nosso território”.

Segundo António Louro, “não há nenhum município em Portugal que tenha sido tão fustigado pelos incêndios e que esteja numa posição tão difícil. Precisamos da ajuda do país para nos conseguirmos levantar”, apelou.

A limpeza dos terrenos nas faixas de segurança à volta das aldeias no concelho de Mação terá evitado males maiores aquando da passagem do incêndio que deflagrou em julho.

“Não há concelho no país com mais estradas limpas do que o de Mação”, disse o vice-presidente da Câmara Municipal, frisando que, desde 2017, houve também um aumento do trabalho de promoção na limpeza em torno das aldeias.

Se antes dos fogos de 2017 registavam 200 a 300 notificações a proprietários para efetuar limpezas, um ano depois o número triplicou, vincou o também responsável pela Proteção Civil de Mação.

“Somos o concelho mais ardido de todos, mais atingido em percentagem de área, com incêndios extremamente intensos, mas sem qualquer vítima mortal. E isso aconteceu porque houve aqui um trabalho de preparação, com ‘kits’ de autodefesa e com uma população que foi extraordinária [no combate]”, frisou António Louro.

Para o vice-presidente da Câmara de Mação, as limpezas permitiram que os incêndios não entrassem com tanta violência dentro das aldeias, levando a um registo baixo de perdas de bens ou de feridos civis.

“As faixas de contenção, mesmo que não tenham segurado os incêndios, permitiram que os bombeiros circulassem entre as aldeias e deu-nos condições de segurança ímpares”, notou.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome