Incêndios | PSD visitou as zonas ardidas do concelho de Abrantes

A candidatura autárquica Abrantes Viva! do Partido Social Democrata, com Rui Mesquita como cabeça de lista, visitou na quinta-feira algumas localidades do concelho de Abrantes afectadas pelos incêndios de agosto. Segundo o candidato do PSD, a data “mais tardia” da visita foi propositada no sentido de respeitar “a dor das pessoas”.

A candidatura do PSD Abrantes Viva! às próximas eleições autárquicas visitou durante o dia de hoje as zonas ardidas do concelho de Abrantes no sentido de “perceber o porquê, e discernir sobre as soluções” que deve apresentar para minimizar o problema, explicou Rui Mesquita, falando de “ilações positivas e negativas”. As primeiras prendem-se com “a atitude e bom trabalho dos bombeiros”; as segundas com as críticas das populações.

Em Amoreira e Rio de Moinhos “as pessoas sentiram um completo abandono” da parte das autoridades locais. “Nem sequer visitaram a população, nem se inteiraram das suas necessidades”, garantiu Rui Mesquita.

PUB

Em Amoreira, por exemplo, existe uma única “boca-de-incêndio tendo os bombeiros de recorrer a um hidrante situado em Montalvo”.

Sob esse tema, Rui Mesquita criticou o facto de os postos de abastecimento “na zona norte do concelho não serem auto-abastecíveis”, não negando a existência de bocas-de-incêndios questionou no entanto “quantas estão operacionais?”.

O périplo passou também por Pucariça, Martinchel, Aldeia do Mato, Cabeça Gorda, Bairro Cimeiro e Bairro Fundeiro e Carreira do Mato.

Praia Fluvial de Aldeia do Mato pós incêndios no concelho de Abrantes

Referiu que o PSD “tem soluções para os problemas que afectaram durante dias “ o concelho de Abrantes. Salientou dois dos 18 pontos apontados como urgentes. “Abrantes tem uma máquina de rasto. É intenção do PSD adquirir mais duas máquinas de rasto. O segundo é “duplicar o orçamento que a câmara municipal entrega à associação de bombeiros para que possam munir-se de mais e melhores meios”.

A acompanhar os candidatos do PSD ao concelho de Abrantes, estiveram os deputados eleitos pelo distrito de Santarém, Nuno Serra e Duarte Marques, com o objectivo de perceber “como aconteceu mas sobretudo para olharmos para a frente”, segundo Duarte Marques.

Recordou a “discussão” distrital em 2016 porque “o Governo esqueceu os concelhos de Abrantes e Sardoal nos apoios às áreas ardidas, à reposição do capital produtivo e nas indemnizações às pessoas.

“Estamos aqui para assinalar que desta vez isso não pode acontecer”, sublinhou, lembrando que Santarém é “dos distritos mais afectados pelos incêndios”. E comparou: “se ardeu em Pedrogão um terço do que ardeu no concelho de Mação, esta zona do distrito precisa também de um projecto piloto que seja aplicado para fazer o reordenamento do território e a reflorestação”.

Duarte Marques alude que o Médio Tejo “só sentirá na pele o prejuízo desta tragédia nos próximos meses e anos”.

Candidatos do PSD em Aldeia do Mato

Deu conta que o grupo parlamentar do PSD “pediu há duas semanas para integrar Mação no projecto-piloto. Entretanto Mação ardeu mais e ardeu Abrantes e Sardoal”. O deputado espera agora que a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo “faça esse desafio ao Governo e que os presidentes de Câmara estejam unidos neste propósito”.

Falando sobre a proposta do PSD para as espécies de árvores a plantar na reflorestação, Duarte Marques assegurou que “este Governo já disponibilizou quase o quadruplo do dinheiro para os eucaliptos do que disponibilizou para a limpeza da floresta”. Afirmou ser “vergonhoso concelhos como Mação terem candidaturas para o PDR [Programa de Desenvolvimento Rural] rejeitadas e não financiadas ou aprovadas e que nunca receberam dinheiro como é o caso de Sardoal”.

“É um mito que o eucalipto seja prejudicial”, defende, frisando não ser útil “olhar para o território com ideologia”. Duarte Marques advoga que “há espaço para tudo desde que seja de forma ordenada e integrada. Se a floresta não tiver valor económico não serve para ninguém”.

O périplo pelas localidades afectadas pelos incêndios centrou-se ainda na necessidade do PSD se inteirar junto dos “seus presidentes de freguesia, nomeadamente de Aldeia do Mato e Souto, para trocar impressões sobre o que aconteceu”, explicou, Rui Mesquita, em conferência de imprensa na praia fluvial de Aldeia do Mato.

Praia Fluvial de Aldeia do Mato pós incêndios

O candidato social democrata aproveitou a oportunidade para criticar “o péssimo acesso” à praia de Aldeia do Mato. Trata-se de “uma pequena via que em dias de grande afluência é um drama para chegar e para sair”. Rui Mesquita deu conta já ter sido proposto pelo presidente da Junta de Freguesia, Álvaro Paulino (PSD), que “fosse acedido por parte da câmara a reconstrução de uma estrada que ligue a praia de Aldeia do Mato a Martinchel”. A resposta, segundo Rui Mesquita, foi negativa justificada com “questões ambientais”. No entanto, o candidato do PSD deixou o compromisso de “a partir do dia 2 de Outubro” focar-se na requalificação dessa estrada, para que “melhores acessos tragam mais turismo”.

Rui Mesquita ainda garantiu que se for eleito nunca deixará um munícipe sem resposta. Expondo que Pedro Morais questionou a presidente da câmara, para justificar a inoperância das bocas-de-incêndio na Rua do Vale, em Chainça, e como resposta obteve um sem comentários por questões técnicas, “descartando as suas responsabilidades e enjeitando a obrigação que tem de saber se, em plena época de incêndios, os equipamentos concelhios estão capacitados para dar resposta à ameaça”. Além disso “não passou a palavra ao vereador responsável pelos SMA” presente na reunião de executivo.

O candidato finalizou lançando um apelo a Maria do Céu Albuquerque no sentido de pressionar a PT para que sejam restabelecidas as comunicações de Internet e telefone em Amoreira e Aldeia do Mato. “São meios que os cidadãos estão a pagar”, frisou.

PUB
Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).