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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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Incêndios | PSD quer Mação no projeto-piloto de reflorestação

Três deputados sociais-democratas, Nuno Serra, Duarte Marques e Maurício Marques, que esta segunda-feira foram recebidos pelo presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, estiveram no terreno e querem ver Mação integrado no projeto-piloto de reflorestação. Tendo em conta que o concelho era unanimemente citado como modelo, acreditam que falhou a primeira resposta ao fogo e apontam o dedo ao Governo por apenas na semana passada ter apresentado 20 novas equipas de sapadores florestais. Estas enquadram-se na Reforma das Florestas, que prevê a constituição de equipas de sapadores atingindo as 500 até 2019. Hoje são pouco mais de metade.

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Falam em “cenário desolador”, testemunharam revoltados os mais de 18 mil hectares ardidos, mas empenhados e solidários para com “as gentes de Mação que sofreram e vão continuar a sofrer” uma vez que “o incêndio não acabou no dia em que foi extinto”. As palavras são de Nuno Serra, presidente da distrital de Santarém do Partido Social Democrata (PSD), um dos três deputados que estiveram hoje no terreno consumido pelas chamas que assolaram o concelho no final de Julho.

A delegação social democrata, recebida pelo presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, e pelo vereador António Louro, contou também com Duarte Marques, vice-presidente da distrital de Santarém, e Maurício Marques, coordenador do grupo parlamentar do PSD da Comissão de Agricultura e Mar e responsável do partido no grupo de trabalho de acompanhamento da temática dos incêndios florestais.

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O objetivo prende-se com “perceber as consequências, o que se passou e quais vão ser os próximos passos em relação ao concelho de Mação”, afirmou Nuno Serra, eleito pelo círculo eleitoral de Santarém. O deputado social democrata deu conta da posição do PSD: “Mação não pode ficar fora do projeto-piloto de rearborização”. Fazendo uma comparação com outros cenários queimados no País, “Mação é de grande tragédia e merece uma atenção muito especial” do Governo.

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Da reunião com o executivo camarário, os deputados do PSD levam para o Parlamento a necessidade da reconstrução. “É preciso pensar naquilo que é ordenar no futuro”. Essa ordenação não passa apenas pela rearborização mas, segundo Nuno Serra, “pelas informações que suscitam muitas preocupações naquilo que foi o combate”. O grupo parlamentar do PSD aguarda, no entanto, a “reunião de amanhã da Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios”, para retirar mais ilações.

Quanto às indemnizações e apoios sociais, tendo em conta o documento que irá ser aprovado em Setembro que abrange as vítimas do incêndio de Pedrogão Grande, Nuno Serra considera dever decorrer um trabalho paralelo. “O que foi em Pedrogão está a ser tratado para Pedrogão”, diz, dando conta que o PSD apoia o pedido da autarquia de estatuto de território de calamidade pública. “Esperamos que seja inteiramente correspondido”, afirma.

Questionando se o incêndio de Mação poderia ter decorrido de forma diferente se as equipas de sapadores florestais, agora apresentadas pelo Governo, já estivessem no terreno, Maurício Marques descarta as “questões orçamentais” desde o início do ano, uma vez que “o orçamento estava apresentado”.

Para o deputado eleito por Coimbra, uma vez verificado que os sapadores “tinham sido suspensos desde 2009” deveriam ter sido criadas novas equipas. “Não é agora em Agosto que se faz prevenção florestal”, contesta, justificando o “não aumento de equipas” durante o governo de coligação PSD/CDS com a presença da “Troika. Um programa de resgate” em Portugal. Neste momento, o deputado pede ao Governo “coerência nas suas atitudes”.

Delegação de deputados do PSD estiveram hoje em Mação

Por seu lado, Duarte Marques garante que neste concelho “a culpa não irá morrer solteira”, sublinhando a inexistência de divergência política em matéria de incêndios. “Mação fez aquilo que estava ao seu alcance. Nenhum governo, nos últimos 20 anos, fez necessária a reforma florestal”. O deputado social democrata, igualmente eleito por Santarém, contraria o discurso de que foi feito tudo o que podia ter sido feito para combater os fogos. “Já percebemos que o concelho de Mação foi prejudicado por incúria, incompetência e negligência”, assegura.

Duarte Marques, natural de Mação, reafirma a sua revolta. “Só por milagre e muito empenho dos bombeiros e da Proteção Civil é que não morreu ninguém. Foi o povo de Mação que defendeu o concelho e as pessoas”.

Esclarece que a sua responsabilidade passa agora por “tentar que as pessoas tenham uma reposta rápida e que a reconstrução seja feita”, num concelho onde ardeu “o dobro” do que ardeu em Pedrogão Grande e quase “20 vezes mais” da área ardida na Sertã.

O deputado recordou que Mação foi o concelho escolhido, em 2016, pelo Governo para assinalar o Dia da Floresta, sendo que o Executivo não indicou até hoje se Mação irá ou não integrar o projeto-piloto. “A seguir ao fogo de Pedrogão falei com o ministro da Agricultura várias vezes para [Mação] ser incluído”. A resposta que obteve de Capoulas Santos considerou-a assim: “Ia ter em atenção. Há dias disse que nem sequer sabia que Mação tinha essa intenção. É ridículo!”.

À semelhança do que aconteceu com o Partido Socialista e com o Partido Comunista Português, ao Médio Tejo, o presidente da Câmara de Mação indica a disponibilidade do PSD “para colaborar na reconstrução” de Mação e a sensibilização demonstrada na questão dos incêndios.

“Foi possível perceber da parte do eleitos do PSD que estão em sintonia com a Câmara Municipal no que diz respeito ao projeto-piloto que o Governo quer implementar”. Se essa pretensão não for atendida Vasco Estrela diz não compreender “que justificação poderá ser dada para ser excluído o concelho com mais área ardida” no País, recordando “todo o trabalho de base” realizado durante anos.

Com dados preliminares Vasco Estrela aponta para um prejuízo na ordem dos “40 milhões de euros” refere que no terreno está feito o levantamento das primeiras habitações. “Amanhã decorre uma reunião com a Cáritas, já foi enviado para a CCDR de Coimbra o levantamento das primeiras habitações, está a ser disponibilizada alimentação para o gado também através de ações solidárias em articulação com as juntas de freguesia”.

Da mesma forma decorre o levantamento de segundas habitações e de pequenos empresários que viram os meios da sua atividade produtiva destruídos. Não menos importante considerou “o apoio psicológico junto das pessoas mais vulneráveis” levado a cabo pela Câmara Municipal, pela Segurança Social local e de Santarém e pela Rede Local de Intervenção Social (RLIS).

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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